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02
ago
12

As “sem atitude” por opção

Esse texto é em resposta ao post(clique para ler) de ontem do meu amigo Bruno. Conforme eu ia lendo, respostas óbvias iam surgindo na minha mente. Resposta da primeira pergunta: Quem inventou essa regra estúpida de que o homem é quem deve tomar a atitude para o primeiro contato, foram vocês mesmos, rapazes. E eu vou explicar o por que.

Não, eu não vou começar a cantar a velha canção do machismo, nem se preocupem! O que ocorre, de fato, é que uma mulher cheia de atitude assusta. PONTO – Isso é um fato, queridos! Há quem diga que as mulheres de atitude são ainda mais sedutoras, mas será mesmo?

Quando a gente chega num cara, ele pensa logo que a gente não presta. Afinal, as melhores coisas nunca caem no nosso colo! Pelo menos é esse o pensamento da maioria dos homens. Se você não é uma mulher digamos assim, “comedida”, prepare-se para deixar o rapaz cheio de dedos!

Porque é da natureza masculina querer ter o controle das coisas e a gente pode pelo menos deixar eles pensarem que têm esse controle já que o ego masculino é uma coisa super frágil(e facilmente inflável). Há certas mentiras que fazem um bem danado ao ego deles, por exemplo deixar eles pensarem que só depende deles chegar ou não em alguém.

É de se entender, meninas… De uns tempos pra cá, as coisas mudaram de maneira grotesca! A gente passou a ter controle total das nossas vidas. Somos profissionais iguais ou até melhores que eles e ainda arrumamos tempo para tomar conta dos filhos, da casa e para ficarmos lindas. Acho que nós podemos permitir que os pequenos detalhes ainda caibam aos homens. Porque é bom ter atitude sim, mas melhor ainda é sermos sutís e delicadas conseguindo o que queremos com apenas um olhar.

Pois é! Se você ainda não parou pra pensar, ele só vai tomar a atitude de tentar um primeiro contato, se sentir abertura(ou se estiver bêbado o suficiente). E no fim, por mais que eles tenham a atitude inicial, nós que dizemos se queremos ou não. A decisão é nossa de todo jeito. Nós sabemos como ser irresistíveis e como fazer eles ficarem desesperados para nos conhecerem melhor. Surpreenda com um bom papo e um bom perfume. Já é muito mais do que eles têm encontrado por aí, eu garanto!

Quando eu digo ser “sem atitude por opção” não quero dizer pra fazer a linha songa-monga, tá? Até porque, fazendo isso você não vai atrair atenção de ninguém! E mais, também não é uma regra… Eu já fui muitas vezes a mulher de atitude que chega em alguém, como também já fui a mulher que faz de conta que não tem atitude, só pra ver no que ia dar. Depende muito da intenção!
Porque convenhamos, homens podem até achar sexy uma mulher com atitude… Mas eles querem algo sério com uma mulher extremamente sexy e atrevida ou com uma mulher delicada, sutil, inteligente, divertida, discreta e que acaba sendo sexy “inconscientemente”? Pois é, por isso que eu digo, vai da sua intenção com o rapaz em questão.

Isso pode parecer baboseira machista, mas não é! O que eu quero dizer é que você não precisa chegar em ninguém se isso não for algo com que você se sinta à vontade! Acho que tudo é válido partindo do ponto que é espontâneo. É como dizem por aí; pessoas espontâneas são encantadoras naturalmente, não importa se estão no canto delas ou puxando assunto com alguém.

Para todos os tipos de mulher sempre existirão homens compatíveis. Seja ela uma mulher de atitude ou não.

02
ago
12

Qual é a metade da laranja?

Hoje eu tava esperando uma ideia cair no meu colo sobre que presente dar pro meu namorado de 1 ano de namoro, foi então que eu percebi: o maior presente que nós podemos dar um ao outro é ficarmos juntos. Pensei em zilhões de possibilidades, caixa dos sentidos, garrafa com carta, mural de fotos, almofada, fui no santo Google e não achei nada que me agradasse. Não que eu seja do tipo que ama demonstrações públicas de afeto mas resolvi que o melhor cartão que eu posso dar é um post aqui no meu blog:Eu pego um ônibus e nos assentos da minha frente tem duas mulheres, quando começo a prestar atenção na conversa delas percebo que o tema é “Como é difícil encontrar alguém hoje em dia”. É difícil? Pode até ser, mas impossível não é! Enquanto as pessoas reclamam que está impossível achar alguém que valha a pena, eu olho pro lado e só posso pensar o contrário.

As pessoas estão idealizando demais, exigentes demais, ansiosas demais e querendo tudo do jeito que querem na hora que querem. Você não pode passar um ano solteira que isso significa que você nunca vai encontrar alguém. Você não pode sair um sábado sem que alguém demonstre interesse por você. Se você fica com um cara e ele não te liga no dia seguinte, é o fim do mundo e você é a pior e mais feia das mulheres. Você está prestes a completar 30 e ainda não casou? Ih… No drama, please!

O amor é imprevisível! Ele te pega quando você decide dar um tempo de relacionamentos sérios, às 5h da manhã, bêbada, no fim de um show no qual você já ficou com 4 pessoas pra esquecer o mais recente ex-namorado. E enquanto você fica carente, sofrendo com comédias românticas e sábados vazios, ele passa correndo. Não adianta, quanto mais você pede por um namorado, mais longe fica o cara pelo qual você espera. Não é assim que funciona, o amor simplesmente não acontece quando você quer.

Enquanto você passa a noite esperando um determinado cara chegar em você, lançando seus melhores risinhos, sua melhor dancinha e jogada de cabelo… Esquece de olhar ao redor e reparar no cara que estava do outro lado e não tirou os olhos de você. É como diz Martha Medeiros “O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa”. Você esbarra em um cara no meio da rua, mil pensamentos te perturbam: “ele é até bonitinho”, “ele podia pedir desculpas e começar uma conversa”, “será que ele é casado?”… “e aí a gente ia casar e ter 3 filhos, morar num apartamento grande com vista pro mar…” – Nada acontece. Quando você está com a sua melhor roupa, o coração tranquilo, bem no emprego… Nada acontece. Quando você está com o seu melhor vestido, maquiagem impecável… Nada acontece!

Sabe aquele dia que você deixou de viajar com os amigos por causa do trabalho? Que você tá puto porque o pessoal tá tomando todas no feriadão prolongado e te ligando pra ter conversas bêbadas? Aquele dia que você saiu pra beber até trocar as pernas? Aquele dia que você resolveu pegar todas que dessem mole? Que você nem tá tão bem vestido? Que você foi de carona? É aí que o amor aparece, entre uma virada de tequila e outra.Ele pode vir com uma conversa mole do tipo “Oi Alice, como é seu nome?”, tipo esse que você pensa: “Que idiota!” mas acaba entrando na brincadeira já que você está bêbada demais pra filtrar e quando você vai ver se passou uma semana, um mês, um ano… Quem sabe não passa a vida toda com o idiota? E lá vem mais clichê: o amor pode estar em qualquer lugar. Pode ser aquele colega de trabalho aparentemente pacato ou aquele ator sensacional que você conheceu numa livraria por acaso. Nada é impossível, não é mesmo? Muito menos encontrar o amor. Mas é bom parar de procurar desesperadamente porque pode ser que enquanto você procura, ele também esteja atrás de você e vocês podem estar andando em círculos.

Não espere ouvir que ele te ama no dia do aniversário de namoro ou receber flores maravilhosas com um cartão incrível após a primeira transa. Você vai ouvir “eu te amo” num engarrafamento no fim de uma segunda-feira bem filha da puta, com os cabelos esquisitos, sem maquiagem e com a roupa de trabalho já amassada ou até no carnaval de Olinda, no meio de um encontro de blocos. E as flores? Bem, talvez ele te compre uma flor, sem cartão nem nada, naquele tiozinho que passou oferecendo, num botequim. Porque é como eu disse: o amor é imprevisível!
Amor não se procura. Amor se encontra. Amor não se pede nem se espera. Amor se vive. E não existe “o alguém pelo qual você sempre esperou”, existe alguém que tava no lugar certo e na hora certa e que soube ir ficando.Fizeram a gente acreditar que nós somos a metade de uma laranja. Que duas pessoas pensando igual, agindo igual, é o jeito certo para um relacionamento funcionar. Esqueceram de dizer que o nome disso é anulação. E que cada um de nós tem uma personalidade diferente e especial.

Ninguém nunca na vida vai ser perfeito pra você, ninguém te completa. É como diz a minha tia: a metade da laranja é uma maçã. Thanks God! Imagina se os dois fossem sentimentais demais? Ou insensíveis demais? O equilíbrio é que é bom!

Se você procura a outra metade da laranja, tenha certeza que decepções não irão faltar. Você não precisa da outra metade da laranja, de alguém que o complete. Porque nós já somos completos, precisamos de alguém que entenda e ame o fato de não termos formas e sementes iguais. Ninguém merece carregar nas costas o fardo de completar o que nos falta! E jogue as mãos para o céu aquele que encontrou sua metade da maçã!

02
ago
12

O suor das mãos e as borboletas do estômago

Tem horas que eu tenho vontade de dar os conselhos que não me deram. Sabe, às vezes a gente precisa ouvir alguma coisa que não venha acompanhado de frases clichês do tipo “você colhe o que planta”. Às vezes a gente precisa de um conselho com consistência, nostalgia e até arrependimento. Talvez esse conselho não alcance ninguém, mas eu vou falar mesmo assim.

Mesmo que anos atrás eu não fosse querer ouvir conselho algum, seria ótimo se tivssem me dado. Não é que eu seja muito da vivida, mas é que só olhando pra trás a gente consegue ver as coisas com mais clareza e menos sentimento. Tem gente que aprende com os erros dos outros, tem gente que não. Eu sou do tipo que se dizem que enfiar o dedo na tomada dá choque, eu vou lá e enfio pra ver no que dá. Ou seja, nada de conselhos pra mim!

Se você é como eu, não aconselho seguir lendo esse texto. Ou aconselho, porque né? Se você é como eu, não vai querer ouvir um conselho meu sobre não ler meu texto sobre conselhos… (WHAT????). Sim, essa sou eu em modo paranóico falando(escrevendo) sem pausas para respirar.

O que eu vim falar hoje aqui é sobre o primeiro amor da nossa vida. Sim, porque depois do primeiro existirão muitos outros amores da sua vida. E eu não estou falando do amor platônico que eu tinha no auge dos meus 7 anos, que me fazia escrever cartas destinadas ao Leonardo DiCaprio e que nunca foram enviadas… Eu falo do primeiro amor recíproco!

Existem coisas que não voltam mais, como o primeiro amor. Se eu só pudesse dar um só conselho sobre isso seria: Crie seu conto de fadas como quiser, porque essa é a hora de fantasiar. Porque nem você, nem o tal carinha sabem muito bem o que estão fazendo. E isso não necessariamente significa que você precisa ter 10 anos pra não saber o que está fazendo, ou ter o seu primeiro amor.

E eu digo isso porque o meu foi lá pelos 15 anos. Eu transbordava sensualidade com meu penteado de sempre; rabo de cavalo, corpo esquisito e vestimenta confusa. Ele também não era o príncipe encantado (pros outros), porque pra mim era o que existia de mais maravilhoso. Eu podia ter boas recordações disso, mas não tive.

Eu tive medo. De me magoar, de magoar ele, de magoar outras pessoas, de parecer ridícula, de não saber o que fazer, de estar exagerando. E por medo, nada fiz. Me expus mais do que deveria por pura inocência e deixei de viver essa coisa fofa que é o primeiro amor. E eu digo deixei de viver porque ele não foi uma coisa concretizada, vivida… Ele só existiu nos meus sentimentos.

E hoje, olhando pra trás o que eu tenho a dizer é que não se pode ter medo. Porque querendo ou não; a gente não vai saber o que fazer, vai exagerar, vai chorar horrores, vai sentir muito frio na barriga, vai querer sair correndo pra bem longe, vai querer correr em direção a ele, vai ligar e desligar só pra ouvir a voz, vai cantar qualquer coisa chorando (na minha época era Avril Lavigne), vai se desesperar e achar que nunca mais vai amar alguém assim. Mas vai.

E essa inocência não volta mais, assim como o primeiro amor. Por isso aproveite pra fazer cenas de novela, dramas imensos, sonhar bastante, brincar de verdade ou consequência, pra escrever cartas e mais cartas, idealizar o príncipe encantado, dar ursinhos enormes com chocolate, ir no cinema e não prestar atenção em um segundo do filme pensando no que fazer, dar um beijo no intervalo da aula escondido atrás da pilastra, de ter as mãos suadas e os olhos inquietos, pra riscar as bancas com músicas e corações, pra fazer demonstrações públicas de afeto… Essa é a hora, depois a gente fica velho demais, sem tempo demais e chato demais pra tudo isso. E não, essa não é a sua mãe falando, muito mentos aquela tia-avó que só se vê de ano em ano.

02
ago
12

Alguém especial

O texto de hoje não é meu, descobri ele mais cedo presa num engarrafamento indo pra faculdade. Uma colega minha começou a ler e logo me interessei. Ao chegar em casa, corri para procurar ele na internet.

Acho que em toda a história da existência desse blog, nunca postei um texto inteiro de outra pessoa. Quem acompanha sabe que no máximo coloco trechos, mas esse texto mexeu em alguma coisa lá no fundo, bem dentro de mim que me fez querer compartilhar com vocês.

É isso que você quer – ou um monte de gente basta?, Ivan Martins.

“Ficar com muita gente é fácil”, diz um amigo meu, com pouco mais de 25 anos. “Difícil é achar alguém especial”.

Faz algum tempo que tivemos essa conversa. Ele tentava me explicar por que, em meio a tantas garotas bonitas, a tantas baladas e viagens, ele não se decidia a namorar.

Ele não disse que estava sobrando mulher. Não disse que seria um desperdício escolher apenas uma. Não falou em aproveitar a juventude ou o momento e nem alegou que teria dificuldade em escolher. Disse apenas que é difícil achar alguém especial.

Na hora, parado com ele na porta do elevador, aquilo me pareceu apenas uma desculpa para quem, afinal, está curtindo a abundância. Foi depois que eu vim a pensar que existe mesmo gente especial, e que é difícil topar com uma delas.

Claro, o mundo está cheio de gente bonita. Também há pessoas disponíveis para quase tudo, de sexo a asa delta.

Para encontrar gente animada, basta ir ao bar, descobrir a balada, chegar na festa quando estiver bombando. Se você não for muito feio ou muito chato, vai se dar bem. Se você for jovem e bonita, vai ter possibilidade de escolher.

Pode-se viver assim por muito tempo, experimentando, trocando de gente sem muita dor e quase sem culpa, descobrindo prazeres e sensações que, no passado, estariam proibidos, especialmente às mulheres.

Mas talvez isso tudo não seja suficiente.

Talvez seja preciso, para sentir-se realmente vivo, um tipo de sensação que não se obtém apenas trocando de parceiro ou de parceira toda semana. Talvez seja preciso, depois de algum tempo na farra, ficar apaixonado. Na verdade, ficar apaixonado pode ser aquilo que nós procuramos o tempo inteiro – mas isso, diria o meu jovem amigo, exige alguém especial.

Desde que ele usou essa fatídica expressão, eu fiquei pensando, mesmo contra a minha vontade, sobre o que seria alguém especial, e ainda não encontrei uma resposta satisfatória. Provavelmente porque ela não existe.

Você certamente já passou pela sensação engraçada de ouvir um amigo explicando, incansavelmente, por que aquela garota por quem ele está apaixonado é a mulher mais linda e mais encantadora do mundo – sem que você perceba, nela, nada de especial. OK, a garota é bonitinha. OK, o sotaque dela é charmoso. Mas, quem ouvisse ele falando, acharia que está namorando a irmã gêmea da Mila Kunis. Para ele ela é única e quase sobrenatural, e isso basta.

Disso se deduz, eu acho, que a pessoa especial é aquela que nos faz sentir especial.

Tenho uma amiga que anda apaixonada por um sujeito que eu, com a melhor boa vontade, só consigo achar um coxinha. Mas o tal rapaz, que parece que nasceu no cartório, faz com que ela se sinta a mulher mais sensual e mais arrebatada do planeta. É uma química aparentemente inexplicável entre um furacão e um copo de água mineral sem gás, mas que parece funcionar maravilhosamente. Ela, linda e selvagem como um puma da montanha, escolheu o cara que toma banho engravatado, entre tantos outros que se ofereciam, por que ele a faz sentir-se de um modo que ninguém mais faz. E isso basta.

É preciso admitir que há gente que parece especial para todo mundo. Não estou falando de atores e atrizes ou qualquer dessas celebridades que colonizam as nossas fantasias sexuais como cupins. Falo de gente normal extremamente sedutora. Isso existe, entre homens e entre mulheres. São aquelas pessoas com quem todo mundo quer ficar. Aquelas por quem um número desproporcional de seres humanos é apaixonado. Essas pessoas existem, estão em toda parte, circulam entre nós provocando suspiros e viradas de pescoço, mas não acho que sejam a resposta aos desejos de cada um de nós. Claro, todo mundo quer uma chance de ficar com uma pessoa dessas. Mas, quando acontece, não é exatamente aquilo que se imaginava. Você pode descobrir que a pessoa que todo mundo acha especial não é especial para você.

Da minha parte, tendo pensado um pouco, acho que a pessoa especial é aquele que enche a minha vida. Ela é a resposta às minhas ansiedades. Ela me dá aquilo que eu nem sei que eu preciso – às vezes é paz, outras vezes confusão. Eu tenho certeza que ela é linda por que não consigo deixar de olhá-la. Tenho certeza que é a pessoa mais sensual do mundo, uma vez que eu não consigo tirar as mãos dela. Certamente é brilhante, já que ela fala e eu babo. E, claro, a mulher mais engraçada do mundo, pois me faz rir o tempo inteiro. Tem também um senso de humor inteligentíssimo, visto que adora as minhas piadas. Com ela eu viajo, durmo, como, transo e até brigo bem. Ela extrai o melhor e o pior de mim, faz com que eu me sinta inteiro.

Deve ser isso que o meu amigo tinha em mente quando se referia a alguém especial. Se for isso vale a pena. As pessoas que passam na nossa vida são importantes, mas, de vez em quando, alguém tem de cavar um buraco bem fundo e ficar. Essas são especiais e não são fáceis de achar.

02
ago
12

O “ser” humano

Como tem gente infeliz no mundo. Hoje à tarde dei vários sorrisos e não recebi nenhum de volta, tive um momento de reflexão sobre o assunto. Quando cheguei em casa resolvi ler mais um capítulo do livro que ganhei de uma amiga minha: “Doidas e santas”, da minha adorada Martha Medeiros. Eis que cheguei numa crônica que adoro: “Obrigada por insistir”. E uma coisa se ligou a outra.
Vou começar pelo último parágrafo, no qual Martha diz: “Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhes diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles  que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo”.
Isso me fez pensar que o que eu vivi e o que Martha falava eram a mesma coisa. Era a mesma crítica, a dela vinha em forma de agradecimento, já a minha veio em forma de chateação e na conclusão (após uma longa e silenciosa conversa comigo mesma) de que as pessoas andam a cada dia mais infelizes e menos atenciosas umas com as outras.
E eu digo que estão mais infelizes porque quando eu estou feliz, sorrio pra todo mundo, fico livre, leve e solta! Como na música “Telegrama” do Zeca Baleiro. Eu não conseguir um sorriso de volta significa que tá faltando alegria na vida das pessoas. Mas não é só isso, significa que as pessoas estão ficando cada dia com mais medo umas das outras, se protegendo de tudo que poderá vir de ruim dessa outra pessoa. O que me leva a concluir que as pessoas não têm mais fé no outro.
E fé no outro, no sentido de esperar que um sorriso seja só um sorriso, que ele não traga nada de ruim por trás. Hoje, o que eu mais vejo é gente descrente, esperando sempre o pior dos outros. Essas mesmas pessoas dizem ser inocência e babaquice minha esperar o melhor das pessoas. Talvez seja, talvez não. Pelo sim, pelo não; eu prefiro acreditar porque se eu não acreditar mais nas pessoas, qual será o sentido de me relacionar com elas?
Falando agora do começo da crônica, Martha fala das dúvidas que passam pela nossa cabeça no dia a dia. Dúvidas pequenas, do tipo “devo ligar para pedir desculpas pela minha negligência?”, “tiro o dinheiro do banco e invisto nessa loucura?”… Nesses momentos precisamos de um empurrãozinho! Então ela dedica a crônica  aos “empurradores”, que são aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!
Hoje eu gostaria de ser uma empurradora pra vocês, meus caros leitores. Gostaria de dizer: vá em frente! Sorria para as pessoas, toque nas pessoas, converse com a faxineira, olhe do olho do garçom que te serve, ajude alguém com dificuldade a atravessar a rua, escute com paciência a história que o seu avô quer contar… Enfim, seja mais gentil, seja mais feliz e acredite no outro. O ser humano precisa ser mais humano.
Como Martha Medeiros dedicou a crônica dela aos empurradores dela, eu quero dedicar meu texto a todos os meus empurradores (em especial ao meu namorado porque ele é um grande empurrador meu e porque hoje fazemos aniversário de namoro) e fazer também os devidos agradecimentos:
Obrigada por insistir para que eu enfrentasse meus medos, para que eu não me acovardasse diante das minhas fragilidades. Obrigada por insistir em me dar aquele abraço apertado mesmo sabendo que eu estava prestes a chorar e que ele desencadearia um choro incessante. Era um choro que precisava acontecer para que o nó na garganta desatasse. Obrigada por ser minha família quando a minha família real estava geograficamente longe demais para me dar broncas, carinho, afeto e tudo o mais.
Obrigada por insistir que eu me inscrevesse naquele concurso. Do contrário eu estaria até hoje amargando a dúvida. Obrigada por insistir para que eu escrevesse e desenhasse. Obrigada por perceber em mim talentos que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.
Obrigada por insistir para que eu fosse visitar aquela amiga acidentada. Eu nunca me perdoaria se não tivesse entrado naquele hospital, mesmo que não tenha conseguido ver ou falar com ela. Obrigada por insistir para que eu parasse de chorar. Por me mostrar que no futuro eu ia olhar pra trás e ia sorrir nostalgicamente.

Obrigada por insistir para que eu não saísse de casa naquele dia. Por ter segurado a minha mão, fechado a porta do quarto e me obrigado a assistir DVD’s de comédia romântica a noite toda. Obrigada por insistir em me pedir calma, por insistir em me tirar daquele lugar, por cuidar de mim, por me amar, por me respeitar, por sonhar comigo, por cantar, por ter me comprado esse livro, por me ajudar, por insistir para eu dançar com você,  por sorrir pra mim, por me abraçar e beijar. Obrigada por insistir e me empurrar.

http://www.youtube.com/watch?v=Kc9pEikXvZk

28
mar
11

Mudança!

Meus queridos leitores, estou aqui para informá-los da nossa mudança para blogspot. Infelizmente o “muitomelhorqueatuaex.blogspot.com” já havia sido registrado lá por alguém que não usa o link, então eu tive que registrar “muitomelhorquetuaex.blogspot.com”. Estou aos poucos transferindo todo o nosso conteúdo para lá, então peço que tenham um pouquinho de paciência e logo logo tudo se estabilizará. Essa mudança foi para facilitar a nossa futura mudança para http://www.muitomelhorqueatuaex.com!

Aqui está o link, para os que quiserem conhecer nossa casa nova:
http://muitomelhorquetuaex.blogspot.com

Mas, vou logo advertindo, como acontece em toda mudança, a casa nova ainda está meio bagunçada, conto com a paciência de vocês e espero que continuem nos visitando na nossa nova casinha.

Beijocas.

17
mar
11

Inquietude de lembranças

Acordou num pulo, assustada. Talvez fosse um sinal. Sim, exatamente disso que eu estou falando, um sinal. Não era toda hora que sonhava com ele, pra ser mais exata fazia mais de dois anos que não o via, e nesse tempo, quase raramente lembrava que ele existia. Acordar às três da manhã, depois de um sonho desse, era muito mais do que perturbador. Ela resolveu olhar da janela, sabia que não era ninguém especial, ao menos não era o “ninguém” que ela esperava ser. Confirmou o que pensava, mas ainda assim era um sinal.

Os dias que se seguiram foram de total inquietude. Ela não voltou a sonhar aquilo. Não teve mais sinal real nenhum, apenas zilhões de sinais que ela fazia questão de encontrar a todo tempo, em todo canto.

Dizem quem você colhe o que você planta. Mas e se você plantou com uma pessoa uma grande história, é justo que passe o resto da vida colhendo sozinha? E se essa safra foi tão carregada que rendeu frutos por tempo suficiente para que você cansasse de colher? Se você planta amor, a ideia não seria colher amor? Nem sempre, ou talvez, seja isso mesmo por um tempo. Basta saber que na safra seguinte, é raríssimo que se colha do mesmo fruto. Principalmente quando se trata de amor.

Ela chegou a viver um amor desses tão grandes, mas tão grandes, que você chega a pensar que nunca mais vai se sentir assim por outra pessoa na vida. Mas, por mais que exista amor, nem sempre essas pessoas estão predestinadas a ficarem juntas. E não é só isso, cada amor tem seu tempo certo de acontecer.

E isso é fácil de perceber. Sempre tem aquela pessoa que passou a vida toda fazendo os mesmos programas que você, freqüentando os mesmos bares, que tem mil amigos em comum, estudou no mesmo colégio ou curso de inglês, morava na mesma rua, ia na mesma lanchonete, e vocês nunca se esbarraram por anos, até um determinado dia. Certa vez eu estava questionando a minha mãe sobre isso, e tudo o que ela me disse foi: “Tudo tem uma hora certa para acontecer. Se vocês não se conheceram antes, é porque não estavam preparados para o que estava por vir. Deus escreve certo por linhas certas, torto é aquele que não sabe interpretar”.

Não era o tempo certo para eles. Inoportuno momento. Injustiça do destino. Inópia paciência. Inócuo ódio. Inoperantes tentativas. Insanas brigas. Injuriado rapaz de inquebrantável,insensível, insidioso, inorgânico, inquino e inóspito coração. Inquestionável amor. Inolvidável história. Inopinadamente tudo isso veio à tona, todos os velhos “Is” e sentimentos.

Inquietude de lembranças. Insistente mente. Inquisitiva insaciável havia se tornado ela, por esses dias, atrás de notícias dele. Permanecia numa insânia insaciável. Insatisfeita e insciente do seu atual estado, num insopitável e insólito surto, resolveu que tinha de encontrar o telefone dele.

E encontrou do outro lado da linha, um alguém diferente. Curiosa pela mudança, conversou sobre a vida dele, quis contar da dela mas parou na contramão. Descobriu que estava noivo, a quinze dias de se casar. Ela ficou muda no telefone, em meio aos vários “alôs” dele, do outro lado da linha. E quando deu por si, fez de conta que tinha se distraído com a TV. Mas que merda! O que porra foi isso? “me distraí com a TV”… Me poupe! Que pessoa se distraí com a Tv quando o suposto amor da sua vida diz que está para se casar? Ela é que não era.

Ele fingiu que engoliu a desculpa. Marcaram de se encontrar. Conversaram. Ela sentiu saudade, ele também. Mas, não era aquele tipo de saudade que se sente de ex. Aquela do tipo que é impossível não lembrar dos bons momentos saudosamente, mas em seguida você lembra o motivo dele ser ex e não atual, daí esquece disso. Porque o amor não tinha acabado, só o relacionamento.

O sentimento perdurou por todo esse tempo instalado no coração de modo inoperante, até o dia em que se viram novamente. Eles fingiram que esse encontro não os tinha abalado e se prometeram outros encontros, cada um com seus respectivos parceiros. Mas, ambos com uma nota mental que dizia: “isso não vai se repetir em muito tempo”.

Ele não conseguiu seguir sua nota mental. Três dias depois ligou pra ela, contando das inseguranças, do casamento, lembrando o passado. Eles riram bastante com as lembranças, então ela perguntou se ele não queria sair, conversar mais e beber alguma coisa. O que em resumo seria fazer o citado anteriormente, mas no fim da noite, eles sabiam onde acabariam. Mesmo sabendo, ele topou.

Ele não era de ligar no dia seguinte, ela não ligou como sempre fazia. Para a surpresa dela, ele ligou. Ela percebeu algo estranho e perguntou o que era. O pior é que sabia qual era a raíz disso, seja lá o que isso for. Ele sintetizou tudo em uma palavra: “acabou”. Ela não entendeu se tinha acabado pra ela ou pra noiva dele. E o pior é que ela só conseguiu dizer: “quer conversar?”. Ele não queria conversar, pela primeira vez na vida, tinha certeza de uma coisa. “Tudo bem, então a gente pode sair pra ‘não conversar’?”. E foram.

E por não saber se tinha acabado pra ela ou pra outra, chegou sem cumprimentar. Deu um toque na mão dele, para que soubesse que ela estava ali para “não conversar” e sentou-se ao seu lado, esperando alguma reação. Pelo olhar dele, ela sabia que não tinha acabado, não pra ela. Não era sua pretensão destruir um relacionamento tão sério, ela queria especialmente, matar a saudade.

Estava chateada pelo fim do relacionamento dele, mas por outro lado, estava muito feliz. Um fim é sempre um começo. É necessário que um ciclo se feche para que o outro comece. Outro dia me disseram: “Se você ama alguém, deixe-o livre”. E eu concordo plenamente. Se for para ser, ele voltará, após um breve passeio ou longos anos. O importante é que voltará. Nesse caso, ele voltou apesar de estar livre para escolher quem quisesse.

Talvez agora seja a hora dos dois. Talvez não. Talvez seja só mais uma hora para os dois, e não “A” hora. Sabem do que eu to falando, né? O fato é que ela ouviu o sinal e tomou uma atitude. É fácil pros fracos dizer que o destino vai tomar conta de tudo, vai fazer dar certo. Mas a verdade é que o destino sozinho, não faz nada por ninguém. Existe uma enorme diferença entre as pessoas que percebem os sinais, e as pessoas que percebem os sinais e tomam atitudes a partir desses sinais. Se ela não tivesse feito nada, talvez não tivessem ficado juntos por hoje, ou pra sempre, quem sabe?

O que posso dizer com exatidão é que sempre existirão sinais. Mas você precisa entender que o sinal quer te dizer, e que nem sempre ele é verde. Muitas pessoas se irritam ou ignoram quando o sinal mostra algo que não querem ver. Por vezes, o sinal acaba aparecendo amarelo, que é quando nós precisamos prestar atenção nos nossos passos futuros, pois o destino ainda não resolveu bem o que vai ser. Por outras, aparece vermelho, que é quando a gente deve parar e rever nossa caminhada pra perceber que aquilo não faz mais parte da nossa vida ou que precisamos trazer aquilo de volta à nossa vida. Todos querem sinais verdes por todos os momentos, para todas as coisas que querem, e não percebem a importância dos outros sinais.

Pense comigo em todas as vezes que você abriu mão de algo que queria muito, você não esperou uma força do além, Deus, anjos, santos, orixás, ou até o universo, te recompensarem? Nem sempre é o destino que nos dá um presente, às vezes nós mesmos precisamos nos presentear. Trilhar o caminho que queremos seguir, plantar o que queremos colher. Nem sempre essa força do além vai te recompensar do jeito que você quer, na hora que você escolher, por essa escolha altruísta. E é assim a vida.

Mas, antes de se lamentar e sair resmungando sobre “como a vida é injusta”, pense em quantas vezes o universo conspirou para que desse tudo certo para você, sem que você precisasse fazer tanto esforço. Lembre-se de quantas pessoas te presentearam com gestos e ações sem pedir nada em troca. Depois disso você não vai achar ruim os cinco reais que deu ao mendigo e depois precisou no estacionamento.