02
ago
12

O suor das mãos e as borboletas do estômago

Tem horas que eu tenho vontade de dar os conselhos que não me deram. Sabe, às vezes a gente precisa ouvir alguma coisa que não venha acompanhado de frases clichês do tipo “você colhe o que planta”. Às vezes a gente precisa de um conselho com consistência, nostalgia e até arrependimento. Talvez esse conselho não alcance ninguém, mas eu vou falar mesmo assim.

Mesmo que anos atrás eu não fosse querer ouvir conselho algum, seria ótimo se tivssem me dado. Não é que eu seja muito da vivida, mas é que só olhando pra trás a gente consegue ver as coisas com mais clareza e menos sentimento. Tem gente que aprende com os erros dos outros, tem gente que não. Eu sou do tipo que se dizem que enfiar o dedo na tomada dá choque, eu vou lá e enfio pra ver no que dá. Ou seja, nada de conselhos pra mim!

Se você é como eu, não aconselho seguir lendo esse texto. Ou aconselho, porque né? Se você é como eu, não vai querer ouvir um conselho meu sobre não ler meu texto sobre conselhos… (WHAT????). Sim, essa sou eu em modo paranóico falando(escrevendo) sem pausas para respirar.

O que eu vim falar hoje aqui é sobre o primeiro amor da nossa vida. Sim, porque depois do primeiro existirão muitos outros amores da sua vida. E eu não estou falando do amor platônico que eu tinha no auge dos meus 7 anos, que me fazia escrever cartas destinadas ao Leonardo DiCaprio e que nunca foram enviadas… Eu falo do primeiro amor recíproco!

Existem coisas que não voltam mais, como o primeiro amor. Se eu só pudesse dar um só conselho sobre isso seria: Crie seu conto de fadas como quiser, porque essa é a hora de fantasiar. Porque nem você, nem o tal carinha sabem muito bem o que estão fazendo. E isso não necessariamente significa que você precisa ter 10 anos pra não saber o que está fazendo, ou ter o seu primeiro amor.

E eu digo isso porque o meu foi lá pelos 15 anos. Eu transbordava sensualidade com meu penteado de sempre; rabo de cavalo, corpo esquisito e vestimenta confusa. Ele também não era o príncipe encantado (pros outros), porque pra mim era o que existia de mais maravilhoso. Eu podia ter boas recordações disso, mas não tive.

Eu tive medo. De me magoar, de magoar ele, de magoar outras pessoas, de parecer ridícula, de não saber o que fazer, de estar exagerando. E por medo, nada fiz. Me expus mais do que deveria por pura inocência e deixei de viver essa coisa fofa que é o primeiro amor. E eu digo deixei de viver porque ele não foi uma coisa concretizada, vivida… Ele só existiu nos meus sentimentos.

E hoje, olhando pra trás o que eu tenho a dizer é que não se pode ter medo. Porque querendo ou não; a gente não vai saber o que fazer, vai exagerar, vai chorar horrores, vai sentir muito frio na barriga, vai querer sair correndo pra bem longe, vai querer correr em direção a ele, vai ligar e desligar só pra ouvir a voz, vai cantar qualquer coisa chorando (na minha época era Avril Lavigne), vai se desesperar e achar que nunca mais vai amar alguém assim. Mas vai.

E essa inocência não volta mais, assim como o primeiro amor. Por isso aproveite pra fazer cenas de novela, dramas imensos, sonhar bastante, brincar de verdade ou consequência, pra escrever cartas e mais cartas, idealizar o príncipe encantado, dar ursinhos enormes com chocolate, ir no cinema e não prestar atenção em um segundo do filme pensando no que fazer, dar um beijo no intervalo da aula escondido atrás da pilastra, de ter as mãos suadas e os olhos inquietos, pra riscar as bancas com músicas e corações, pra fazer demonstrações públicas de afeto… Essa é a hora, depois a gente fica velho demais, sem tempo demais e chato demais pra tudo isso. E não, essa não é a sua mãe falando, muito mentos aquela tia-avó que só se vê de ano em ano.


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