02
ago
12

O “ser” humano

Como tem gente infeliz no mundo. Hoje à tarde dei vários sorrisos e não recebi nenhum de volta, tive um momento de reflexão sobre o assunto. Quando cheguei em casa resolvi ler mais um capítulo do livro que ganhei de uma amiga minha: “Doidas e santas”, da minha adorada Martha Medeiros. Eis que cheguei numa crônica que adoro: “Obrigada por insistir”. E uma coisa se ligou a outra.
Vou começar pelo último parágrafo, no qual Martha diz: “Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhes diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles  que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo”.
Isso me fez pensar que o que eu vivi e o que Martha falava eram a mesma coisa. Era a mesma crítica, a dela vinha em forma de agradecimento, já a minha veio em forma de chateação e na conclusão (após uma longa e silenciosa conversa comigo mesma) de que as pessoas andam a cada dia mais infelizes e menos atenciosas umas com as outras.
E eu digo que estão mais infelizes porque quando eu estou feliz, sorrio pra todo mundo, fico livre, leve e solta! Como na música “Telegrama” do Zeca Baleiro. Eu não conseguir um sorriso de volta significa que tá faltando alegria na vida das pessoas. Mas não é só isso, significa que as pessoas estão ficando cada dia com mais medo umas das outras, se protegendo de tudo que poderá vir de ruim dessa outra pessoa. O que me leva a concluir que as pessoas não têm mais fé no outro.
E fé no outro, no sentido de esperar que um sorriso seja só um sorriso, que ele não traga nada de ruim por trás. Hoje, o que eu mais vejo é gente descrente, esperando sempre o pior dos outros. Essas mesmas pessoas dizem ser inocência e babaquice minha esperar o melhor das pessoas. Talvez seja, talvez não. Pelo sim, pelo não; eu prefiro acreditar porque se eu não acreditar mais nas pessoas, qual será o sentido de me relacionar com elas?
Falando agora do começo da crônica, Martha fala das dúvidas que passam pela nossa cabeça no dia a dia. Dúvidas pequenas, do tipo “devo ligar para pedir desculpas pela minha negligência?”, “tiro o dinheiro do banco e invisto nessa loucura?”… Nesses momentos precisamos de um empurrãozinho! Então ela dedica a crônica  aos “empurradores”, que são aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!
Hoje eu gostaria de ser uma empurradora pra vocês, meus caros leitores. Gostaria de dizer: vá em frente! Sorria para as pessoas, toque nas pessoas, converse com a faxineira, olhe do olho do garçom que te serve, ajude alguém com dificuldade a atravessar a rua, escute com paciência a história que o seu avô quer contar… Enfim, seja mais gentil, seja mais feliz e acredite no outro. O ser humano precisa ser mais humano.
Como Martha Medeiros dedicou a crônica dela aos empurradores dela, eu quero dedicar meu texto a todos os meus empurradores (em especial ao meu namorado porque ele é um grande empurrador meu e porque hoje fazemos aniversário de namoro) e fazer também os devidos agradecimentos:
Obrigada por insistir para que eu enfrentasse meus medos, para que eu não me acovardasse diante das minhas fragilidades. Obrigada por insistir em me dar aquele abraço apertado mesmo sabendo que eu estava prestes a chorar e que ele desencadearia um choro incessante. Era um choro que precisava acontecer para que o nó na garganta desatasse. Obrigada por ser minha família quando a minha família real estava geograficamente longe demais para me dar broncas, carinho, afeto e tudo o mais.
Obrigada por insistir que eu me inscrevesse naquele concurso. Do contrário eu estaria até hoje amargando a dúvida. Obrigada por insistir para que eu escrevesse e desenhasse. Obrigada por perceber em mim talentos que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.
Obrigada por insistir para que eu fosse visitar aquela amiga acidentada. Eu nunca me perdoaria se não tivesse entrado naquele hospital, mesmo que não tenha conseguido ver ou falar com ela. Obrigada por insistir para que eu parasse de chorar. Por me mostrar que no futuro eu ia olhar pra trás e ia sorrir nostalgicamente.

Obrigada por insistir para que eu não saísse de casa naquele dia. Por ter segurado a minha mão, fechado a porta do quarto e me obrigado a assistir DVD’s de comédia romântica a noite toda. Obrigada por insistir em me pedir calma, por insistir em me tirar daquele lugar, por cuidar de mim, por me amar, por me respeitar, por sonhar comigo, por cantar, por ter me comprado esse livro, por me ajudar, por insistir para eu dançar com você,  por sorrir pra mim, por me abraçar e beijar. Obrigada por insistir e me empurrar.

http://www.youtube.com/watch?v=Kc9pEikXvZk


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