Arquivo para outubro \28\UTC 2010

28
out
10

Reconstrução.

 

Chorou daquela vez como se fosse a última.
Pensou naquela briga como se fosse a última.
E cada chororô como se fosse o único.
E voltou pra sua casa com seu passo tímido.
Subiu no elevador como se fosse máquina.
Ergueu no coração quatro paredes sólidas.
Tijolo por tijolo a cada briga trágica.
Seus olhos mal fechavam de cimento e lágrima.
Sentou pra descansar como se fosse domingo.
Comeu nada com nada como se fosse fácil.
Bebeu e soluçou como se fosse inédito.
Dançou e gargalhou como se fosse o princípio.
E tropeçou em tudo que já fez bêbada.
E flutuou no ar como se fosse num abraço.
E se acabou no chão como um adeus pesado.
Agonizou no meio de um adeus público.
Morreu na contramão pra liberar o tráfego.

Amou daquela vez sabendo que era a última.
Beijou daquela vez como se fosse a única.
E aquele abraço seu, sabia que era o derradeiro.
E atravessou a rua com um aperto extremo.
Subiu no elevador como se fosse sólida.
Reforçou no coração quatro paredes mágicas.
Tijolo por tijolo a cada lágrima lógica.
Seus olhos já fechados por bebida e mágoa.
Sentou pra descansar como se fosse fácil.
Comeu nada com nada como se fosse um hábito.
Bebeu e soluçou como se fosse a única.
Dançou e gargalhou sabendo o que estava próximo.
E tropeçou no tijolo como se não quisesse.
E flutuou no ar fugindo de uma briga trágica.
E se acabou no chão como uma máquina pesada.
Agonizou no meio de um adeus pesado.
Morreu na contramão aplaudida pelo público.

Amou daquela vez querendo ser uma máquina.
Beijou daquela vez porque era o lógico.
Ergueu no coração quatro paredes bêbadas.
Sentou pra descansar como se fosse rápido.
E flutuou no ar só esperando a queda.
E se acabou no chão esperando um príncipe.
Morreu atropelada pelo cavalo branco.

Por tudo que aconteceu, por tudo que há de vir.
A concessão do cessar de sofrer, e um aval pra sorrir.
Por a deixar respirar, por a deixar existir, Deus lhe pague.
Por tudo aquilo que de graça ela teve que engolir.
Pela confusão e desgraça que agora ela pode cuspir.
Pelos adeus, lágrimas, contramãos e quedas, Deus lhe pague.
Pela pessoa que ela achou e o valor que agora sabe medir.
Por tudo aquilo que houve, pra isso agora existir.
E pelo amor verdadeiro que agora pode sentir, Deus lhe pague.

 

Aqui vai a letra da música pra quem quiser comparar com o texto: Construção – Chico Buarque.

25
out
10

Pra ser “sine cera”.

É, muitos de vocês já devem ter ouvido falar sobre a possível origem da palavra “sincero”. Em respeito aos que nunca ouviram, eu vou contar aqui: Dizem que foi inventada pelos romanos numa época onde se enfeitava os palácios com vasos e esculturas.

Eles fabricavam uma espécie de vaso com uma cera especial. Essa cera era por vezes tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes. Tão transparentes que era possível identificar os objetos que estivessem dentro deles, parecia que nem tinham cera. Esses vasos transparentes eram chamados de “sine cera”, que quer dizer “sem cera”. Essa era uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixa ver através de suas paredes e da antiga cera romana.

E aí, sincero passou a ter um significado muito maior e profundo. Sincero é quem é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa de disfarces, malícias ou dissimulações. O sincero é como o vaso, que deixa ver através de suas palavras o que guarda no coração.

Sincero é uma palavra doce, que transmite confiança… Ta aí uma palavra que devia povoar o vocabulário de toda alma. Correndo pro meu Luft, encontrei essa descrição: “sin.ce.ro – 1. Que não mente quando diz o que pensa ou sente. 2. Puro de intenções; franco; leal. 3. Verdadeiro; autêntico”.

Aqui vai o ponto principal desse texto: por que é tão difícil encontrar nos dias de hoje alguém “sine cera”? Onde foi que as pessoas se perderam? Dizem que as pessoas fracas são as que não podem ser sinceras. Poxa vida, hein?! Tem tanta gente fraca espalhada por aí?

A verdade é que as pessoas têm medo de mostrar quem são de verdade, o que sentem, a que vieram… Porque todo mundo quer sinceridade, mas as pessoas não estão prontas para ouvir a verdade. Por que? Porque ela dói, machuca, nos dá aquele choque. E as pessoas cada dia mais querem poupar umas as outras de se machucarem. Mas, é necessário que se saiba que não se chega a canto nenhum sem ouvir certas verdades, sem sentir na própria pele um bocado de coisa.

Por que a gente vive querendo se poupar? Porque a vida por si só já machuca pra cacete! Isso tudo pelo simples fato de que viver é sobreviver numa selva humana. Ninguém sabe o que o outro pensa de verdade, e pra se preservar, acaba não sendo sincero também, passa por cima dos sonhos dos outros, trai, se esconde, e por aí vai… O que me leva a crer que a coisa degringolou justamente por falta de sinceridade.

Ser sincero não é apenas “falar a verdade” é agir com sinceridade. Eu digo apenas porque realmente vai bem além, mas se começassem por isso, já seria uma grande coisa. Sinceridade não deve ser algo podado, mas sim acompanhado e moderado sempre pelo bom senso. A gente não pode simplesmente chegar e jogar as verdades na cara das pessoas, sem medir conseqüências.

A sinceridade deveria ser adotada como modo de vida. Agir com sinceridade, se libertar das máscaras, de padrões, algumas regras sociais e tudo o mais, seria o ideal. Perceba que confiança não é algo que se impõe, mas sim, algo que se conquista. Você só consegue a confiança de alguém, depositando confiança nessa pessoa. E se ninguém dá o primeiro passo, nunca começa.

Enquanto as pessoas não perceberem também que quem deposita fé em alguém merece muito mais do que a verdade, merece ser recompensado, as coisas vão de mal a pior. Em tempos em que alguém consegue olhar dentro dos seus olhos, “falar com a alma” algo que não sente realmente, a gente deve buscar fazer nossa parte.

De um em um, a coisa vai mudando de figura, e quando a gente menos espera, pelo menos ao nosso redor, já vamos ter conseguido uma mudança de pensamento e comportamento. É bom pra você e pra todo mundo. Deixemos então as paredes transparecerem, pra que a gente consiga mostrar nosso conteúdo sem medo.

13
out
10

Reformas

Cheguei em casa tudo estava de cabeça pra baixo. Móveis, roupas, livros, coisas… Todas as coisas! Mas, nenhum vestígio dele. E eu tentei, realmente tentei, de alguma forma não lembrar da noite passada. Mas não tinha como. Até ao sentar na mesa da cozinha, além da cadeira vazia ao lado que por deixar tanto espaço me espremia o coração contra as paredes, encontrei também mais pedaços: umas caixas, uns papéis, um sapato sem par…

Em cada cantinho dessa merda de apartamento velho, que a gente conseguiu com tanto esforço, me vinha uma lembrança. Das mais antigas e lindas às mais atuais e tristes. E eu queria sentir raiva, só raiva. O problema é que depois da raiva, vinha saudade. E entre ciclos de: raiva-mais raiva-saudade, fiquei eu, sozinha aqui.

Eu não liguei pra ele, eu ainda tava com raiva. Por que qualquer bosta que ele fazia comigo, me deixava tão irritada? E por que, de qualquer maneira, eu continuava amando igual ou mais? “Esqueça e vá ver Tv” – Segui meu próprio conselho. No caminho acabei parando de frente pra porta da sala, 12 de Outubro de 2010 – gritaria! Era “nunca mais”, “desaparece”, “te odeio” e “imbecil” a toda altura. Por mais que minhas lágrimas denunciassem que eu não odiava, e que doía tanto em mim falar essas coisas quanto nele em ouvi-las, eu falava assim mesmo.

E aí minha memória correu pra 10 de maio de 2007 – euforia! Nós dois carregando caixas, malas, móveis e cacarecos, passando numa velocidade muito rápida, na minha imaginação, pela porta. Apesar de muito rápido, eu sentia os cheiros, e a euforia em nossos rostos. Lembro-me claramente da primeira coisa que fizemos ao entrar: instalar o Ihome dele e colocar pra tocar. E a música que marcou foi Tão perto, tão certo – Volver. Que mais tem a ver com o que a gente tá passando agora: “Resolvi que tenho a vida inteira para sentir de perto essa tua ausência em mim”.

Raiva-mais raiva-saudade. Isso é tão injusto! Por que eu que fico com as lembranças? Por que que o apartamento fica comigo? Resolvi, vou vender. Metade pra mim, outra pra você. E as lembranças? Ah, elas ficam pra ninguém. Alguém que venha e crie novas delas por aqui, que recolha tudo que passou, que limpe e ponha tudo na estaca zero. Assim como fizemos, um tempo atrás, quando pisamos a primeira vez aqui, os dois juntos, de pé direito. Mal sabíamos que o fim, teria começo por causa do apartamento. Mofo ali, vazamento aqui, contas, contas e contas!

A gente não dava conta, brigava, e eu sentia tanta falta dele. Dele de verdade, não de quem ele era agora. Eu sei que ele me alertou, que o apartamento era velho, podia dar trabalho, mas “é em frente ao parque, e a gente pode reformar”. Tá, meia culpa minha, meia sua. Talvez mais minha, por encrencar tanto. Mas, às vezes, mais sua, por levar tudo com tanto descaso.

Não lembro como começou, mas, a gente despejou tudo um no outro. Toda a lixarada de anos, de uma vez, tudo de ruim. Em momento algum, lembramos do seu Ihome, naquele dia! Da parede do banheiro que a gente pintou umas coisas meio estranhas, que só faziam sentido pra nós dois, separadamente, e ao mesmo tempo juntos. Lembro de como foi divertido, reformar tudo, e também de como foi triste, destruir tudo.

Fui atrás dos velhos sentimentos através de uma nova reforma. Resolvi que não ia mais vender, já que eu mesma podia apagar todas as velhas lembranças ali e criar novas. Foram longos dois meses, mais longos por não o ver, por raramente nos falarmos. Mas, foram realmente importantes. Não encontrei os velhos sentimentos na reforma, mas encontrei a mim.

Durante esse tempo eu aproveitei e me reformei também, me curti mais e mais e encontrei em mim tanta coisa que eu tinha de bom e tinha perdido. Percebi que eu estraguei todo o nosso relacionamento. Ele não poderia tentar sozinho, para manter o sentimento é preciso um trabalho em dupla. Mudei o visual, mas por dentro fui atrás de tudo que me era essencial, esqueci velhas mágoas, e passei a viver pra mim e não por outra pessoa.

E foi aí que ele reapareceu pra mim. Porque ele precisava de mim inteira, e não de uma pessoa que era metade ela mesma e metade alguém que quer agradar ao outro. E eu estava tão feliz por estar bem comigo, de não viver por alguém. Excluí possessividade das minhas características. Eu queria ele comigo pra sempre! Mas agora, eu o queria junto de mim e não que fosse só meu. Começamos uma nova reforma. Enchemos de cores novas cada canto do apartamento. Se era pra começar algo, que fosse do zero! 1 de Janeiro de 2011 – euforia!

12
out
10

O que um ‘Eu te Amo’ carrega

Já percebeu como a gente se dá tão bem? Do nada bate uma vontade de estar contigo, te abraçar, dar beijo, como a gente não pode se ver o tempo todo; a solução é te ligar só pra dizer ‘eu te amo’, mandar uma sms cheia de declarações. Pode ser em qualquer dia, ou qualquer hora; na verdade, a grande graça dessas atitudes é não ter hora marcada não é mesmo? E o mais engraçado é que nós dois fazemos isso, sempre que sentimos vontade.

Às vezes eu tenho medo que seja muito piegas de minha parte, ficar dizendo ‘eu te amo’, tantas vezes, mas é que essa frase carrega tantas coisas que eu quero falar, mas que não consigo expressar. É complicado demais, por isso repito-a tanto, para que você nunca duvide disso. Deixa eu tentar explicar, uma pequena parte do que meus inúmeros ‘eu te amo’ significam:

Você me é assim um tanto especial; digna de receber tantos apelidos carinhosos quanto minha imaginação de poeta pode concretiza, por mais abstrato que amor seja, para mim ele é completamente concreto nos laços que atamos juntos.

Mesmo sendo tão diferente, é como se simplesmente fossemos feito um para o outro. A nossa vontade de ficar juntos foi tão grande, apesar de tantas adversidades (impostas por nós ou não) que se tornou Amor; um daqueles que até O Tempo sentiu inveja. Eu não o culpo; de todas as pessoas, divindades e tudo o mais que observam nossa sincronia, quem não sente inveja da gente? O nosso amor é assim tão puro e belo, perfeito até nos defeitos e desentendimentos. Você me faz um bem enorme, que o tempo que passamos juntos, é ínfimo, tão pouco, quase nada comparado a minha vontade de você. Agora parando pra pensar, acho O Tempo percebeu isso, e como não podia roubar de nós a intensidade de nosso amor, decidiu tomar de nós o tempo que tínhamos para ficar juntos, a sós, aproveitando a companhia um do outro; só que ele falhou em ir veloz, pois a saudade só fez aumentar a necessidade que eu tenho por você, a dependência que meu corpo sente pelo teu abraço.

Desde que me levanto pela manhã, sinto um comichão gostoso surgir pela minha face, eu dou um sorriso e lembro do sonho bom que tive com você; daí em diante já fico aguardando o dia que vem, pra poder te ver, e tentar fazer o tempo esperar, como esperei, numa eternidade (mesmo que sejam os dois segundos que fiquei esperando você voltar do toalete). Quanto mais eu paro pra pensar, mais penso em você; e quanto mais lembro; mais lento o tempo decide passar para mim, tanto que ele parece estagnar, de uma forma que só um Tempo invejoso sabe fazer! E quando finalmente tenho você, já nem sei que dia é hoje, nem sei se passaram semanas, anos, minutos ou meses desde que comecei a encarar o seu olhar; é como se esse olhar me levasse até uma dimensão a parte, onde o tempo não tem vez, e que cada vez mais, brilha intensamente, toda vez que ficamos a nos encarar.

Se eu olho para trás (para o tempo em que estamos juntos) fico muito confuso; às vezes acho que já passou tanto tempo, pela intimidade e intensidade que a gente construiu, e ao mesmo tempo, acho que não passou quase nada, que nosso futuro precisará de muito mais que milênios para se concretizar. E o tempo vai passando assim devagar, do jeito que eu sempre quis; nosso amor é daqueles tão raros e místicos, capaz de alterar o espaço-e-tempo contínuo; não só para mim, para nós dois.

Eu sempre desejei poder domar O Tempo, e agora percebi que nunca pude fazê-lo; só quem tem essa habilidade é o Amor, e ele o faz, forçando o tempo a passar devagar quando estou contigo, e ao mesmo tempo tão rápido! Na verdade, os parâmetros que conhecemos para o tempo, simplesmente não funcionam. Você entende o que quero dizer? (na verdade nem eu entendo muito, só sei que faz muito mais sentido quando paro de pensar com a cabeça e passo a pensar com o coração).

Se um dia eu conseguir lhe mostrar o tempo que vivenciei antes de ti, talvez você entenda o porquê de eu não querer sentar para discutir, de eu ser assim meio retraído, simplesmente por saber que o tempo vai passar rápido para mim! Nem adianta fazer birra, embora aquele biquinho seja extremamente lindo, você tem que me entender quando peço um tempo para você me ouvir (ou apenas para eu me ouvir).

É meio difícil de aceitar eu sei, mas é a única solução para mim; que congelei, fugindo do amor; até lhe conhecer estava tendo êxito, mas por me auto congratular, acabei caindo nessa armadilha, e não sabia como me portar, quando o amor veio me chamar (acho que esse foi o grande x do problema de termos demorado tanto a dar certo); quando você me descongelou, roubando da raposa a escolha de amar, acabou por me deixar nessa dúvida tremenda: será que o tempo vai ter tempo para amar? Ou será que no fim, eu terei que ficar só, como fiquei tão bem quando me congelei? E então, se todas as cicatrizes voltarem a latejar, para onde vou poder fugir? Bem você, sem perceber me deu essa resposta! Se tudo o mais falhar, poderei me esconder no único abrigo que confiaram a mim; o seu coração, único ponto onde me sinto confortável o suficiente para não temer o futuro; pois quando meus olhos estão refletidos nos teus, sei que o tempo vai esperar, até a eternidade do nosso amor se perpetuar.

Agora você consegue entender quanta coisa o meu ‘eu te amo’ carrega? Eu te amo.

P.S.: escutem a música, é linda. :B

08
out
10

Sobre velhos hábitos, sinceridade, medo e ingenuidade.

Porque será que é tão difícil nos libertarmos de velhos hábitos? Porque nós nos acomodamos. E, sair da inércia é complicado. Às vezes, é preciso muito mais que um empurrãozinho. “A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau”.

Posso citar um exemplo simples: Quando eu era pequena, roia as unhas, era minha maneira de controlar minha ansiedade. E aí, não sei como, fui parando… Mentira! Eu lembro que foi difícil no começo, minha mãe comprou inúmeros esmaltes com gosto de pimenta e não dava certo. E aí, foi a época que eu passei da unha para o chocolate. Que era muito mais eficaz pra mim. Acabava tranquilamente com a minha ansiedade, eu nem sentia falta de roer as unhas – o que no começo foi tão difícil de parar! Mas eu consegui graças ao empurrão (zão) da minha mãe.
Dessa vez o impulso veio de mim! Tinha que parar com o vício do chocolate. Mudança é uma coisa que vem de dentro, não adianta. Você não muda por fulano, muda porque quer mudar. O impulso pode até ter vindo de fulano, mas foi só isso, o impulso. Então, aos poucos fui controlando o vício pelo chocolate e a minha ansiedade.

Até o ponto que eu não precisava de mais nada pra controlar a ansiedade, além de mim, dos meus próprios argumentos contra o chocolate, contra as unhas, contra a ansiedade, contra tudo… Não havia melhor remédio que eles! (eu não sou mais viciada em chocolate, mas, ele é sempre bem-vindo!).

A questão é que no início é sempre difícil tirar a bunda da cadeira, sair do que a gente conhece. Por quê? Bem, porque todos nós, além de acomodados, temos medo do desconhecido (um relacionado ao outro: somos acomodados porque temos medo do que não conhecemos, e por isso nos acomodamos mais ainda). E isso é óbvio, não sabemos o que nos espera do outro lado!

É preciso ter coragem para se libertar dos velhos hábitos e assumir os riscos, mesmo que sejam tão simples quanto dar uma volta no carro com a cabeça pra fora da janela sentindo o vento no rosto. É tão bom descobrir o prazer em se aventurar pelo desconhecido! Aqui vai um grande conselho: Faça sempre o que tem medo de fazer. Você se torna uma pessoa corajosa quando cria resistência ao medo, quando o domina, e não quando perde o medo (perder o medo por completo te torna insensato!). Liberdade significa responsabilidade e é por isso que tanta gente tem medo dela!

Você está rodeado de opiniões alheias, que às vezes entram em conflito com as suas. Mas, você é livre para escolher que caminho tomar em qualquer coisa da sua vida. É uma escolha sua, embora existam as pressões por todos os lados, das pessoas que você conhece, gosta, não gosta, ama…  Aqui vai o ponto: vai valer a pena pra VOCÊ acabar com o velho hábito?
Meu amigo veio me dizer que eu era muito ingênua. Eu discordo e vou colocar por argumentos aqui. Tudo começou quando eu o aconselhei a ser sincero e a prima dele disse que ele já tinha falado demais, e que isso era um hábito antigo dele. Foi basicamente isso.

Acho que acreditar nas pessoas e ser sempre sincero não é ingenuidade. Ser ingênuo é acreditar que todo mundo é bom sempre. E isso eu sei que não é uma verdade. Mas daí a não ser sincero e honesto porque pode ser que essa pessoa com quem você se relaciona não seja boa, é demais… É tirar todos por uns.

E aquela pessoa que é boa, e não tem nada a ver com as suas antigas confusões e desilusões, paga também? Só sei que nessa você pode perder de ter alguém especial do seu lado, ou de mostrar seu coração a essa pessoa, por puro medo, pra se proteger.

Acho que estar descrente com a vida é quando você passa a não esperar mais nada das pessoas, nos seres humanos, independente de quem seja. “Mas minha prima tem 30 anos na cara, já passou por muita coisa… ela é experiente nesses joguinhos de amor e me disse que eu não devia ter dito tudo que disse”. E eu, claro, discordei!

Já comecei falando que achava sempre válido ser verdadeiro, talvez essa pessoa sobre a qual eles estavam conversando, não merecesse toda essa sinceridade e verdade, mas a gente só descobre quem merece ou não, tentando. Pra mim, não importa, você pode ter 70 anos na cara e não ter tantas respostas sobre a vida. “A sabedoria dos velhos é um grande engano. Eles não se tornam mais sábios, mas sim mais prudentes.”

Não tem a ver com a idade, mas sim com a vivência. Porque na verdade, ninguém é absoluto. Eu também não sou! Muitas pessoas terão um parecer melhor que o meu em muitos assuntos, por conhecimento de causa e tudo mais. São opiniões bem mais fundamentadas, o que não quer dizer que sejam certas. Porque o que acontece é a opinião da prima dele pode ser mais fundamentada pra uns, e a minha, pra outros. Pois, cada um viveu cada situação de maneira diferente, pensa diferente e usa critérios diferentes para definir qual fundamento é mais “válido”.

E a questão não é ter todas as respostas, mas saber fazer as perguntas certas. De nada adianta eu chegar e te impor as minhas verdades, mas, se eu chego e te faço as perguntas certas, você chegará sozinho à sua conclusão sobre determinada questão. Bom, por enquanto eu continuo preferindo a ingenuidade a perder a esperança nas pessoas.

 

06
out
10

ERA meu e ninguém tasca!

“Ex de amiga minha é mulher”. Ta aí uma coisa que vez ou outra me deixa muito puta! Quem foi a maldita que inventou essa regra? Pelo amor de Deus! Supondo que o seu grupo seja de cinco amigas, todas se interessam por um cara, aí uma delas vai e fica primeiro. Acabou pra todas, ninguém mais vai poder ficar com ele nunca mais na vida!

Já passou por isso alguma vez? Ficou indignada também? Entrou pro clube! Claro que existem casos e casos: tem aquele cara que é a paixonite aguda da sua amiga, e é claaaro que nesse você nem trisca. Mas e os muitos outros que ela nem ligou, ou já ligou no passado, mas hoje em dia não mudam em nada pra ela? Você também não pode fazer nada? Vai que ele era o amor da sua vida e você deixou passar só por essa bobeira…

Eu não to nem falando de ex-namorado, só de ex-affair, ex-peguete, ex-pegueinocarnavaldeolinda. To falando daquele cara que você ficou, não pretende ter nada nem tão cedo, que você sabe que nesse exato momento daria super certo com a sua amiga. Por que não deixar eles serem felizes juntos? Ciúme de “ex-affair” é pau né? Se fosse ciúme de ex-namorado eu ainda ficava quieta…

E eu vou dizendo logo que isso é muito mais coisa de mulher! Homem não tem essa, se foi uma menina que não significou nada pra ele, tanto faz compartilhar. Eu digo porque já vi MUITAS histórias de meninas que rodaram o grupinho todo de amigos, e rodaram de novo, e de novo… Enfim, dividir peguetinha, pra eles, geralmente pode! Bom, não to aconselhando ninguém a compartilhar ficante nesse nível, hein? Só avisando!

Mas acho injusto você não poder “nunca mais” pensar em ter algo com o carinha que a sua amiga ficou uma vez e depois nunca mais viu. Vai que não teve encaixe, sincronia (…) entre eles, e com vocês têm? Não seja egoísta e pense comigo: se vocês são amigas, é porque têm coisas em comum, e isso pode se estender até ao gosto pelos paqueras.

Como eu nunca fui muito ciumenta, nunca tive problema em compartilhar esse tipo de ex, principalmente se for com amiga! Acho que a gente não pode ter ciúme nem medo de perder uma coisa que não é, e talvez nunca tenha sido nossa. Vamo combinar que essa regrinha de não ficar com ex-ficante da amiga é meio ultrapassada. Ciúme em excesso é coisa de gente insegura e ciúme de ex (que não seja nem ex-namorado) é insegurança e um pouquinho de competição. A regrinha é como um artifício que se arruma pra que você marque seu território, pra que ali, nenhuma amiga sua pise.

Algumas vezes a gente perde muito mais por não falar. Quem não arrisca, não petisca! Não tem nada como chegar na sua amiga e ter uma conversa clara e simples. Se ela fizer questão, tudo bem, se não fizer, tudo bem também. Afinal, paqueras vêm e vão, e as amigas ficam.

Às vezes você fica tão aversa à possibilidade de ter alguma coisa com um ex da sua amiga, que nem pensa em perguntar o que ela acha disso. Tem muita gente que não encana com isso, que sabe que o “ex” não ta ali por acaso, se é “ex” é porque já foi. Salvo alguns casos em que o “ex” é mais atual que qualquer coisa.  Não deixe as cobranças e medos padronizados controlem suas atitudes. Aja com bom senso, tenha bons argumentos e nunca estará errada.

01
out
10

se VERDE é assim, imagina MADURO.

adh

Essa é dos tempos que eu era solteiro. Lá fui eu comemorar o aniversário de Lipe na boate, todo mundo da faculdade me pentelhando porque eu não tinha ido, pra nenhuma ‘saída’ com a turma. Ok, eu cedi, era bem verdade que eu tinha a boa e velha pelada semanal no sábado às 8h30, mas eu sabia que se não fosse, iriam passar um mês me pentelhando.

Eu ainda não tinha 18, logo, minha entrada na boate seria vetada caso o segurança me barrasse; como eu sempre fui cara de pau, fui com minha ID normal, sem nada falsificado, ‘na cara e na coragem’, eu fui tentar entrar; na verdade eu não me importava de ser barrado e ter que voltar para casa, estava liso… A conta do cartão ia vir muito alta se eu entrasse naquela boate. Mas por proteção de algum Deus que gosta de acabar com minhas finanças, eu entrei, o segurança, tecnicamente nem pediu minha ID.

Boate é assim mesmo, monte de gente bonita, homens andando com o peito pra fora (parecendo um pavão mostrando suas plumas, só que nesse caso, mostrando seus musculos superiores) e as mulheres com essas saias altas, e vestidos curtíssimos (ahh como pernas femininas são lindas). E agora o que fazer? Beber.

Antes tenho que explicar, que de fato eu não preciso do efeito bebida para agir, eu até fico mais envergonhado quando estou bêbado (é sério!); só bebi, porque bem, clone de heineken não se desperdiça! Lá estava eu esperando a minha verdinha linda, quando alguém me cutuca, quando viro me deparo com uma grata surpresa.

-Tôp, tu pede uma caipirosca para mim? – era Renata, uma colega-ex-colega minha de Economia (ela entrou no curso e desistiu um mês e meio depois).

-Nata! Pego sim – eu a cumprimentei dois beijinhos rápidos nas bochechas – eu não sabia que tu ia vir!

-As meninas me arrastaram – e ela deu aquele sorrisinho lindo dela – eu tou mais surpresa é com você ter vindo…

-Por que?

-Nunca imaginei você numa boate, principalmente no dia do cover de Los Hermanos, cantarolando ‘Retrato para Iaiá’.

-Não é minha culpa é o único CD que toca no carro do meu irmão. E não é tão estranho assim eu estar numa boate.

-Bem… Você sabe como o pessoal diz: Tôp é uma lenda pra sair socialmente… – e nós dois sorrimos enquanto eu explicava que não era bem assim.

Após pegar nossas respectivas bebidas, acabei conversando com ela, sobre o que andava fazendo, chamando-a para voltar pra faculdade, etc e tals. Acontece que uma semana antes de sair do curso, o nosso grupo empurrara Nata para mim, e bem, ela fazia bem o meu tipo. Branquinha, cabelos num castanho negro, olhos de jabuticaba e um sorriso pequeno, tão lindo. Uma parte estranha dela, é que era magrinha, só que isso não a tornava feia, aos meus olhos combinava com seu jeito de ser, e ela não era aquela magra esquelética, era mais para a magra modelo, sabem comé? Bem, essa noite ela estava com um vestidinho tomara que caia verde-lodo, não lembro bem o resto, só decorei a cor do vestido pelo que viria a acontecer mais tarde naquela noite.

Apesar do clima de flerte, e de duas investidas minhas, ela conseguiu se sair majestosamente, e quando eu indaguei qual o motivo de estar evitando meus lábios ela respondeu com um sorriso provocador. Sem perceber eu me deixei levar pelo nosso aniversariante embriagado que já havia ficado com duas, e agora queria se divertir com as feinhas.

Homem é assim mesmo, quanto mais bebo fica, mais apaixonado por feias fica. Não é como se seu filtro de qualidade desligasse, é como se um repentino sentimento de caridade brotasse em seu peito e ele pensasse ‘preciso fazer uma feia feliz’! Pois bem, era o que Lipe queria fazer; eu não.

É por isso que nessas horas eu tenho as melhores cantadas do mundo! Lipe ficou me perguntando sobre o que falar moreninha feinha que doía!

-Chega pra ela e faz: ‘morena!’ e dá uma pausa dramática, depois: ‘seus olhos brilham mais que charque no óleo tssssssi’ – não sei por que diabos, ele realmente acreditou que aquilo era uma boa cantada e foi até lá. O que não me surpreende foi ela aceitar a cantada após todas as amigas olharem para ele com cara de ‘que idiota’. Lipe fez sua feinha feliz.

Depois disso eu ajudei ele a ficar com mais três, e sem perceber já estava embriagado também. As próximas cantadas usadas foram: ‘você acredita em amor à primeira vista?’; depois ele dava uma voltinha e dizia ‘e à segunda?’; falando bem rápido e sorrindo ‘pena de urubu, pena de galinha, pra ficar comigo é só da uma risadinha!’ e ‘meu nome é Itaú, feito pra você’.

Após muita risada, ele viu que eu não tirava os olhos de Nata e disse ‘é a sua vez de soltar uma dessa’. E não é que eu soltei? Até hoje não sei porque fiz isso, acho que a cara de pau de sempre ajudou…

-Se VERDE é assim imagina MADURO – foi o que saiu da minha boca no ouvido dela, e que por algum motivo muito divino, a fez cair na gargalhada, pois bem, eu não pensei duas vezes e lhe tasquei um bom e velho beijo.

Por acaso, além de mim, moravam mais cinco pessoas na Zona Norte do Recife, e ninguem estava de carro, logo iriamos pegar dois táxis. Claro que eu e Nata fomos em um a sós. Não sei também o que houve, mas de repente, passamos a ignorar que havia um taxista (até acho que o pobre coitado já estava acostumado com isso), eu paguei 10 reais a mais pra ele pegar o caminho mais longo (e como ele pegou) até a casa dela, e só sai de lá às sete horas da manhã. Logo que chegamos a casa dela, pegamos o carro e fomos até o Drive-thru da McDonalds (por algum motivo idiota eles só vendem para quem está de carro a partir das 1h da manhã, e já passava das 4h), e voltamos, a Mc ficava duas quadras da casa delas. Aqueles eram meus últimos dez reais, então eu andei cerca de uns 2 km todo arrumado (se bem que as 7 da matina e depois de aproveitar bastante meu tempo com Nata, eu estava BEM dessarrumado) até chagar em casa. Pouco antes de cair na cama recebi uma sms ‘você podia ter ficado mais’, e eu respondi ‘foi você que me botou pra fora antes que seu pai acordasse…’. Mais tarde, quando acordei vi uma sms ‘nem sempre se deve obdecer o que uma mulher diz, principalmente uma bêbada’. Eu até respondi algo, mas ela não respondeu mais; acho eu que as sms mandadas por ela foram por causa da falta de sono e álcool no sangue.

Bem eu não joguei minha pelada semanal naquele sábado, e na outra semana eu, de fato, fiquei com o saldo negativo na conta. (o que paguei na boate foi bem salgado!)

Não falei mais com ela por um bom tempo, até mandei outra sms uma semana depois, ela não respondeu. Um mês e meio após a festa de Lipe, comecei a namorar, e advinhem quem mandou o primeiro recado quando alterei meu status de relacionamento no orkut? Nata, dizendo: ‘namoraaaaaaaaaaaando é? kkkkkkkkkkk…’, não pude fazer nada, a fila andou, ou melhor regrediu, e hoje só tenho uma certeza, as melhores cantadas são as mais ridículas!