Arquivo para julho \14\UTC 2010

14
jul
10

O Amor é Um Produto.

gflove

Toda vez que vou a um supermercado e estou pensando sobre a vida, e outras coisas meio problemáticas, procuro ali nas prateleiras uma solução para tal complicação. Sei que existe aquela bela e clássica frase que diz “o dinheiro não compra tudo”, e há quem diga “mas ele facilita muito”,  só que não é disso que estou falando. O amor, a felicidade e afins são produzidos por alguém certo? E os mesmo também são demandados por outros alguéns certo? Então por caracteristica própria, eles são produtos, e tem seu próprio mercado de compra e venda. A grande diferença é que a liquidez da moeda não vale para esse mercado, o meio de troca para obter tais produtos são relacionamentos que dependem diretamente de confiança, carinho e ações altruístas; caso esses últimos falharem, a taxa de câmbio vai depreciar, e será mais dificil de se obter o tão falado amor, estou errado?

Simplificando as coisas, o amor não pode ser encontrado numa loja, ele pode ser encontrado num sorriso, num gesto, num olhar. Mas ele se comporta muito similarmente aos produtos que você obtem num mercadinho pertinho da sua casa.

Quanto mais eu aprendo a teoria economica, mais eu percebo que o Amor, e seus derivados (os outros relacionamentos entre as pessoas) como a amizade, nada mais são que um mercado de produtos simples, que você não encontra em lojas, só encontra em outras pessoas: Carinho, Afeto, Estabilidade, etc.

Claro que por não existir nenhuma lei que regulamenta esses mercados, sempre haverão exceções as minhas teorias apresentadas aqui, logo não pense que é perfeita, é só uma grande verdade que acontece com quase todas as pessoas.

Assim como a Economia em si, que é baseada em dados históricos, tentando estabelecer um padrão do que vai acontecer se uma decisão for repetida, o amor (e seus derivados) pode ser estudado através de experiencias passadas de pessoas confiáveis não é verdade? Logo, o amor é sim, um bem (e serviço) que pode ser estudado pela teoria economica.

Primeiramente, quando falamos da arte da conquista, onde duas pessoas estão competindo, para ver quem se importa menos, para ver quem vai ter o controle do relacionamento, isso nada mais é que um mercado competitivo, onde aquele que for mais ‘inélastico’ levará o prejuízo. Não entendeu? Eu explico. Seguindo as leis mais básicas possíveis de Oferta e Demanda; sem precisar observar seus gráficos númericos, posso dar um pequeno entedimento no que acontece. Perceba que, o termo inélastico, como define o wikipedia na seção de economia diz: um produto vai ter oferta ou demanda inelástica, quando uma variação no preço, alterar pouco na quantidade demandada (ou ofertada). Traduzindo para os relacionamentos, aquela pessoa que não reagir a mudanças de humor, que deixar passar grosserias, engolir sapos e afins, reagindo pouco aos bons e maus momentos, será domada no relacionamento, pois ela irá ‘ofertar’ seu carinho (e outras coisas mais) independente do que estiver recebendo. Do outro lado da moeda, uma pessoa que for muito elastica, terá um comportamento diferente para cada situação, sendo totalmente inconstante (caracteristica comum do signo de Peixes), será rancorosa quando receber a menor patada que for, e será amorosa com o menor carinho que ganhar. Qual dos dois é melhor? Nenhum, já diz o ditado “tudo em excesso faz mal”, o melhor é ter uma ‘elasticidade unitária’, aquela que modifica seu jeito de ser para cada situação dada, mas que não guarda rancor, nem muda sua essencia por coisas pequenas.

Pode ser que minha explicação não tenha servido de nada para você, pois esse conceito de elasticidade (e inelasticidade) foi muito complexo, ou pouco útil. Bem vamos ao próximo tópico. Seguindo ainda as leis básicas de Oferta e Demanda, temos os Excessos de Demanda. Imaginem só a situação: uma garota normal, não tinha muitas pretensões de ficar com um cara muito cobiçado, porém, por um boato que surgiu, ou por uma mudança exógena que não partiu dela, os homens começam a cortejá-la mais que o normal, ela passa a ser mais desejada que antes. Bem, no começo, ela provavelmente não perceberá a mudança, e continuará sem pretensões com um homem mais cobiçado, porém depois que perceber que esta sendo demandada por vários, irá escolher melhor quem dá bola, ou seja, aumentará seu preço, como diz a teoria economica de Excesso de Demanda, quando existir muitas pessoas interessadas no produto, seja por uma queda repentina no preço por fatores exógenos, os produtores ofertaram menos, e agora, a um preço mais alto.

Ainda não conseguiu entender? Outro exemplo é quando se inicia um namoro, quem nunca ouviu falar que “sempre aparece uns paqueras quando se está namorando”? É simples, a tão fácil concorrencia. É como um leilão, o namorado era quem estava mais disposto a pagar, pois teria um Excedente do Consumidor, a um preço maior, enquanto os outros queriam o produto (a moça), só que não estavam tão dispostos assim a tê-la, principalmente num namoro.

Porém, o caso que mais me fez escrever esse texto, é a teoria economica sobre Riscos. Existe um tópico chamado “Averssão aos Riscos”, que são pessoas que se sentem melhor não se arriscando, ou seja, preferem manter seu dinheiro numa poupança, que rende pouco, a aplicá-lo num mercado de ações, que lhe dará um lucro mais alto, porém não é tão estável quanto as poupanças. Veja bem, isso existe em relacionamentos humanos, e é fácil de perceber. Você nunca viu um namorado bom demais para sua namorada (e vice-versa)? Nunca teve um melhor amigo (ou amiga) ruim demais? Que você sempre se perguntava o por que dele(a) ser seu(ua) melhor amigo(a)? Já que, normalmente não te entedia, era insensivel, ou não estava lá quando você queria… Bem, tenho uma péssima noticia pra você se que já teve um(a) amigo(a), ou ainda tem; você tem averssão a riscos.

Prefere se contentar com aquilo que tem, a se arriscar tentando um novo relacionamento (isso vale para amor e amizade), pois os riscos são altos demais, afinal, todas as pessoas tem falhas certo? A confiança demora demais para ser construída, esse seu amigo defeituoso já sabe demais de você… Daria muito trabalho de mudar… É isso é verdade de certo modo, porém, não muda o fato, que você merece coisa melhor.

A solução? Bem a economia ensina que existe uma solução para o Risco Idiossincrático (quando uma pessoa coloca todos seus ovos numa cesta só, ou seja, só vai ter retorno daquela pessoa, porém, se ela lhe decepcionar, a dor será plena), a Diversificação de Portfólio (ou seja, a diversificação das cestas em que você põe seus ovos). Lógico que a manutenção é mais díficil, quanto mais amigos (e namoros) você tiver mais complicado será de mantê-los (principalmente se forem simultaneos), pois como já disse no meu texto Colo, as pessoas precisam de reciprocidade, então ao mesmo tempo que você deposita seus ovos na cesta de um certo alguém, esse certo alguém faz o mesmo com você. Os capricórnianos por natureza, tendem a cair no Risco Idiossincrático, por natureza, então, não tentam mudar isso, pois são Bodes das Montanhas, muito desconfiados por natureza.

Ainda temos tantas teorias economicas que explicam tantas confusões do amor. Como Monopolio, Oligopolio, Recursos Naturais, Impostos (poder de persuassão, tentativas de controlar uma pessoa, ineficácia do grude, etc). Mais essas teorias não são tão interessantes.

É engraçado que quanto mais eu estudo Economia, mais me apaixono por sua teoria. É a mesma coisa com psicologia, todo mundo chega para mim pra pedir um conselho, imagina só se eu resolvo cobrar? Acho que preciso fazer Psicologia e Direito, depois de me formar em Economia, aí sim, poderei dar os melhores conselhos para todos. Porém, esse negoço de dar conselho é bem complicado, pois conselhos quase sempre são inúteis (como provavelmente foi esse texto, shiuhsiuhiu). Mas lembrem-se do que Pedro Bial diz sobre conselhos, antes de crucificar um conselho (ou meus textos): “compartilhar um conselho é pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.”

Conclusão: Relacionamentos amorosos (e afetivos) podem ser explicados de vários jeitos diferentes, porém, como não existe uma lei que force-os a se compartarem do mesmo jeito sempre, é impossível prever o que irá acontecer num relacionamento, porém dá pra se ter uma boa noção, inclusive com teoria economica, afinal, o amor é um produto, caro demais para se comprar com dinheiro, e escasso demais para você deixar de tentar adquiri-lo. Como Julian Casablancas diz em sua música “Oh, people they don’t understand, no, girlfriends, they don’t understand, in spaceships, they won’t understand, and me, I ain’t ever gonna understand”, o amor, as pessoas, as namoradas, as espaçonaves e você mesmo, provavelmente nem se entende. Essa é a magia do amor.

12
jul
10

I could kill you sure, but I could only make you cry with these words…

Ele nunca prestou. Aprendeu a prestar por ela, ou pelo menos, fez de conta pra ele mesmo e pra ela que tinha aprendido. Um dia fez besteira, ela chorou, esperneou, sofreu e acabou. Porque ela sempre acreditou num amor absoluto, imortal, perfeito e incapaz de aceitar traição. Ele traiu. Ela não entendia. Dois anos de namoro, caiu na rotina? Caramba! Caiu na rotina? Não pode. Tinha de ser outro motivo. E era, o motivo era não ter motivo. O motivo era única e exclusivamente a vontade dele de trair. O motivo era confirmar a incapacidade histórica do homem de ser fiel e se controlar sexualmente.

– Eu te amo.
– Ama nada. Ama como ama todas as outras que saiu enquanto estava comigo, né? Me poupa!
– Não, você sabe que não é. Só aconteceu uma vez, e não tinha sentimento, foi só… físico!
– Que se controlasse! Não venha com esse papo machista de que o homem foi feito pra dar continuidade a espécie e que por isso tem de acasalar com um montão de fêmeas… pra cima de mim não!
– Não importa o que me levou fazer… importa é que amar mesmo eu só amo você! E sem você, não dá, amor…
– Claro que importa! Pensasse nisso antes de fazer. Eu sempre fui clara, você podia fazer o que quisesse por aí, contanto que fizesse bem feito para que eu não soubesse. E que se eu soubesse, nunca iam existir condições de continuarmos como antes, tudo ia mudar. Eu te avisei Lucca!

Ela levantou. Ele ficou por um tempo sentado ali ainda. Ambos foram para as suas casas, mesmo que dissessem aos outros e a eles mesmos que estavam bem e que não queriam falar ou pensar no assunto, era só o que faziam. Como se não bastasse, no dia que os amigos conseguiram arrastá-los de casa para uma boate, acabaram se encontrando. Maldita coincidência! E era como sempre, desde que acabaram, farpas pra todo lado. Qualquer mínimo comentário virava uma alfinetada de um para o outro. Ele não aguentava mais, puxou ela num canto e disse que precisavam conversar. Ela geralmente diria que não, não iria fazer o que ele queria. Mas sabia que precisavam mesmo conversar.

Saíram da boate, andaram um pouco e estavam na beira mar. Eles estavam de mãos dadas, sem se dar conta de que não precisavam mais estar, já tinham saído da boate lotada, já tinham atravessado a rua, agora só restava a calmaria, uns quiosques de água de coco fechados e um banco de frente pro mar, onde sentaram. Ele pensava no que diria primeiro. Ela fez menção de falar, mas ficou só no gesto labial, a voz dele cortou qualquer som que ela fosse emitir.
– Eu sempre penso na gente.
– Também.
– Penso em você, sabe Holly, talvez eu não seja o príncipe encantado perfeito que você sempre sonhou, mas sou um “Paul-Fred” que te ama muito.
– “Breakfast at Tiffany’s” é covardia!
– Eu podia sentar aqui e dizer que eu não sinto nada, dar uma de superior. Mas seria mentira. O que eu quero, na verdade, é te mostrar que as pessoas erram e isso é natural. A vida não é um conto de fadas.
– Eu não acho que seja!
– Eu posso também falar sobre uma garota que acredita que existe amor em tudo e em todos, que no final, tudo dá certo…
– Pobre coitada! Você sabe, nós não temos chance… não vai dar certo!
– Não seja boba! “They always reach a sorry ending, they always get in the end…”(cantarolou).

Era a música preferida dela, ele que mostrou a ela pela primeira vez, dizia que lembrava a história deles. Ela começou a chorar. Ele também. Essa era a hora em que não tinha ninguém, só eles dois. Eles não precisavam fazer de conta que estava tudo bem. Ela percebeu que ele também estava chorando, eles se deram um tempo pra respirar, sem nada dizer até ela quebrar o silêncio.

– Tá pensando em quê?
– No quanto eu gosto de você, e o quanto isso me assusta. Nunca tive tanto medo de perder.
– Eu sei como é… Mas, quando eu disse pra você que era melhor que a gente acabasse, você não ficou mal. Acho que eu não sou pra você o que você é pra mim. Você simplesmente se virou e saiu…
– Não quis chorar na sua frente, e eu menti dizendo que ia pra uma festa. Não queria mostrar como tava me sentindo.

Começou a chover, nenhum dos dois se fez menção de sair de lá. Continuaram sentados no banco, no meio da chuva. Ele agora pensava nas poucas vezes em que se apaixonou, lembrava de cada uma das vezes e nenhuma foi assim, ele nunca tinha sentido isso. O coração batendo assim, desse jeito, não era normal. A chuva molhava o rosto dela, os olhos estavam borrados, como ele adorava os olhos borrados dela. Ela esfregou o nariz e olhava fixamente pros próprios pés, pensando se dizia ou não o que tinha na ponta da língua.

– Acredito mesmo em contos de fadas. Não nessa coisa idiota de “Disney”, mas acho que cada pessoa pode encontrar sim seu final feliz, se fizer acontecer. Não adianta esperar as coisas caírem no colo, um príncipe não vai aparecer num cavalo, com o cabelo sem um fio fora do lugar e roupa impecável, pra me salvar de algum problema em que me meti. Mas sei que vai ter algum cara, cheio de defeitos, humano, despenteado, correndo, desesperado só de imaginar que qualquer coisa de ruim pode ter acontecido comigo.
– Ainda acho que você é muito ingênua. Mas, apesar disso… já tem esse cara, e você sabe disso.

Ela pegou o celular na bolsa, subiu no banco e começou a rir já antecipando a graça do que ia dizer:
– Pois é pseudo-príncipe, eu poderia te matar com essa espada… Mas, já dizia o herói: “um adeus é mais poderoso que espadas”! Eu poderia te matar com toda certeza, mas eu posso só fazer você chorar com estas palavras…
– Nem comece princesa! Você seria incapaz de machucar uma formiga.
– Será? Acho que sou bem malvada.

Os dois riram, as gotas de chuva pingavam do cabelo dela no rosto dele, ele fez uma careta já conhecida e que ela adorava, quando uma gota caiu em seu olho. Num pulo, ela ainda rindo sentou de volta no banco.

– Malvada? Ai ai, Cami…
– Acho que nós devíamos ser amigos.
– A gente já é.
– Não, tô dizendo… eu acho que a gente devia esquecer essa coisa de namoro, e ficarmos sendo só amigos.
– Ah não, sem essa.
– É, acho que não.
– Ufa.
– Amigos com benefícios? É brincadeira!
– Acho que devemos continuar como éramos.
– Talvez, quem sabe?

Riram do próprio futuro. Futuro este que estava sendo traçado numa conversa de tom casual, despropositada. Riam achando que o destino ainda não sabia como seria. Mal sabiam eles que quem ria dos dois, era o destino, deixando que eles pensassem que estavam resolvendo alguma coisa, mas já sabendo como ia acabar. Continuava escuro, a chuva estava diminuindo, agora só chuviscava, mas o vento tinha aumentado, o que fez eles juntarem ombro com ombro. Numa tentativa discreta de se aquecerem, ou se aproximarem. O tempo voou, já era pra estar bem claro na praia, mas não estava, culpa da chuva. Ela usou a chuva como motivo de resmungar com ele.

– Acho que vou ficar doente, e se eu ficar, a culpa é sua.
– Minha? É cada uma… até parece que eu te obriguei a ficar aqui comigo.
– É devia ter ido embora.

Ela levantou, bolsa e sapatos nas mãos e foi andando no sentido contrário a praia. Ele olhou, sem acreditar que ela estava mesmo indo embora. Ele sabia que se ela fosse, as coisas iriam complicar mais ainda. Mal sabia ele que ela só estava brincando, fazendo de conta que ia embora, mas não ia. Ela estava de costas pra ele, de frente pra pista, ele correu e ficou na frente dela parado. Ela se perguntando o que era, não deu tempo nem de perguntar, ele pegou ela pela cintura e pendurou no ombro. Carregou ela até a praia. Ela esperneava berrando “me larga, Lucca” e ele ria do esforço inútil dela. Ela usou todas as forças pra chutar e mandar ele largar, até cansar e ficar lá, inerme, pendurada no ombro dele.

– Parou?
– Se eu disser que sim, você me solta?
– Só se você prometer ficar perto.
– Tá, eu não tenho muita escolha mesmo! Você vai me deixar em casa, tá pensando que eu vou voltar como?
– Não to falando disso…
– Acho que eu vou sentir falta.

Colocou ela na areia e sentou junto, com o braço por cima do ombro dela.

– Você não vai! Eu já disse, você vai ficar por perto, não vai? Por mais que dê tudo errado mil vezes, no fim as coisas se acertam. E se elas se acertam é porque ainda tem amor pra recomeçar. A gente vai passar por isso juntos.
– E se não tiver mais amor pra recomeçar?
– Você quer que eu acredite nisso, ou você que precisa acreditar? Sempre vai ter, nossa vida é assim. E não tem amor que seja igual ao outro. Nosso amor é assim, porque nós somos assim, se um dia a gente mudar, ele vai mudar também. O que importa é que a gente fique junto. Eu cuido de você, você cuida de mim. E é assim que vai ser, pra sempre!
– É, eu não sei não.
– Princesa?
– Oi…

Ela ganhou um beijo. Um beijo digno de seus contos de fada favoritos. Um beijo digno de “Breakfast at Tiffany’s”. Um daqueles de “A Walk to Remember”, ou sei lá o que. Um beijo melhor que todos aqueles, porque esse era dela. Não importa se ela era mocinha, princesa ou qualquer coisa assim. Na vida real a gente não divide as pessoas em mocinho e mocinha ou vilão e vilã, elas são um pouco de cada, quando tem que ser. O que importava pra ela é que os sentimentos não eram traídos, o amor dele seria sempre dela e o dela seria sempre dele. Não tinha a ver com quantas pessoas eles se encontravam por aí sem que o outro soubesse. Eles realmente se amavam, do jeito deles, mas se amavam.

04
jul
10

Amar é démodé?

Vamos derrubando logo nesse primeiro parágrafo esse papinho de “não quero alguém”. Todo mundo quer alguém, afinal: “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho”. O ser humano não foi feito para ser só, diferente de muitos outros seres, nós começamos a vida rodeados de gente que não nos larga até partirem para o andar de cima. Sejam essas pessoas, seus pais, seus avós, irmãos, tios… Não importa! Eles nos acompanham sempre, e encontrar um parceiro ou uma parceira, não quer dizer largá-los.

O homem é um ser social, sem interação ele não evolui, estagna. Cada indivíduo aprende a ser um “ser humano” nas relações com os outros homens, quando se apropria da realidade criada pelas gerações anteriores, apropriação essa, que se dá pelo uso dos instrumentos e aprendizado da cultura humana. A cultura, as gerações anteriores, e todos os grupos, fazem de você quem você é, e te dizem no que acreditar, como viver, dentre muitas outras coisas. Ok, chega de psicologia social!

Além de tudo isso, o ser humano emite sinais, através da forma de se vestir, de ser relacionar, de se portar, e até de gesticular. E esses sinais são claros, não vê quem não quer. Vejo muito por aí gente dizendo que quer curtir sua solteirice e juventude, mas, será?

O que mais vejo nas baladas são mulheres lindas, perfumadas, bem empregadas e solteiras, com roupas cada vez menores, com maquiagens cada vez mais carregadas, tomando porres homéricos, dançando em poses e closes ginecológicos(como diria Arnaldo Jabor) que chegam sozinhas e saem sozinhas. Advogados, artistas, empresários e engenheiros, que estudaram, trabalharam, alcançaram o ápice da vida profissional e hoje estão sozinhos.

É fácil de ver, estamos com carência de ganhar um beijinho roubado, fazer um cafuné, ligar no meio do dia sem nenhum motivo real, andar de mãos dadas, olhar no olho, sentir o coração acelerar e as borboletas voarem enlouquecidas no estômago. Ou seja, dar e receber carinho sem ter que, mais tarde, mostrar uma performance digna de um atleta. Coisas simples e gostosas que fomos perdendo nessa “evolução”(???) emocional e sentimental da sociedade.

Confesse, às vezes, bate o desespero, o medo de não saber sentir, ou até o medo de não achar alguém. Claro, tem horas que é bom sair sem compromisso, sem dar satisfação a ninguém, beijar o primeiro que vê só por capricho, beijar o amigo do ex pra provocar, beijar um, dois, três, quatro… e dormir de consciência limpa. Mas tudo isso é superficial.

Não se pode parar até que se alcance essa realização profissional. Ser sozinho é atual, é moderno. Sair na noite, pegar geral e não se envolver é natural. E é comum dizer “é opção minha, não quero nada sério com ninguém”, mas, nem sempre é. E aí começa a busca(consciente ou não) por outros meios de suprir essas carências.

Além do velho gigolô e da mais velha ainda prostituta, inventaram muitos outros tipos de acompanhantes, é “personal dance” pra cá, “personal friend” pra lá. E não se trata apenas de sexo, porque sendo isso, a solução é bem simples e prática (talvez não tão prática em certos casos). Se trata de carência geral e total, e ao mesmo tempo compartilhada. Calma, eu explico: muita gente ao mesmo tempo, sentindo as mesmas carências, cada uma em seu canto.

E, cada vez mais as pessoas buscam a ciência pra ficarem mais jovens, mais bonitas, viverem mais, ficarem mais magros, mais sarados. Estamos ficando cada dia mais bonitos e sozinhos, vivendo de aparências. A “felicidade” do pegador, é a solidão mascarada. Se ele se mostrasse tão sozinho do jeito que é, atrairia tanta gente? Eis a questão: abrir o coração ou manter as aparências? A “felicidade” da mulher que diz que separou e agora se sente feliz, livre, leve e solta, existe? Ou é só uma fuga do medo de envelhecer sem ter alguém ao lado?

Todo mundo quer encontrar alguém pra ficar, e não é o termo “ficar” que se usa pra um relacionamento sem compromisso. É o ficar de ser alguém que vem e fica contigo, de verdade. Por mais escondida que seja essa vontade, ela existe. Sendo que, revelar isso tá fora de cogitação. Amar é brega, é démodé. Mas pera aí, pra quem? O ser humano vive se contradizendo! Enquanto diz que não quer se envolver, é completamente carente. O problema é: as pessoas desistem muito fácil do amor. Num mundo onde tudo é “pra já”, fast-food, prático, globalizado, rápido e fácil, ninguém quer perder tempo lutando pelo amor. Estamos mal acostumados. O amor é o tipo de coisa que não cai no colo, a gente tem que trabalhar pra dar certo, é um trabalho em dupla que pouca gente ainda se propõe a ter.

Agora me diga: amar é démodé? Ok, paixonites, amor e coisas do tipo nos deixam abobados, ridículos, invencíveis… Mas, o que importa? Antes um bobo feliz que um frustrado. Você quer ser feliz? Beba todas e fale merda pra alguém, meta a cara no meio fio e leve pontos na testa, corra na chuva atrás de um carro, chore por amor, ligue bêbado, cante no banho, pegue o carro e vá parar no outro estado sem aviso prévio, escreva e mande aquela carta(ou email)… Não é novidade pra ninguém, o tempo de ser feliz é pequeno, como o tempo de viver. A felicidade se encontra nas pequenas coisas, e especialmente nas loucuras e burradas que se faz. Afinal, depois temos do que lembrar e rir.

Você não precisa ficar chato depois que cresce, aliás, você não precisa crescer tanto. Lembra como você era feliz só de jogar bolinha de gude? Não esqueça o quanto gosta de algodão-doce. Não esqueça que você não precisa deixar o algodão-doce pra ser adulto e “maduro”. “O que realmente não dá é continuarmos achando que viver é ‘out’, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: ‘vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza que vou me arrepender pelo resto da vida.’”

Nunca houve realmente um tempo onde o bom era ser sozinho, ser sozinho é que deveria ser démodé. Ser feliz não tem a ver com quantos anos você tem, amar também não. O amor nos traz felicidade. A felicidade também pode até te levar a encontrar um novo amor. Nem tudo dura pra sempre, não pense demais, não calcule demais. Apenas viva e deixe viver, ame e deixe que te amem. Pode ser que vocês se casem, tenham filhos e fiquem juntos pro resto da vida, mas também pode ser que não. E se não for pra sempre, foi bom enquanto durou. Então, aproveite enquanto está acontecendo! Esqueça o que pode acontecer depois, o que pode dar errado ou certo. O amor não é racional, chato, nem ranzinza. Ele é patético, como tem de ser.

01
jul
10

os signos não eram tão compatíveis assim.

horos

Zodíaco por definição é uma faixa imaginária do firmamento celeste que inclui as órbitas aparentes da Lua e dos planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. As divisões do zodíaco representam constelações na astronomia e signos na astrologia.

Desde a antiguidade, essa faixa celeste gerou vários estudos e algumas ciencias, sendo uma delas a Astrologia; é uma disciplina que alega que as posições relativas dos corpos celestes podem prover informação sobre a personalidade, as relações humanas, e outros assuntos mundanos.

Pois bem, eu realmente nunca acreditei muito nisso, sempre achei o assunto muito interessante, porém sempre algo bem ficcional, afinal é uma pseudo-ciencia misturada com superstição… Ou será que não?

Às vezes pode ser bem verdade, é sério. Confesso que comecei a me interessar pelo Zodíaco em si, por causa de Cavaleiros do Zodíaco, sempre fiquei frustrado pelo cavaleiro de ouro de Câncer ser do mal e morrer logo, e por isso sempre quis ser de Escorpião.

Tinha uma vaga noção que o signo de Câncer era caseiro, sentimental, e piegas. Ora bolas, eu nunca fui assim, ou pelo menos acreditava que não era, e fui seguindo. Lembro-me que foi uma professora minha, também de Câncer que me afirmou ‘ahh é tu também é (de Câncer)? então tu é bem rancoroso’. eu concordei com a cabeça, só por concordar. E depois parei para pensar. Realmente eu sou muito rancoroso. Mas como ela poderia saber? Apenas pelo meu signo? Impossível.

E aí, eu parei vez ou outra, para entender os signos. Ri de mim mesmo por estar perdendo meu tempo com aquilo, porém, eu sempre tive interesse mesmo… Além do mais, meu melhor amigo, começou a ler sobre o assunto, e ficava me pressionando para testar, para ver que era tudo verdade, que ele era pomposo e narcissista por ter nascido sobre o signo de Leão. Esse argumento foi o que mais me fez ir pesquisar.

Primeiramente, tudo bateu. Ok, algumas dissidencias aqui e acolá, porém no geral, tudo era muito parecido.

Minhas duas ex’s namoradas, e várias ex’s ficantes… Bem eu precisava verificar para ver se a astrologia também estava certa quanto ao amor.

A primeira, de áries. Por definição não dariamos certo, porém com esforço, poderia-se manter a harmonia, porém sempre algo de fora iria conturbar tudo. Ok, preciso dizer que eles acertaram novamente?

A segunda, de virgem. Complicada demais, ah se eu soubesse disso antes de conhecê-la. Igualzinha a seu signo, claro que com suas particularidades. Porém, cada critica tinha que ser tão sutil quanto um elogio. Era estranho, mas eu gostava. E por isso durou bem, foi bom enquanto existiu.

E agora, minha atual. Quando li a definição de libra, comecei a rir. Indecisão. É, essa é minha namorada.

Flores, chocolates, beleza. Tudo inovador, sempre se dobrando e desdobrando para conquistá-la, fazendo tudo que ela pedia, aceitando condições insanas para estar com ela. Porém ela parecia sempre tão ‘nem aí’. Pobre taurino, ele nunca entendeu o porquê dela dispensá-lo apenas com um ‘você é sem sal’. Ah, ele não sabia que ela era de Gêmeos. O que queria, não era presentes, nem beleza. Eles eram bem-vindos é verdade, mas ela queria conteúdo. Alguém com quem ela pudesse conversar e discutir sempre. Alguém para lhe vencer uma vez ou outra, alguém que lhe desafiasse. Lhe surpreendesse, que saisse das costumeiras flores e chocolate/ Cinema. Um homem que a levasse para ver o mar numa terça-feira ensolarada comum. Que fosse lhe ver numa quarta-feira de madrugada depois de sair do jogo de seu time, só para argumentar que não deixaria de ir para um jogo só por ela querer ele em casa. Aquele cara para lhe jogar na parede depois de um filme água com açucar, num beijo mais quente. Um homem que não se importasse de passar uma tarde deitado em seu colo, apenas daquele jeito. Ela queria paz e guerra num homem só; omplicações, como todo geminiano quer, pois acredita ser capaz de resolver a todos.

Não estou afirmando que pessoas de signos incompatatíveis não podem ficar juntos. É só que, quanto mais informação você tiver na hora da conquista, e durante o relacionamento melhor. E não custa nada dá uma olhadinha no signo do(a) parceiro(a), antes de revelar algo importante.

Músicas de cada signo