Arquivo para junho \25\UTC 2010

25
jun
10

Procura-se quem tenha o coração desenvolvido.


É isso mesmo, procura-se quem tenha o “órgão muscular oco que bombeia sangue” muito do desenvolvido. Primeiramente, peço desculpas a você que acessou o “Muito Melhor que a tua Ex” hoje procurando um dos nossos textos habituais. Hoje, eu vim falar de solidariedade e de amor ao próximo. Então, se você prestar atenção, vai entender que eu não to fugindo tanto do tema do Blog, já que se trata também de amor.

“Tempos difíceis esses, em que é mais fácil quebrar um átomo que um preconceito”, já dizia Albert Einstein. Mas, eu vou além, pra mim tempos difíceis são esses, onde é mais fácil quebrar um átomo que amolecer um coração. Não pense que eu vou fazer rodeios sem fim e nunca chegar no ponto principal do texto, só acho que é importante enfatizar a nossa falta de amor ao próximo. O amor ao próximo independe de religião, crenças ou qualquer coisa assim, tem mais a ver com “humanizar”.

Hoje eu saí um pouquinho do meu país das maravilhas e passei pelo município de Barreiros, me deparei com uma das coisas mais tristes que eu já vi de perto na vida. Confesso que eu vejo as coisas nos noticiários, nas revistas e na internet, me sinto triste, mas logo passa e isso não interfere muito na minha vida. E é o que acontece com a maioria de nós, a gente vê, se sente mal, às vezes pensa em fazer algo e não faz. Enquanto isso, muitas pessoas estão por aí sofrendo por algo que não muda em nada na nossa vida. Mas hoje, qualquer coisa mudou pra mim.

Eu vi de perto o que essa chuva sem fim causou aqui no nordeste, e confesso que dessa vez eu não chorei por fora, nenhuma lágrima caiu do meu rosto, mas por dentro eu chorei. E esse choro interno, pega pesado com a gente, dá um choque de realidade maior do que qualquer outra coisa, porque esse sim é um movimento de dentro pra fora. Eu não vi em nenhuma foto, não foi a Fátima Bernardes que me disse, eu que vi com meus próprios olhos, pessoas que perderam tudo. E mais que isso, eu vi os olhares dessas pessoas.

Quando eu falo que essas pessoas perderam tudo, é tudo mesmo. Perderam familiares, perderam seus bens(coisas que esse povo já tão sofrido, tanto lutou para conquistar), perderam suas lembranças, seu travesseiro preferido, a TV nova que ainda falta pagar, o brinquedo do natal passado, as fotos de nascimento do primeiro filho, perderam a dignidade, muitos perderam também os seus empregos, perderam aquilo que se chama “lar”, ou seja, uma boa parte de suas vidas.

Descobri o que é dor no coração ao ver gente, catando na lama restos de suas vidas. O olhar que arrepia a pele de quem vê, aquele que diz que não sabe se vale a pena tanta luta, se ela for em vão. Enquanto os caminhões traziam uma mistura de lama com pedaços da vida de muitas pessoas, essas se esbarravam na busca de qualquer coisa que se pudesse resgatar. As lembranças, os momentos em cada canto da casa, as fotos e muitas outras coisas, nós não podemos recuperar, mas temos obrigação, como seres humanos de fazer algo. A gente deve fazer o que pode, pra ajudar essa gente tão castigada.

Não pude ver essas coisas e não fazer nada, sei que a minha parte é muito pequena com relação aos danos, mas cada um que faça a sua parte já se consegue muito. Eu não to pedindo que ninguém se sacrifique pelo outro, apenas que faça o que puder, e o que o seu coração mandar. Espero que esse Post faça como essa visita fez comigo, que ele cause em quem ler um movimento de dentro pra fora, um impulso de mudança, aquela sede de ajudar.

Sei que muita gente vai ignorar o texto, outras vão começar mas não vão chegar até o fim do texto. Mas, se você chegou até aqui, peço que, por favor ajude. Procure nas suas coisas alguma roupa que você já não usa mais, mas que vai servir pra alguém. Doe cestas básicas, alimentos, um pouco do seu tempo em prol de quem precisa muito mais do que você. Foram aproximadamente 45 mortos e agora, são milhares de desabrigados nos estados de Pernambuco e Alagoas. No momento, o exército tem tentado impedir que passem fome. Há superfaturamento de preços e faltam água, energia e comida. A Defesa Civil informou que União dos Palmares, Branquinha, Rio Lago, Viçosa, Santana do Mundaú e Quebrangulo foram destruídas. E há pelo menos 48 municípios afetados.

Ajude essas pessoas a reconstruírem suas vidas:

– Alagoas:

O governo de Alagoas divulgou a conta bancária para as pessoas que desejarem contribuir para o atendimento às vítimas das chuvas no Estado. Contas:

* Banco do Brasil

Agência: 3557-2

Conta: 5241-8

* Caixa Econômica Federal

Agência: 2735

Conta: 955-6

Operação: 006

* 1º GBM (1º Grupamento de Bombeiros Militar) – Rodovia 316, Km 14, Tabuleiro dos Martins, próximo a Policia Rodoviária Federal.

* GSE(Grupamento de Socorros de Emergência) – Conjunto Senador Rui Palmeira, S/N.

* SGIA (Subgrupamento Independente Ambiental) – Av. Dr. Antônio Gouveia, S/A, Pajuçara, próximo ao Iate Clube Pajuçara.

* QCG (Quartel do Comando Geral) – Av. Siqueira Campos, S/N, Trapiche da Barra, próximo a Pecuária.

* Cedec (Defesa Civil Estadual)- Rua Lanevere Machado n.º 80, Trapiche da Barra, próximo a Pecuária.

* GSA (Grupamento de Salvamento Aquático) – Av. Assis Chateaubriand, S/N, Pontal, próximo a Braskem.

* 2º Grupamento de Bombeiros Militar – Maragogi, tel: (82) 3296-2026 / 3296-2270.

* 6º Grupamento de Bombeiros Militar – Penedo, tel: (82) 3551-7622 / (82) 3551-5358.

* 7º Grupamento de Bombeiros Militar – Arapiraca e Palmeira dos Índios, tel: (82) 3522-2377, (82) 34212695.

* 9° Grupamento de Bombeiros Militar – Santana do Ipanema e Delmiro Gouveia, tel: (82) 3621-1491 / (82) 3621-1223.

– Pernambuco:

Contas:

– Banco do Brasil – Agência 1836-8, Conta-corrente 100.000-4;

– Bradesco – Agência 3201-8, Conta-corrente 600.000-2;

– Banco do Nordeste – Agência 044-2, Conta-corrente 21.462-7

* A portaria do colégio Boa Viagem está recebendo doações inclusive durante o feriado.

* CPRH, em Casa Forte: http://www.cprh.pe.gov.br/home/40025;55731;10;988;1207.asp

* Instituto de Assistência Social e Cidadania do Recife (Iasc), localizado na Rua Imperial, 202, no bairro de São José.

* Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados (ACS-PE) na rua Amaro Bezerra nº 489 – Derby – Recife.

* Posto de arrecadação instalado pela Polícia Militar na Quadra Poliesportiva do Quartel do Comando Geral, no Derby.

* Instituto Federal de Pernambuco – Av. Prof Luiz Freire, 500 Cidade Universitária.

* Sede da Guarda Municipal, na rua dos Palmares, 550, em Santo Amaro.

* CTTU, na rua Frei Cassimiro, 91, em Santo Amaro.

* Posto de Permanência da Guarda Municipal, no Terminal Marítimo.

* Secretaria de Assistência Social no Sítio Trindade, no Pátio de São Pedro e na Praça do Arsenal.

* No interior: Quartéis do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar.

21
jun
10

Um namorado pro dia dos namorados.

Era um sábado, pós-depressão-pré-dia-dos-namorados. Pois é, eu tinha passado a minha querida sexta-feira completamente irritada, abusada, estudando pra uma prova da faculdade e ajudando minhas amigas a comprar presentes para os seus namorados. Na TV mil propagandas sobre o amor, na rua os casais a cada segundo mais melosos e apaixonados, nas lojas só o que se via eram corações por todos os lados. Ótimo, eu participo do dia dos namorados e nem tenho um namorado. “Look what you’ve done” tocando loucamente na minha mente, o piano me deprimindo, a letra que não me deixava não pensar na vida, e aquela voz me fazendo chorar.

A minha sorte é que tenho uma amiga recém-solteira e… Sorte? Deve ser. Nossa programação: São João do prédio dela, segundo ela “só dá gente velha”. Ótimo! Tudo o que eu quero é um velho rico pra me ajuntar. Deusolivre! Cheguei lá ela tinha convidado também meus ex, oba! Não é tudo que se espera para um dia dos namorados? Passamos uma hora contada de relógio mofando ao som de “ela era miudinha, botei seu nome tamborete de forró”. E então resolvemos que era hora de tentar outro lugar.

Possibilidade um: Tributo a Bon Jovi. Eu já me imaginando ao som de misunderstood, “IIII should’ve drove all night…”. NÃO! Não vai rolar. Possibilidade dois: Cover de John Mayer. Agora eu me imaginava ao som de Free Fallin’: “And I’m a bad boy cos I don’t even miss her. I’m a bad boy for breakin’ her heart and I’m free, free fallin’”. E o melhor, mulheres que estiverem acompanhadas não pagam! Ok, deprimente, não vai rolar também! Possibilidade três: releitura de sucessos de vinícius de moraes… Puta que pariu! Possibilidade quatro: pra variar cover de Jorge Ben, pelo quarto final de semana em menos de três meses. Não, não e não! Possibilidade cinco: noite dos “avulsos” numa boate gay. Será? Vai que a gente alopra loucamente lá? Não vai ter muito pretendente pra ver mesmo, a não ser que eu quisesse uma “pretendenta”, o que não é o caso.

Resolvemos que ficar no São João do prédio da minha amiga não seria tão ruim. Pra quê? Depois de muita Jurubeba dançamos quadrilha e comemos comidinhas regionais. Canjica pra cá, pé-de-moleque pra lá, eis que surge um cheiro diferente de qualquer coisa com milho. Era o inconfundível cheiro de perfume de cachorro e não era nada do tipo “Puppy Dog”, reconheci de longe o cheiro do 212 Men da Carolina Herrera. Digno! Olho pra trás, e vejo alguém numa tentativa de aproximação, não demorou muito:

– Desculpa te incomodar mas, me apaixonei pela sua sobrancelha! Ela é linda, mais bem feita nunca vi!
– Er… Eu não faço a sobrancelha.
– Ela é assim naturalmente? Ela é linda, como você.
– É sim e obrigada.

Nesse momento eu já olhava pros lados procurando saber se eu tinha parado em alguma boate gay e, não, eu não estava em uma boate gay. Conversamos um pouco mais, sobre a vida, descobri umas coisas em comum. Ele não era lá o príncipe encantado, mas também não era o Quasimodo, pensei que mal não tinha em conversar um pouco com ele. Eu não tava fazendo nada, ele também. Papo vai, papo vem e acabamos chegando no assunto: dia dos namorados.

Ele me perguntou se eu tinha namorado, eu disse que não e ele disse que também era solteiro, o que eu já imaginava desde o momento em que tive o primeiro sinal de sua existência: o cheiro. E depois fui confirmando ao observar o modo de falar, e de demonstrar suas intenções comigo essa noite. Depois de eu muito afirmar que odiava o dia dos namorados, conseguimos mudar o assunto, mas, ele não se conteve:

– Vem cá, você não tem namorado, eu não tenho namorada… e, hoje é 12 de junho!
– É eu sei, essa é a hora que a gente senta no chão com um copo de bebida e afoga as mágoas?
– Não, eu pensei em uma coisa um pouquinho melhor! (E sim, ele soltou um risinho malicioso! Pasme!)
– Tipo o que?
– Tipo você ser minha namorada.
– Comé quié?
– É, só por hoje…
– Ah não! Puta que pariu, essa história de novo não!
– Como assim?
– Ano passado, me fizeram a mesma proposta, sendo que virtualmente porque eu tava morando em outro estado.
– Entendi, a diferença é que virtualmente não se pode fazer isso aqui.

E quando eu percebi eu estava beijando um cara com uma certa fixação por sobrancelhas, que usava 212, e que – ainda bem? – eu nunca mais ia ver na vida! No fim da noite ainda ganhei uma rosa de papel, e ele acabou pedindo meu telefone e, eu não dei.

– Desculpa, mas já são 3 am, o dia dos namorados acabou.
– Só o telefone?
– Não, não. Eu lembro onde deu essa historinha de brincar de dia dos namorados e manter contato.

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência! (Ou não...)
09
jun
10

colo

edsissor

Colo 1. A parte do corpo humano formada pelo pescoço e ombros. 2. Local onde o filho se sente protegido pela mãe. 3. Abrigo (de amigo) 4. Refúgio para as horas tristes.

Os seres humanos não nasceram para viverem sozinhos, não a toa, são uma das únicas especies animais, em que a cria depende exclusivamente do auxilio da mãe, por um longo periodo de tempo, seja por proteção, alimentação e aprendizado. Por viverem juntos, acabam por criar laços, vincúlos e relações especiais. Laços esses, que às vezes, se tornam uma dependencia estranha.

Para cada ser humano, existem pessoas que são especiais, não por terem algo especial, apenas porque elas são o ‘colo’ desse ser humano. Comumente, essas pessoas são as mães, os pais, irmãos, ou alguém da familia, e às vezes, alguém de fora, que você conheceu por conhecer, pelo destino mesmo, esses são os amigos, os amores…

O colo de uma pessoa especial, nada mais é que o local onde nos sentimos mais seguros, onde derrubamos algumas, senão todas as máscaras, onde confiamos nossas verdades e mentiras, nossos defeitos e virtudes, tudo que vier a cabeça, sem ter medo do julgamento que virá, pois confiamos nesse julgamento.

Algumas espécies de aves, tem um local para voltar a cada nova estação, é lá que se sentem seguras para perpetuar a espécie, são os chamados ninhos. Para nós, seres humanos, os nossos ninhos, são um abraço apertado dessa pessoa especial, que nos aquece, protege, encoraja, fortalece e alegra.

O incrivel, é que tem vezes que o nosso abrigo some, o local que cativamos tão bem, simplesmente some, e aí como ficamos? Para onde correr?

Por serem humanos, assim como nós, nosso ‘colo’, é instável, e vulnerável, que acaba por fugir, ou desaparecer, nas horas que mais precisamos, ou em horas que nem precisamos, mas que nós queriamos que estivessem ali, de reserva, esperando por nós. Isso porque somos egoístas, e sujeitos a esse sentimento, acreditamos que dividir o abrigo, poderia nos fazer perdê-lo, e aí temos ciúmes, bobos ou não. Porque o abrigo é nosso, queremos que ele sempre esteja ali, esperando para nos atender, nos ajudar, nos levantar, mas não é assim. Seres humanos são um ninho, que precisam de outro ninho, e assim por diante, porque somos carentes, ou seja, às vezes o colo é recíproco, porém, por existirem pessoas defeituosas, nem sempre a reciprocidade garante segurança desses ninhos.

Havia aquele garota, que dizia não sentir, conquistava dizendo não querer, e na verdade sempre queria. Ela era egoísta o bastante, para gostar de ver vários garotos atrás dela. Não que ela consumasse as conquistas, apenas, os enebriava com seu charme, e os fazia ‘seus’, suas reservas, seus abrigos, as amigas dela até reclamavam, que ela tinha mais amigos, que amigas.

Só que também existia esse garoto, despreocupado e livre, que acabou por ser cativado por ela, e respondeu com carinho, ela o colocou no banco, e ele não se importou, continuou sua vida. Isso a intrigou, a fez correr atrás dele, e consumar o sentimento, desaparecendo logo depois. Ele ligou algumas vezes, mais para saber noticias dela, do que para tentar continuar a consumar o sentimento, mas ela o esnobou.

Ele seguiu sua vida, fluindo mais uma vez, e ela ficou ofendida, no começo, depois foi atrás. E aí eles seguiram, se perpetuando um ao outro, a um relacionamento estranho. Em que ele sabia que ela nunca seria dele, e ela sabia que ele não iria parar sua vida para tentar suprir as falhas emocionais dela. Eram o ninho um do outro, porque cada tampa tem sua panela, mesmo que ela não se encaixe perfeitamente, só de tampar, já estava de bom tamanho.

Independente da diferença, dos defeitos, das falhas. Era onde se sentiam seguros, e onde iriam procurar abrigo, quando tudo o mais falhasse.

Caridade

07
jun
10

Culto aos olhos.

 

O corpo que caminha é o mesmo que volta atrás. O corpo que dá as mãos é o mesmo que cruza os braços. O corpo que faz carinho é o mesmo que vira as costas. O corpo que deita do lado e em cima é o mesmo que fica em pé, frente a frente. O corpo que ajoelha calmamente é o mesmo que vai andando apressado.

Os cabelos que se deixam brincar esparramados na cama, são os mesmos presos em coque, num dia ruim. Os cabelos que recebem um cafuné, são os mesmos que ficam de frente pra você, quando viro as costas. Os cabelos que fazem cócegas na sua bochecha durante um beijo, são os mesmos que ficam presos atrás das orelhas, distantes, numa discussão.

A boca que beija é a mesma que diz “acabou”. A boca que ama é aquela que um dia vai calar. A boca que grita um alto e sonoro “EU TE AMO” é a mesma que xinga. Mas isso tudo, nada é comparado aos olhos. Os olhos são sempre os olhos, mesmo que tristes, mesmo sorridentes, são os olhos que carregam toda a sinceridade de você.

São eles a porta de entrada para a alma de alguém. Não é a boca dando seu primeiro “oi”. Não é o nariz ao sentir o primeiro cheiro. Não é o corpo se dirigindo ao primeiro contato. Não é a tão falada “pele”. São os olhos, que antes de tudo, têm a percepção e a dimensão. Os olhos nunca mentem, escondem, ou omitem. Pra quem sabe ler, eles tudo dizem. E saiba você que cada par de olhos têm o seu leitor especial, aquele que sabe ler você por inteiro, aquele que consegue saber exatamente o que cada olhar seu ou piscada mais lenta quer dizer.

No começo o vazio de palavras é preenchido pelos beijos. Ao fim, o vazio de beijos é preenchido pelas palavras. Mas, e o olhar? Onde anda o olhar? O olhar no início é curioso, de quem quer parar só pra observar, capturar todos os detalhes pra que a memória possa registrar. Ao fim, o olhar conhece muito, consegue até imaginar a presença de quem não está. O olhar nesse todo tempo, não sabe mentir. Ele não diz que ama se não amar, nem diz que não ama, se amar.

Só de te encontrar muda muito, mas encontrar meu olhar com o teu olhar, muda tudo. De tanto olhar tenho a visão automática e cega de você. Minhas mãos já te enxergam por completo no escuro e não tem a ver com a forma, os cílios, o modo da sobrancelha repousar, nem com o tom castanho exatamente igual ao meu. Se trata apenas do brilho deles ao encontrar os meus, coisa que eu nunca vou esquecer.

Tem a ver também com a sensação transmitida por eles, a cada situação. Durante um abraço, durante um cafuné, durante o meu choro, ou uma briga. Não finja que esqueceu tudo o que sentiu quando seus olhos escorregavam entre as palavras que escrevi pra você numa folha de caderno, enquanto os meus escorregavam em lágrimas.

Gosto de lembrar deles cerrando, junto com uma risada gostosa, depois de qualquer besteira que eu tenha dito. Ou de um beijinho de borboleta que eles me deram. E o mais difícil é perder o meu olhar do seu. É ver com meus próprios olhos os seus olhos, olhando outros olhos.

Mas, que fique claro, todas as lembranças que gravaram os meus olhos, são guardadas e revividas quando eles fechados, em modo cego, descobrem uma maneira de te encontrar.

E a cada novo lugar que o meu corpo visita, meus olhos buscam de olhar em olhar, algum que seja causador de tanta curiosidade como era o seu. Não tão bonito, não com o mesmo brilho, não com o mesmo amor, porque eu sei que não existe. E eu me pergunto se um dia você vai encontrar, algum outro olhar que entenda o seu como o meu.

E isso tudo nada mais é que uma inútil tentativa de expressar o que são os seus olhos quando encontram os meus olhos. E mais ainda, o que acontece com o resto de mim durante esse encontro. Hoje você é o que me dizem seus olhos, mesmo que sua boca tente mentir.

Enquanto escrevo, leio e releio, imaginando você lendo. Sabendo que cada palavra é sua. E agora, imagino também seus olhos correndo para o “x” de fechar a janela. Me dando mais um adeus, dessa vez, um adeus cego pra mim. Agora, meus olhos, apesar de andarem sempre em par, sentem-se sós.

06
jun
10

pra conquistar só precisa de conteúdo (e beleza)

zooey

Sou fácil de conquistar, basta alguns elogios com um sorriso sincero, apenas um ‘eu te amo’, e eu sou seu. Todo o resto será desprezado, a beleza exterior não é importante, o que importa mesmo é seu conteudo ‘interno’.

Não dou o minimo para isso, é sério, sempre te disse “não é a beleza que me atrai, e sim um sorriso e um olhar”. Você sabia disso, e por isso me conquistou, me fez dizer que te amava. Sempre serei seu, apenas pelo seu sorriso e suas palavras.

Então, por favor, me dê seu sorriso mais bonito, pois assim vou te amar. (…)

Você devia entender uma coisa, sou homem (e cafajeste). E vou te trocar, por um recipiente mais atraente. Não percebeu? Eu não me importo com beleza exterior, só acho que ela é a parte mais importante de uma mulher.