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A teoria.

 
– Seu imbecil (“TUM! TUM! TUM!”), nojento… Estúpido… (“CRÁS!”), egoísta! – Nesse momento Tite já estava revirando seu cérebro em busca de palavras feias para atirar em Joe. Achou que xingar a mãe era uma boa, lembrou que no colégio o pior xingamento entre os meninos era “filho da puta” e disparou: – Maldito filho da puta!

– Qual é o problema? (“ZAS!”) – Joe estava abaixado, tinha acabado de desviar de um livro que tinha sido atirado em direção a sua cabeça – Não tô entendendo mais nada! Se eu não te procuro, você reclama, se eu procuro você reclama também. Ah, me economiza ‘little’!

– Não… Me… Chame… De ‘littleee’!! Cretino!!! Você só pensa naquilo? E você nem me ligou quando chegou em casa, deve ter sido por isso!

– Ai-Meu-Deus! Lá vem você…

– A Paulinha me contou, que o Daniel contou pra ela, da conversa sobre sexo na sexta, lá no futebol.

– Ah, é isso? O que te contaram?

– “O que te contaram?” – Furiosa ela imitou ele e continuou: – O que me contaram? Com certeza algo que não era pra contar, né?

– Não sei… O que eu falei não te deixaria furiosa assim. Não foi nada demais!

– Então me poupe logo disso e conte tudo o que disse.

– Eu não falei nada demais, sua anta!

– ANTAAA?!?!?!? – (“PAM!”) Agora o cinzeiro foi direto na porta.

Depois de muita unhada, tapa, e objetos voando, Joe disse:

– Escute, Tite. Eu vou falar só uma vez, não vou repetir nada, entenda se quiser. Eu falei que tinha uma teoria sobre as mulheres lindas.

– E qual é?

– Não me interrompa! – Joe já emputecido berrou, nunca ninguém tinha falado desse jeito com ele. E ele também nunca tinha visto alguém surtar dessa maneira – A teoria era que mulheres lindas não se interessam muito por sexo. E então começamos a falar sobre essa teoria.

Tite agora estava sentada no canto da cama, estava se acalmando. E começou, tudo de novo:

– E eu não sou linda? Porque a Paulinha falou que o Daniel disse que você falou que o bom de ter uma namorada era principalmente sexo garantido, mas pensei que você não era imaturo assim e…

Joe interrompeu:

– Little… Você é linda, maravilhosa, você é a exceção! Toda regra tem as suas. Ignore o que dizem, esqueça o que fulana falou que fulano disse que beltrano contou que o primo do tio disse. No telefone sem fio, a mensagem sempre chega distorcida. Quem falou isso do namoro, foi o Daniel e provavelmente queria saber o que a Paulinha achava disso sem se comprometer, você sabe, ele…

Agora ela interrompeu ele, e disse que tudo bem, ele não precisava se explicar. Isso não ia acontecer de novo. E isso era como um pedido de desculpas. Ela juntou o vasinho quebrado com a flor que ele tinha dado a ela no começo do namoro, olhou pra Joe e disse:

– Acho que ela precisa de terra.

– E de um vasinho novo.

Os dois começaram a rir, Tite enxugando as lágrimas se encaixou nos braços de Joe, e deu um aperto na cintura dele, que o fez dizer:

– Não quero te perder nunca. Nunca, little.

Ela só sorriu. E isso bastou. Ele a beijou na testa, no nariz, nas bochechas e na boca. Então ele, sorrindo, disse:

– Adeus teoria!

– Por que? Me fala um pouco mais dela.

– Geralmente as mulheres lindas ficam completamente abusadas e cansadas de serem tratadas como objetos sexuais que acabam se desinteressando, ou sei lá o que. Porque, na verdade, elas sabem que são muito mais que isso. Mas, eu já disse, você é a exceção! sabemos que você é muito mais que isso.

– Quer saber o erro da sua teoria?

– Por favor, senhorita! (ele fez sinal com as mãos para que ela prosseguisse).

– Tudo isso não passa de machismo. Coloque sua teoria ao contrário.

– Quê?

– “Joe, eu tenho uma teoria: Homens lindos não se interessam muito por sexo”.

– Que asneira, little! Não faz o menor sentido…

– Veja: “Eu tenho meus bloqueios contra homens bonitos, sou fria com eles, não deixo que façam parte da minha vida e parece sempre que eles não gostam tanto de sexo…”

– Mas é lógico! – Aí, tudo acabou fazendo sentido para Joe. – Se não fosse fria com eles, se deixasse que eles fizessem parte de sua vida, se se abrisse um pouco… Nenhum homem gosta de ser tratado com máquina sexual, nem os bonitos. Mas, se a mulher quiser e souber como… aí o jogo muda de figura!

Tite chegou bem junto de Joe e disse:

– Entendeu agora?

– Entendi, sim senhora! Só tô pensando com meus botões… Uma mulher tão inteligente, tão linda, tão maravilhosa… Não sei não! Mesmo que não exista mais a regra… Talvez você não seja a exceção, little.

Joe sorriu, um riso malicioso. Ela que não podia sentir o cheiro de desafio, voou em cima dele. Olhou para ele com olhos apertados, de quem aceita o desafio.

– Ah é? Não venha pedir penico…


3 Responses to “A teoria.”


  1. 22 de abril de 2010 às 1:05 AM

    HSUIHSUIHUSHUHS
    mermao, mto bom
    fiquei rindo a toa aqui
    shsuihiuhsuihushiuhsuihuishuishhsiu

  2. 30 de abril de 2010 às 7:51 PM

    Teve uma hora, no diálogo, que tu parecesse com Brunotop – Perigosamente.

    Beijos!

  3. 3 Coraline
    8 de maio de 2010 às 1:03 PM

    homens e suas teorias!
    kkkkkkkkkk


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