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Lembranças eternas de uma mente sem brilho.

Como apagar alguém da sua vida? A ideia parece meio absurda, ou infantil. Mas, se imagine vivendo sem alguém que você considera fundamental, e imagine também que você não tem contato com essa pessoa porque ela não quer, ou porque o destino não quer. Então você resolve que por mais absurdo que seja, o melhor caminho seria apagar esse alguém da sua vida.

Mas, não é tão simples quanto parece. Você pode apagar fotos, rasgar cartas, quebrar cd’s, apagar mensagens, excluir a pessoa de todos os meios de comunicação. Mas, você sabe que tem um lugar onde você não pode apagar, excluir ou jogar fora, e continuar viva. Esse lugar pode ser o coração, ou a memória. Então, essa pessoa passa a ser fundamental na sua vida. Ou pelo menos, a lembrança dela se torna fundamental.

E aí, você só tem duas opções, manter a lembrança, aprender a conviver com ela, ou surtar. Ficções a parte, já que ainda não podemos apagar alguém, é o que mostra o filme “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”. Já faz um bom tempo que assisti a esse filme, mas outro dia, me flagrei desejando apagar completamente alguém da minha memória. Tentei tirar todos os vestígios, possibilidades de lembrança dessa pessoa do meu dia-a-dia. Foi aí que esse filme me veio em mente.

Imagine um casal. Ele metódico, tímido, introspectivo e reservadíssimo. Ela, oposta a ele: extrovertida, impulsiva, impetuosa e espontânea. O casal enfrenta uma crise e ela resolve deixar ele. Mais que deixar ele, ela resolve apagar ele definitivamente da sua vida. Contrata uma empresa especializada nisso, ela apaga memórias “ruins”. Seria como se o relacionamento nunca tivesse acontecido. Seria como se eles nunca tivessem se apaixonado. Supostamente uma oportunidade para uma nova vida.

Quando ele descobre o que ela fez, se frustra por saber que a pessoa que ele ama não o ama mais e resolve apagá-lo da vida dela. Então ele resolve procurar a mesma empresa que ela, para apagar ela definitivamente da sua vida. Mas, no meio do tratamento, ele percebe que não quer apagar ela da vida dele. Ele percebe que não é pelos momentos ruins que se deve apagar alguém por completo, talvez por saber da impulsividade dela. Se ela resolveu apagar ele, é porque, de alguma forma a memória dele é significativa ao ponto de incomodar por existir.

Apesar de toda a dor que o fim do relacionamento o trouxe, ele começa uma luta contra o tratamento, e até maior, contra suas próprias lembranças. E começa então a luta dele para que os médicos não consigam apagar ela dos momentos que viveram, ele cria lembranças que nunca existiram, para manter a lembrança dela.

O filme se passa em dois planos, um é o plano das memórias dele (que aos poucos vai contando a história do casal) e o outro é a realidade, onde os médicos trabalham para apagar todas as memórias. É como se os dois planos entrassem em choque, pelo fato de no meio do tratamento ele resolver não a apagar mais. Enquanto os médicos tentam apagar, ele vai reconstruindo memórias, fazendo tudo diferente.

Como já foi dito muitas vezes, essa é uma história de amor. Não é qualquer comédia romântica, não é apenas uma ficção. É uma história que poderia ter acontecido com qualquer um de nós. Todo mundo em algum momento já quis apagar memórias, esquecer alguém. A ficção não torna o amor menos real, pelo contrário, nos faz refletir sobre como estamos amando.

Pensando agora em tudo isso, acredito que o filme seja uma crítica ao nosso modo de amar atual. Cada vez mais superficiais, fúteis e sem valor; são as nossas relações. Hoje que as pessoas tem medo de se envolver, de amar e de sofrer. Acabam buscando nos relacionamentos apenas o lado agradável e prazeroso. O que não existe nem nunca vai existir é um relacionamento perfeito. Os relacionamentos mais antigos, os casamentos dos seus avós, não eram perfeitos. Eles trabalharam muito nisso, foram companheiros, superaram juntos dificuldades em prol do amor.

Hoje que o mundo está tão repleto de “amores ligeiros”; “se não der certo, separa”; “se não dá mais, a gente acaba”… O filme propõe uma reflexão. Se você acabar com todas as lembranças, o amor também acaba? Seria melhor uma lembrança dolorosa, ou não ter lembranças?

Você pode tentar apagar alguém da sua memória, mas existem pessoas que não saem do coração. Existem pessoas que deixam marcas enormes na alma, e esse tipo de marca perdura por toda uma vida, e para além dela.

“Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos”. (Friedrich Nietzsche)



(O texto foi tirado do blog “Arc”,  agora eu também posto lá! http://architectureofaggression.blogspot.com/2010/04/lembrancas-eternas-de-uma-mente-sem_08.html)


3 Responses to “Lembranças eternas de uma mente sem brilho.”


  1. 13 de abril de 2010 às 6:54 PM

    ja tinha lido este no blog arc :B

  2. 2 Leah
    14 de abril de 2010 às 11:18 PM

    esse filme é lindo lindo lindo
    bom demais, a katy é mágica demais nesse filme!

  3. 3 Nataly
    14 de abril de 2010 às 11:46 PM

    Aiai, quem é que nunca se pegou pensando: “Ah!, como eu queria esquecer aquele alguém…”, é tão do ser humano não querer sofrer… Mas, se a gente não sofre, como é que a gente aprende?.

    Particularmente, já desisti de tentar apagar certas lembranças e fulanos, mas continuo firme no ignorar todos os rastros de sofrimento…. hahah

    Fiquei doida pra assistir esse filme…:-D

    Beijão!

    http://natalyfala.wordpress.com/


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