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abr
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The queen of runaround.

Mais quente que o fogo. Foi o jeito que ela olhou ao redor. Agindo como uma mulher mais velha, ela entrou no bar. E eu fiquei ali, parado, sem conseguir piscar, muito menos me mover. E eu queria fazer ela parar, me fazia ter ciúme de uma situação que eu acabava de imaginar. Penso nela como férias de mim mesmo, ela sabe bem quem é e melhor ainda o que quer. Enquanto ela sai com outros caras, eu fico aqui sentado.

E a minha vontade era dizer: “Vem, senta aqui, vamos conversar um pouco. É tão difícil te encontrar por aí, e hoje eu tô aqui, bem atrás de você!”. Acho que estou envelhecendo, ou enlouquecendo. Ela me constrói, ela me derruba. Desperta o melhor e o pior em mim, provoca um sorriso e me faz ter raiva. Ela é uma fugitiva, ela sabe o que é. No melhor momento, ela simplesmente desaparece e só o que sobra é o resto do seu perfume nas minhas coisas.

Esses foram longos anos, é, já fazem três anos que a conheci. Três anos que ela entrou naquele bar pra não sair mais da minha vida. Eu tive tão pouca sorte, acho que vou levantar e dar uma volta. Procurar um sorriso, quem sabe? Ela me mastiga, até não querer mais e joga fora. Aproveita até o fim o gosto que deixo na sua boca. E aí, nós nos olhamos, só que nenhum dos dois sabe bem o que fazer.

E aí tudo começa: “Por que fez isso? Como pôde?”, estas perguntas nos encaminham a um adeus. E de qualquer jeito era o que eu queria, não é? Ela me disse: “Tome, essa merda de ‘liberdade’, é toda sua! Seja feliz com ela, e sem mim”, e foi embora. E agora eu olhava pra ela indo embora, parecia uma menininha fazendo birra, mas deu seu toque de mulher: não olhou pra trás, não voltou atrás.

Estacionei meu carro em frente a sua casa, na esperança de te trazer de volta pra casa. Parece que a mulher que eu amo é alguém que eu nem conheço. Nunca deixe de ser essa icógnita. E depois de tanto tempo, eu encontrei um jeito de ficar sozinho, mas, e se eu não quiser mais isso? A qualquer momento vou surtar, devo estar enlouquecendo.

Ela é tão cheia de si, consegue fazer com que eu me sinta realmente “o cara” por estar ao seu lado. E algumas vezes me faz parecer um idiota. Estou de coração partido, estou faminto e com raiva porque ela não me ama. Ela me tem na palma da mão, no meu próprio jogo ela me venceu. E ela parece tão bem, com seu vestidinho curto e florido, cara de saúde e de alegria. Eu tenho toda a certeza de que ela sempre foi assim, e talvez vá sempre ser. E eu me lembro sempre do nosso último encontro, sem querer, no bar…

– Já ouviu a nova música no rádio?
– Não.
– Ela me lembra nós dois, mas me esqueci como é.
– …
– “I will be back again. No this is not the end. I’ve fallen hard this time but I not giving in. I want the world to know that I won’t let you forget the tears that you shed, I’ll make it impossible to let go.”

Tanto tempo passando e eu me pergunto “Por quê ela não quer conversar comigo? ”. E o pior é que eu sei. Eu sei que ela não vai falar comigo, não vai voltar e nunca vai me deixar. Talvez exista outra maneira pra recomeçar, talvez exista outro caminho ao coração dela. Então é melhor que eu comece a procurar logo.

“I won’t be satisfied ‘till I’m under your skin”. Fico imobilizado pelo pensamento nela, paralisado só de ver ela e completamente hipnotizado pelas coisas que ela diz. E é tudo mentira, mas eu acredito de qualquer jeito. Ela é uma fugitiva, e no melhor momento desaparece. Ela simplesmente pega suas asas de borboleta e aproveita toda a liberdade que é da sua natureza.


8 Responses to “The queen of runaround.”


  1. 2 de abril de 2010 às 4:48 PM

    Adoro os seus contos, vc constrói seus personagens tão elegantemente, e sem dizer na lata, faz o leitor participar dessa construção psicológica =)
    O blog de vcs tem tantos “tipos” diferentes de amor, chega a ser engraçado rsrs 😉

  2. 3 Carol
    2 de abril de 2010 às 5:35 PM

    esse blog foi um grande achado,
    tive que comentar antes de ler as publicações mais antigas!

  3. 4 Cecilia
    2 de abril de 2010 às 5:36 PM

    as mulheres dos seus textos, são as melhores.
    srsrrsrrsrsrrsrrsrs

  4. 6 m
    6 de abril de 2010 às 1:11 AM

    incrível, me identifiquei inteiramente, é como se eu tivesse redigido o texto colocando ele no lugar “dela”, eu tambem teria trocado o cenário (o bar). sempre tento colocar em palavras minha historia e jamais consegui. maravilhoso. amei. os outros textos também sao otimos! parabens!

  5. 6 de abril de 2010 às 10:42 AM

    Concordo com o Bruno, adorei a conclusão.

  6. 8 Priscilla Rupp
    7 de abril de 2010 às 10:34 PM

    Marooooon 5! o/


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