Arquivo para abril \25\UTC 2010

25
abr
10

alegria. sorte.

cafedamanha

Bocejo, uma tenue luz solar entrando pela fresta da cortina… Não quero levantar, sinto um aroma adocicado por perto, olho pro lado e vejo cabelos negros no meu ombro, cabelos longos e negros, bastante cheirosos. Levanto, só de samba-canção mesmo, olho para o lado enquanto me espreguiço e observo você aninhada de um jeito desarrumado que me faz sorrir feito besta. Te dou um beijo na testa, um cheiro no pescoço, e depois recuo me penalizando, pois você está tão linda dormindo daquele jeito, que seria um pecado te acordar.

Me dirijo tropeçando pra cozinha, mordo uma banana e olho pra janeja, dia chuvoso… Você vai dormir pelo menos mais um bom tempo. Dou outro sorriso e penso em uma ideia peculiar… Não custa nada tentar.

Ainda bem que você está dormindo, eu devo ser muito tosco enquanto cozinho, pois tou sempre derrubando uma coisa aqui, outra ali, isso não deve ser muito bonito de se ver… Eu sei é patetico. Finalmente está pronto… Três cachorros quente, suco de maçã e minha especialidade, banana cartola.

Quando chego no quarto com uma bandeja improvisada não tem ninguem na cama, eu olho pra o local confuso e sinto um beijo no cangote que faz meu corpo todo se arrepiar.

-Bom dia – você diz gentilmente.

-Bom dia – e eu te dou um beijinho tentando equilibrar o nosso café da manhã – queria fazer uma surpresa.

-Mas você fez… O jeito como você dança enquanto cozinha é…

-Ridiculo – eu falo entando manter as bochechas não coradas. Me viro e a observo bem, está com os cabelos menos despenteados, com os olhos limpos e usando minha camisa que estava no chão, só ela, e roupas de baixo, deixando suas longas pernas morenas a mostra, enquanto você sorri concordando com meu comentário – suas pernas são lindas… – eu falo com um olhar um tanto quanto tarado.

-Engraçadinho… – você fica rindo, tentando fingir que não está sem jeito e me puxa pra cama.

comemos enquanto conversamos qualquer coisa, estou mais concentrado em te observar, admirar seus olhos cor de café.

-O que foi?

-Nada… Só fico impressionado com a minha sorte, em ter te encontrado, e mais ainda em não ter te perdido.

-Parou já?

-O que?

-De me deixar com vergonha – você diz com o sorriso mais lindo do mundo, eu te dou mais um beijo.

-Ok eu não tou mais olhando…

-Acho bom.

Enquanto te roubo beijos sinto uma alegria passar do meu peito pra minha alma, a alegria por ter quem mimar, quem dar carinho, quem eu possa esquentar, e mais ainda, a alegria de ter o abraço onde eu posso sentir que estou no meu lar.

(…)

Sinto um arrepio de frio, rolo na cama, mas ela é mais dura que o normal, mudo de posição, mas o sono já se foi. Acordo sentindo um aroma cítrico numa cama mais dura que a de costume, ilho pro teto e não o reconheço, me espreguiço e rolo na cama saindo do edredon e sinto um friozinho gostoso, vejo o mural de fotos na parede e vejo várias fotos suas, inclusive uma que te dei de aniversário de nove meses, dou um sorriso besta e levanto coçando a cabeça. Dou um muxoxo por sentir o frio aumentar, olho ao redor e vejo sua camisa no chão, coloco-a. Ela parece tão perfeita em mim, aconchegante, quentinha, e mais importante, está impregnada com seu cheiro.

Vou até o banheiro e tomo um susto. Meu cabelo está todo bagunçado, eu pego um pente e tento domá-lo, mas ele parece querer ter uma batalha séria comigo… Depois de desistir de domesticar meu cabelo pego a minha escova de dente reserva que você insistiu tanto em comprar para quando eu ficasse um pouco mais aqui… Você é muito espertinho pro meu gosto, e mesmo assim eu fico sorrindo enquanto faço a higienização da minha boca. Tento tirar a maquiagem com um pouco de algodão que achei no banheiro, e surpreendentemente consigo um excelente resultado.

Saio perambulando pela casa procurando o dono daquele cheiro citrico, e ouço uma música baixinha vinda da cozinha, chego na porta e fico encostada em silencio, vendo você cozinhar animado e cantarolando baixinho, como se não quisesse me acordar. Dou um grande sorriso e me mantenho ali escondidinha, para não estragar sua intenção, quando percebo que você está terminando a sua banana cartola, eu saio de fininho e fico escondida na sala. Te vejo ir só de samba canção com uma bandeja improvissada até o quarto e parar na frente dele confuso, não resisto e fico de ponta de pé para dar um beijo no seu cangote.

-Bom dia – eu falo do meu jeito mais dengoso.

-Bom dia – você responde com um sorrisão e vem me dar um beijinho quase derrubando nosso café. – queria fazer uma surpresa…

-Mas você fez… O jeito como você dança enquanto cozinha é… – ‘tosco’… mas eu não posso dizer isso a você… acho que é melhor dizer que é fofo…

-Ridiculo – olha ai, você consegue definir sua dancinha melhor que eu, e me faz ficar sorrindo em concordancia. Seus olhos descem do meu rosto para as minhas pernas – suas pernas são lindas…

-Engraçadinho – tarado, é isso que você é, e mesmo assim é muito lindo…

Deixo você me dar comida na boca, faço beicinho, você me dá beijos, cantadas, declarações, eu faço mais beicinho, você me mima mais ainda… Acho que desse jeito você me estraga, mas eu não me importo, pois adoro isso.

-O que foi? – falo ao perceber que seu olhar está perdido nos meus olhos e enquanto sinto um calor subir pelas minhas bochechas.

-Nada… Só fico impressionado com a minha sorte, em ter te encontrado, e mais ainda em não ter te perdido. – você fala como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo, me fazendo ficar com mais vergonha ainda!

-Parou já? – eu falo num tom de falsa irritação.

-O que? – você dá um sorriso divertido.

-De me deixar com vergonha – eu falo fazendo mais um biquinho que é rapidamente roubado pelo seus lábios.

-Ok eu não tou mais olhando… – você fala me abraçando e beijando meu pescosço do jeito que só você sabe fazer.

-Acho bom – eu suspiro tentando não ceder aos seus beijos. – ei… – eu te afasto subitamente.

-O que, fiz algo errado? – você se assusta.

-Não… É que você me prometeu diamante negro lembra? – falo na minha voz mais dengosa.

-Você quer agora?

-Uhum – eu confirmo fazendo biquinho.

-Eu vou sofrer muito quando você ficar grávida não vou?

-Quem mandou me mimar – eu dou um muxoxo fingindo estar ofendida.

-Meu coração. – você me dá um beijo, pega uma camiseta e um short, eu rolo na cama.

-Você vai sem me dar um beijinho?

-Nunca. – e você deposita aquele beijo citrico delicioso que só você tem.

Acho que a sorte me sorri todo dia, sempre que olho nos seus olhos castanho amendoados. A sorte de saber que eu tenho meu ninho nos seus braços, a sorte de poder te chamar de Amor.

(Homem de Sorte)

21
abr
10

A teoria.

 
– Seu imbecil (“TUM! TUM! TUM!”), nojento… Estúpido… (“CRÁS!”), egoísta! – Nesse momento Tite já estava revirando seu cérebro em busca de palavras feias para atirar em Joe. Achou que xingar a mãe era uma boa, lembrou que no colégio o pior xingamento entre os meninos era “filho da puta” e disparou: – Maldito filho da puta!

– Qual é o problema? (“ZAS!”) – Joe estava abaixado, tinha acabado de desviar de um livro que tinha sido atirado em direção a sua cabeça – Não tô entendendo mais nada! Se eu não te procuro, você reclama, se eu procuro você reclama também. Ah, me economiza ‘little’!

– Não… Me… Chame… De ‘littleee’!! Cretino!!! Você só pensa naquilo? E você nem me ligou quando chegou em casa, deve ter sido por isso!

– Ai-Meu-Deus! Lá vem você…

– A Paulinha me contou, que o Daniel contou pra ela, da conversa sobre sexo na sexta, lá no futebol.

– Ah, é isso? O que te contaram?

– “O que te contaram?” – Furiosa ela imitou ele e continuou: – O que me contaram? Com certeza algo que não era pra contar, né?

– Não sei… O que eu falei não te deixaria furiosa assim. Não foi nada demais!

– Então me poupe logo disso e conte tudo o que disse.

– Eu não falei nada demais, sua anta!

– ANTAAA?!?!?!? – (“PAM!”) Agora o cinzeiro foi direto na porta.

Depois de muita unhada, tapa, e objetos voando, Joe disse:

– Escute, Tite. Eu vou falar só uma vez, não vou repetir nada, entenda se quiser. Eu falei que tinha uma teoria sobre as mulheres lindas.

– E qual é?

– Não me interrompa! – Joe já emputecido berrou, nunca ninguém tinha falado desse jeito com ele. E ele também nunca tinha visto alguém surtar dessa maneira – A teoria era que mulheres lindas não se interessam muito por sexo. E então começamos a falar sobre essa teoria.

Tite agora estava sentada no canto da cama, estava se acalmando. E começou, tudo de novo:

– E eu não sou linda? Porque a Paulinha falou que o Daniel disse que você falou que o bom de ter uma namorada era principalmente sexo garantido, mas pensei que você não era imaturo assim e…

Joe interrompeu:

– Little… Você é linda, maravilhosa, você é a exceção! Toda regra tem as suas. Ignore o que dizem, esqueça o que fulana falou que fulano disse que beltrano contou que o primo do tio disse. No telefone sem fio, a mensagem sempre chega distorcida. Quem falou isso do namoro, foi o Daniel e provavelmente queria saber o que a Paulinha achava disso sem se comprometer, você sabe, ele…

Agora ela interrompeu ele, e disse que tudo bem, ele não precisava se explicar. Isso não ia acontecer de novo. E isso era como um pedido de desculpas. Ela juntou o vasinho quebrado com a flor que ele tinha dado a ela no começo do namoro, olhou pra Joe e disse:

– Acho que ela precisa de terra.

– E de um vasinho novo.

Os dois começaram a rir, Tite enxugando as lágrimas se encaixou nos braços de Joe, e deu um aperto na cintura dele, que o fez dizer:

– Não quero te perder nunca. Nunca, little.

Ela só sorriu. E isso bastou. Ele a beijou na testa, no nariz, nas bochechas e na boca. Então ele, sorrindo, disse:

– Adeus teoria!

– Por que? Me fala um pouco mais dela.

– Geralmente as mulheres lindas ficam completamente abusadas e cansadas de serem tratadas como objetos sexuais que acabam se desinteressando, ou sei lá o que. Porque, na verdade, elas sabem que são muito mais que isso. Mas, eu já disse, você é a exceção! sabemos que você é muito mais que isso.

– Quer saber o erro da sua teoria?

– Por favor, senhorita! (ele fez sinal com as mãos para que ela prosseguisse).

– Tudo isso não passa de machismo. Coloque sua teoria ao contrário.

– Quê?

– “Joe, eu tenho uma teoria: Homens lindos não se interessam muito por sexo”.

– Que asneira, little! Não faz o menor sentido…

– Veja: “Eu tenho meus bloqueios contra homens bonitos, sou fria com eles, não deixo que façam parte da minha vida e parece sempre que eles não gostam tanto de sexo…”

– Mas é lógico! – Aí, tudo acabou fazendo sentido para Joe. – Se não fosse fria com eles, se deixasse que eles fizessem parte de sua vida, se se abrisse um pouco… Nenhum homem gosta de ser tratado com máquina sexual, nem os bonitos. Mas, se a mulher quiser e souber como… aí o jogo muda de figura!

Tite chegou bem junto de Joe e disse:

– Entendeu agora?

– Entendi, sim senhora! Só tô pensando com meus botões… Uma mulher tão inteligente, tão linda, tão maravilhosa… Não sei não! Mesmo que não exista mais a regra… Talvez você não seja a exceção, little.

Joe sorriu, um riso malicioso. Ela que não podia sentir o cheiro de desafio, voou em cima dele. Olhou para ele com olhos apertados, de quem aceita o desafio.

– Ah é? Não venha pedir penico…

17
abr
10

estrada

Acho que aprendi isso com a minha mãe, que a gente não pode se deixar levar pelos maus momentos, claro que na hora, a cabeça não controla o corpo, e sim os sentimentos, acabamos por chorar, nos entristecer, praguejar e etc, mas se conseguimos colocar pra fora um terço dessa dor, pelo menos, sabemos que vamos ficar bem em breve. Eu acho que a beleza de ser paixonal por momentos é isso, conseguir se alegrar totalmente nos momentos bons, e conseguir chorar as lágrimas que tiverem que escorrer nos momentos ruins… A vida é poetica mesmo.

Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar, acumular tarefas, boas ou ruins, seja por vergonha, falta de coragem ou ter a rotina ocupada demais poderá lhe render arrependimentos… Eu não sei como explicar isso, porque é uma caracteristica de cada um sabe? Talvez seja o destino interferindo, mas talvez hoje seja o ultimo dia de sua vida, e ai?

Cuidado sempre, não precisa viver pensando que não vai haver um amanhã, mas eu sou da tese de que devemos aproveitar tudo que pudermos, sabendo das consequencias que esse aproveitamento vai gerar. Pesar as consequencias dos atos é uma boa maneira de se viver, mas nunca deixe de viver pra pesar seus atos sabe?

Acho que estou sendo muito confuso né? É simples assim: não deixe de dar uma cantada por medo de um fora, não deixe de dançar por medo de lhe acharem ridicula, não, não! A vida é sua, e você deve aproveitá-la ao máximo. Não deixe de fazer o que quer por causa dos outros, mas cuidado, para não envolver os outros nas suas decisões ‘duvidosas’.

Continuo a confundir sua cabeça não é? Mas é assim mesmo, como eu tenho um ditado “conselhos às vezes soam tão innuteis”, e como o próprio Pedro Bial diz “conselho é uma forma de nostalgia, compartilhar os conselhos é uma jeito de repescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo no mais do que vale”, pra você pode não fazer sentido agora, mas um dia fará.

E ai eu pergunto, e as coisas triviais? Essas sim, devem ser aproveitadas ao máximo, e ignoradas totalmente.

Acabei de me contradizer? Não, só estou dizendo que se essas coisas triviais te animam, você deve aproveitá-las ao máximo, pois o retorno que isso lhe dará é muito maior que qualquer coisa, é por isso que dizem que a felicidade de um deficiente fisico é muito maior que a de um ganhador na mega-sena, porque para ele, qualquer besteirinha que vai bem, já o deixa animadissimo, enquanto para um vencedor na mega-sena, as coisas triviais, serão só triviais. Tal igual, as coisas que te irritam, é burrice se importar porque pisou num cocô na rua, ou por causa do trânsito. Se está transito e você vai se atrasar, coloque John Mayer no som do carro ou do celular, e dê play em “Stop This Train”, não tem como se estressar com essa música.

É simples assim. A vida é sua, o destino não.

Nunca está ruim demais, ou bom demais. Tudo é interpretação.

E saiba que o trem sempre poderá parar, nunca seja comodista ao ponto de dizer a si mesmo que não pode mudar sua vida. O poder é seu. O livre-arbitrio pode até ser uma farsa em relação ao destino, mas ele existirá enquanto o destino não for desmistificado…

As saídas de emergencias foram feitas pra você, se tá ruim, pule do trem, ou arranje uma companhia boa de viagem. Se tá bom, segue em frente, escutando John Mayer, que no fim, o amanhecer do amor vai sorrir pra você também.

Uma Estra a Mais

13
abr
10

Lembranças eternas de uma mente sem brilho.

Como apagar alguém da sua vida? A ideia parece meio absurda, ou infantil. Mas, se imagine vivendo sem alguém que você considera fundamental, e imagine também que você não tem contato com essa pessoa porque ela não quer, ou porque o destino não quer. Então você resolve que por mais absurdo que seja, o melhor caminho seria apagar esse alguém da sua vida.

Mas, não é tão simples quanto parece. Você pode apagar fotos, rasgar cartas, quebrar cd’s, apagar mensagens, excluir a pessoa de todos os meios de comunicação. Mas, você sabe que tem um lugar onde você não pode apagar, excluir ou jogar fora, e continuar viva. Esse lugar pode ser o coração, ou a memória. Então, essa pessoa passa a ser fundamental na sua vida. Ou pelo menos, a lembrança dela se torna fundamental.

E aí, você só tem duas opções, manter a lembrança, aprender a conviver com ela, ou surtar. Ficções a parte, já que ainda não podemos apagar alguém, é o que mostra o filme “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”. Já faz um bom tempo que assisti a esse filme, mas outro dia, me flagrei desejando apagar completamente alguém da minha memória. Tentei tirar todos os vestígios, possibilidades de lembrança dessa pessoa do meu dia-a-dia. Foi aí que esse filme me veio em mente.

Imagine um casal. Ele metódico, tímido, introspectivo e reservadíssimo. Ela, oposta a ele: extrovertida, impulsiva, impetuosa e espontânea. O casal enfrenta uma crise e ela resolve deixar ele. Mais que deixar ele, ela resolve apagar ele definitivamente da sua vida. Contrata uma empresa especializada nisso, ela apaga memórias “ruins”. Seria como se o relacionamento nunca tivesse acontecido. Seria como se eles nunca tivessem se apaixonado. Supostamente uma oportunidade para uma nova vida.

Quando ele descobre o que ela fez, se frustra por saber que a pessoa que ele ama não o ama mais e resolve apagá-lo da vida dela. Então ele resolve procurar a mesma empresa que ela, para apagar ela definitivamente da sua vida. Mas, no meio do tratamento, ele percebe que não quer apagar ela da vida dele. Ele percebe que não é pelos momentos ruins que se deve apagar alguém por completo, talvez por saber da impulsividade dela. Se ela resolveu apagar ele, é porque, de alguma forma a memória dele é significativa ao ponto de incomodar por existir.

Apesar de toda a dor que o fim do relacionamento o trouxe, ele começa uma luta contra o tratamento, e até maior, contra suas próprias lembranças. E começa então a luta dele para que os médicos não consigam apagar ela dos momentos que viveram, ele cria lembranças que nunca existiram, para manter a lembrança dela.

O filme se passa em dois planos, um é o plano das memórias dele (que aos poucos vai contando a história do casal) e o outro é a realidade, onde os médicos trabalham para apagar todas as memórias. É como se os dois planos entrassem em choque, pelo fato de no meio do tratamento ele resolver não a apagar mais. Enquanto os médicos tentam apagar, ele vai reconstruindo memórias, fazendo tudo diferente.

Como já foi dito muitas vezes, essa é uma história de amor. Não é qualquer comédia romântica, não é apenas uma ficção. É uma história que poderia ter acontecido com qualquer um de nós. Todo mundo em algum momento já quis apagar memórias, esquecer alguém. A ficção não torna o amor menos real, pelo contrário, nos faz refletir sobre como estamos amando.

Pensando agora em tudo isso, acredito que o filme seja uma crítica ao nosso modo de amar atual. Cada vez mais superficiais, fúteis e sem valor; são as nossas relações. Hoje que as pessoas tem medo de se envolver, de amar e de sofrer. Acabam buscando nos relacionamentos apenas o lado agradável e prazeroso. O que não existe nem nunca vai existir é um relacionamento perfeito. Os relacionamentos mais antigos, os casamentos dos seus avós, não eram perfeitos. Eles trabalharam muito nisso, foram companheiros, superaram juntos dificuldades em prol do amor.

Hoje que o mundo está tão repleto de “amores ligeiros”; “se não der certo, separa”; “se não dá mais, a gente acaba”… O filme propõe uma reflexão. Se você acabar com todas as lembranças, o amor também acaba? Seria melhor uma lembrança dolorosa, ou não ter lembranças?

Você pode tentar apagar alguém da sua memória, mas existem pessoas que não saem do coração. Existem pessoas que deixam marcas enormes na alma, e esse tipo de marca perdura por toda uma vida, e para além dela.

“Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos”. (Friedrich Nietzsche)



(O texto foi tirado do blog “Arc”,  agora eu também posto lá! http://architectureofaggression.blogspot.com/2010/04/lembrancas-eternas-de-uma-mente-sem_08.html)

11
abr
10

hmm, palpite.

alfie

-Poxa, Ceci, não mereço nem um abraço?

-Ainda não acredito que você esta aqui, Peu.

-Sou tão fuleiro assim?

-Não é isso, é que eu já tinha um palpite sobre você vir me ver…

-E qual seria? – ele fala com um grande sorriso nos lábios.

-Tou com saudade de você, na varanda em noite quente… – e ela pausou pensativa.

-Continue a música… – ele falou divertido.

-Naah… A parte seguinte soaria como uma indireta pra você… – ela falou fingindo estar chateada.

-E porque você se lembraria de mim com essa parte?

-Te conheci no verão, naquelas noites em que não se tem nada pra fazer, além de tomar uma cerveja gelada e conversar… E a primeira parte só adquiri por culpa sua.

Ele ficou rindo, e ela acabou rindo tambem.

-O que te traz aqui?

-Nada de especial, tava passando e resolvi vim ver teu sorriso.

-Kkkkkkkkkkk… sempre essas cantadas ridiculas?

-Não posso perder uma boa oportunidade…

-Como vai o coração?

-Bem complicado como sempre… Afinal quando ele foi simples?

Uma troca de olhares significativa, um sorriso sincero dele, faz com que ela sorria tambem, e ambos ficam admirando a aura que mantém sorriso e olhos sincronizados.

-E o seu? – ele resolve quebrar o silencio mágico.

-Mesmo de sempre… – um suspiro de contentamento, e um muxoxo de falsa decepção – cheio de cafajestes atraentes demais para eu deixar passar, e ridiculos demais para eu deixar que eles fiquem…

-Sempre insatisfeita… Tenho certeza que várias mulheres queriam estar no teu lugar…

-Ah claro, até parece.

-Você sempre reclama de barriga cheia, Maria Cecilia.

-Nem sempre, Pedro Henrique.

Ele deu uma risada e se começou a jogar conversa fora, era assim sempre, entre os dois… Conselhos, desabafos, risadas, cantadas, foras, mais cantadas, vacilos, risadas, e carinho, bastante carinho.

-Tu é única… A única que resiste sempre, a todas as cantadas…

-Eu sei, tenho apreendido a lidar com cafajestes há muito tempo…

-Ainda vou te roubar um beijo… – ele falou como quem comenta que o clima está agradável.

-Hoje não. – ela respondeu com a mesma naturalidade.

-Esse teu ‘não’ nunca funciona – ele diz sorrindo e morde a orelha dela.

-Sempre assim, ridículo – ela lhe da seu olhar de desprezo mais convicente e empurra o peito dele, mas não com força o bastante para mandá-lo para longe, apenas para impedi-lo de ficar ‘perto demais’.

-Eu adoro isso… – ela lhe desfez o olhar de desprezo por um olhar de curiosidade – esse teu conflito, entre manter a pose de dificil, e se deixar levar pela vontade…

-Vê se me erra menino…

-Não posso, também tenho um paplpite… – ele fala com um sorriso malicioso.

-Ah é? – ela deu uma risada – e qual seria?

Ele chega mais perto dela, ao ponto de suas bocas (com sorrisos desafiadores) ficarem a centimetros de distancia.

-O amor pode acontecer, de novo pra você, palpite. – e lhe roubou um beijo, como tinha que roubar.

-Eu disse que ia roubar…

-E você tinha que estragar o momento… – ela falou rindo e após esmurrar o braço dele.

-Se eu não estragasse, não seria eu, não é verdade?

E ela respondeu com outro beijo.

08
abr
10

O Que Te Trago

capitu

-São apenas algumas coisas triviais, aquilo que você encontra num dia qualquer, mas que são especiais.

Retiro um lírio branco e coloca entre os cabelos cacheados que adoro acariciar, e que exalam o melhor perfume que já senti.
-Trago uma flor, para colorir sua vida.
Os olhos tão belos dela adquirem um brilho fascinante, elu não consigo deixar de sorrir de um jeito tímido, mas estou consigo controlar todo meu embaraço.

-Trago um chocolate, para deixar sua vida um pouco mais doce.
O sorriso bobo se alarga pelo rosto dela, quando coloco um bombom de chocolate em suas mãos. Sinto que estão tão suadas quanto as minhas.

-Trago um sorriso, para tornar sua vida mais alegre.
E consigo ver meu sorriso mais puro ser refletido nos olhos dela. Sinto como se a aura que formasse meu sorriso fosse contagiante, e chegasse aos lábios dela, tornando seu semblante muito mais suave.

-Trago também um abraço, para esquentar sua vida
E naquele gesto, consigo sentir o pulsar do seu coração, enquanto perpetuamos o gesto o máximo possível.

-Eu vou indo…
-É só isso?
Ela levanta uma sobrancelha e me filma com as orbes claras de uma forma ansiosa.

-Ah sim… É verdade…
Eu coloco minha mão no bolso, como se fosse tirar algo.

-Trago ainda, um beijo…
E roubo seus lábios para mim, antes que ela possa esboçar qualquer reação…

-… Para trazer confusão a sua vida.

Viro as costas e me vou.

06
abr
10

Contos de fatos.

Seria fácil viver e se relacionar num conto de fadas, onde ninguém erra, ninguém se magoa, ninguém é injusto, enfim, tudo é perfeito. Mas isso não é a vida real, e acreditar piamente em contos de fadas pode não ser bom. Eles fazem a vida parecer errada demais. Se você espera a perfeição, vai parecer trabalhoso demais um relacionamento onde as pessoas erram, se perdoam e aprendem lições.

Não se pode colocar um conto de fadas como um modelo de vida a ser seguido. Qual a mulher que gosta de ficar em casa varrendo e cantando, esperando um príncipe encantado? Qual a mulher que quer ficar deitada, dormindo até que o príncipe chegue e a salve de tudo isso? Nenhuma! Cada dia mais, as mulheres são donas de si, e não querem nem ouvir saber naquele papinho ‘boring’ de esperar a vida acontecer, ou esperar a boa vontade de um príncipe – que, convenhamos, não existe!

Cinderela tá lá, passando pela terceira vez pelo supermercado. Ela gosta do carinha do caixa. Tudo isso por culpa do Mr. Enchanted, que mal aparece em casa. Branca de neve vai lavar o chão e cantar, porque o que se pode fazer com sete anões? Ela manda os sete dormir e liga pra qualquer carinha da lista de telefones úteis dela e pergunta se ele o encontraria à meia noite, num bar qualquer. Bela adormecida tá de tpm, olha pro lado e manda o príncipe ir dormir. Ela prefere dormir a vida inteira a assistir ele atrapalhando seus sonhos. Rapunzel berra que se soubesse que homens costumavam escalar cabelos teria os cortado ela mesma, e gastado muito menos em produtos. Agora sai da torre e vai procurar uma mais distante ainda, agora sabendo que deve ficar longe das janelas.

Apesar de não ser tão velha assim, já conheci muita, mas muita gente mesmo que não abre mão da sua liberdade, das baladas, viagens e sexo casual com loucos desconhecidos. Curtir a vida adoidado pode ser ótimo, mas tem algum momento que você quer alguém pra te acompanhar. Quem não consegue abrir mão do comum, sair da mesmice e apostar em algo além, forte, duradouro e raro; ganha de presente um vazio. Um vazio que mais dia, menos dia, cobra seu preço.

Ela sempre sonhou com contos de fadas. Ele nunca pensou no assunto. Ela esperava o príncipe num cavalo branco (ou numa ferrari vermelha, que seja!). Ele queria a que aparecesse pela frente e fosse bonita. Ela acreditava em finais felizes. Ele já criou muitos finais infelizes. Ela quebrou a cara muitas vezes por sonhar com amores perfeitos. Ele já quebrou muitas caras.

Ela sonhava com um príncipe, ou sei lá, um cara lindo e gostoso que a amasse pelo que ela é, diz e pensa. Aquele cara que sabe quando você não tá bem, que faz surpresas e sabe se expressar, que te faz sorrir quando você mais precisa, que te compreende, que não é machista, que gosta das mesmas coisas que você. Ela sonhava com algo que nunca existiu.

Ao longo dos anos, ela foi se envolvendo com caras que nunca corresponderam às expectativas dela, afinal, são humanos. O que se pode dizer? Ela foi magoada por todos eles, de alguma maneira. Se envolveu com calhordas, que passaram por cima de tudo que ela acreditava, sonhava e esperava, sem se quer olhar para trás. Ela superou alguns, esqueceu outros, e fez com alguns o mesmo jogo imbecil ao qual foi submetida. Muitas vezes, quase desacreditou no amor verdadeiro.

Muitas vezes entrou em relacionamentos por não gostar muito de alguém, era o que diziam: “nunca goste mais dele, do que ele de você”. Magoou muita gente também, mas, tudo é um processo. Temos que experimentar de tudo pra saber do que gostamos mais. Ela escolheu ser alguém que se deixa magoar, mas ama. Ela dava valor a pequenas coisas. Um pequeno gesto poderia salvar, ou destruir o seu dia. Guardava tudo na memória; brincadeiras, sorrisos, estupidez, cheiros, momentos, jogos, sensações, brigas, pele, músicas, beijos, abraços, palavras, gostos… Tudo!

Ele não se importava com ela, nem com ninguém. A vida era boa demais para preocupações banais. Os sentimentos dela se encaixavam perfeitamente em “preocupações banais”. Ele ligava, ele mandava mensagem, email, escrevia, mas só quando queria alguma coisa. Era bonito, e fazia mesmo o tipo de qualquer garota na idade dela. Sabia falar, sabia fingir. Ele se magoou com alguém uma vez, mas passou por cima. Mal sabe ele que no amor, uma mágoa é ferida aberta que só cessa de arder quando pensada, sentida, chorada, falada, escrita, gritada… Enfim, quando é expressada.

Eles namoram. Um belo dia, num reino não muito distante, um cara inventou uma história e disse que a garota deveria acreditar nele. E ele conta o mesmo conto a todas. “Você não confia em mim, amor?” Você assiste aquilo tudo, berrando por dentro: “Diga NÃO, não confie nele!” Mas ela acredita, ela se apaixona, ele leva ela para o precipício. Depois de aproveitar tudo que ela pode oferecer, ele a empurra precipício abaixo, deixa ela e o coração beeem lá embaixo, em pedaços. É assim que acontece.

Eles namoraram por um bom tempo até ela descobrir que ele tinha outras. Ela se magoou, chorou, e esperou cicatrizar. Ele, quando percebeu que a perdeu, pegou o cavalo branco e correu o máximo que podia. Mas o seu máximo era pouco, seu cavalo branco era manco, o príncipe era defeituoso. Chegou um pouco tarde, ou não. Ela o perdoou, mas não o quis de volta. A princesa já estava com outro, um plebeu qualquer, que talvez não sirva de nada na vida dela. Mas, ela aprendeu a usar bem um passatempo. Nunca se sabe quando o plebeu vira príncipe, muito menos quando o príncipe é, na verdade, plebeu por dentro. E o fim disso não se sabe, na vida real, os amores não pode ser reduzidos a um “felizes para sempre”.

Contos de fadas podem sempre existir, no coração de quem acredita e toma a lição do conto pra realidade. Gente que leva o que tem de bom nos contos de fada pra vida, gente que acredita no amor, gente que sabe que vai encontrar alguém especial… Essas pessoas vão ter seu conto de fadas, ou conto de fatos – que, convenhamos, pode ser muitíssimo melhor! Na vida real, às vezes, o príncipe foge com a princesa errada ou o feitiço acaba e os dois amantes se dão conta de que são melhores separados. Nem sempre o fim é feliz, mas tudo é real.