Arquivo para janeiro \30\UTC 2010

30
jan
10

Palavras

  • Saber não é importante. O importante é maneira como sabemos. De nada adianta jogar descontroladamente verdades na cara de alguém, se paralelamente a isso você o cativa. Sábios são os que sabem usar a sinceridade. Ser sincero é fácil, mas não é todo mundo que sabe conviver com as consequências de suas verdades.

    Não vou dizer que é uma tarefa fácil terminar um relacionamento sem magoar alguém. Mas ser indiferente a isso é terrível. Aqui fica meu pedido: cuidem dos sentimentos alheios como se fossem os seus. Não sou santa, e já fui muito imbecil. Já magoei muita gente desnecessariamente, já joguei muitas verdades ignorando as consequências. Mas eu aprendi a lição, aquele tipo de lição que provavelmente só se aprende quando sentimos na pele.

    E quem nunca sentiu na pele, vai pisando no coração de todo mundo que cruza o seu caminho. Esse tipo de pessoa pode até atrair momentaneamente, mas não conquista, não soma nada. Passam ilesos pela vida de todo mundo, mas também ficam na vida sem muitas pessoas com quem contar. Esse é o tipo de pessoa que magoa tanta gente que quase ninguém permanece em sua vida.

    Palavras são perigosas. Elas podem tudo. Podem ser duras e secas, podem machucar e podem confortar. Às vezes dizem muito, às vezes nada. Muitas vezes me fazem refletir, sorrir e me emocionar. Podem criar laços ou destruir. Palavras fazem desejar, fazem sonhar ou odiar. Podem se apresentar rimadas, cantadas, descompassadas, sussurradas, ou gritadas. Palavras traem, aconselham, cativam e traduzem o que sentimos. Elas podem mentir e fazer acreditar em algo que nem existe. Podem detonar um coração ou enchê-lo de alegria. Em qualquer momento uma única palavra como “adeus”, pode destruir tudo, mudar os planos.

    Definitivamente o maior – e mais perigoso – poder das palavras é o de fazer as pessoas acreditarem. Acreditar que vai ser diferente dessa vez, no amor, que não é “aquilo” que nós estamos pensando. Cabe a cada um escolher no que vai acreditar, em quem vai acreditar. E também cabe a cada um escolher o que vai ouvir, que palavras vai guardar para si, ou reproduzir por aí. O mais importante não é o que as palavras querem dizer, mas sim o que elas causam em cada um. Já que apesar de poderosas, elas só dizem, nós que sentimos.

    Certa vez conheci alguém que se aproveitava das palavras, fazia com que todo mundo acreditasse que o jeito dele de fazer as coisas era certo. A teoria do cidadão era basicamente assim: “Eu só falo a verdade. Ninguém pode vir dizer depois que não sabe como eu sou, que não sabe da minha maneira de agir ou do meu passado. Eu sou claro e simples, sou assim e quem quiser que venha comigo”.

    Mas ao mesmo tempo que dizia isso, sua postura era totalmente contrária às palavras. Sempre que se relacionava com alguém, utilizava a teoria ao mesmo tempo que cativava. Se alguém te diz que na sua frente tem um abismo, mas fecha seus olhos e de alguma maneira consegue mostrar que pular, dar o passo a frente pode ser bom… Você acaba se arriscando. No fim, é só covardia. Você pula de cabeça, e depois de alguns segundos de adrenalina, morre. E o pior, se pudesse olhar pra trás, ia ver alguém lá em cima, parado no abismo com uma cara de “te avisei que era um abismo”.

    Azar dele. Levando todo mundo pro abismo, não sobra ninguém com quem contar. Uma vez que a confiança é traída, nunca mais é igual. No fim, por trás de todo sem-coração tem algum trauma. E quando esse tipo de pessoa fica só, ela e ela mesma, toda aquela confiança, aquele ar de “cheia de si”, de invencível, insuperável, se vai. Na hora que você quer parar, quer alguém pra contar, pra amar, não sobra ninguém.

    Pessoas que muito dizem e pouco escutam, pouco aprendem. Pessoas que acham que já sabem o suficiente, estagnam. E é assim que é a vida. É importante ouvir as palavras que cada um tem a dizer, pra depois poder escolher o que faz com elas. Ignorá-las nunca é uma boa opção, todo mundo tem algo a dizer. Do bebê que solta um “gugu-dada” ao velhinho que conta histórias. Palavras nunca são inúteis ou descartáveis, mesmo que sejam desnecessárias. Nunca desacredite, elas são poderosas.

26
jan
10

O Poder e a felicidade.

Em alguns momentos, relacionamentos podem ser como um cabo-de-guerra. É como medir sempre forças. É a busca por saber quem é mais forte, quem vai ceder.

Toda a força e o poder nos relacionamentos são de quem se importa menos. De fato, é verdade. Pessoas que não se envolvem, estão no comando. Dentre essas pessoas estão as que não se envolvem por não querer, as que não se envolvem por não conseguir e as que não se envolvem porque não conseguem mas acham que não se envolvem porque não querem. Mas, de que adianta mesmo o poder em um relacionamento?

A felicidade não é, nem nunca vai ser poder. Ela está, com certeza com quem se importa mais. Quem se importa mais, se entrega, se envolve e não tem medo de amar. Para essa pessoa, tudo o que viveram foi real, todos os sentimentos foram bem sentidos e não apenas falados, reproduzidos e inventados. Essa pessoa pôde usufruir de tudo que o amor pode ser e dar.

O dono do poder pensa que venceu o cabo-de-guerra, que está por cima no relacionamento. O dono da felicidade, possui tudo que de melhor um relacionamento pode trazer, a felicidade. Quando se tem o poder e a felicidade em jogo em um relacionamento, ele com certeza, terá pesos diferentes para cada um.

O mais importante em um relacionamento é que ele traga felicidade e aprendizado. Já dizia minha vó: “Alice, o amor tem que ser a solução e não mais problemas. Amor é aquilo que consegue te fazer feliz, tirar um pouco da carga ruim da vida que a gente pode estar carregando”.

Mas quando minha mãe me disse “filha, é sempre melhor que o homem goste mais da mulher”, eu quis dizer “mãe, é sempre melhor que os dois se amem igual”. Desisti de dizer porque pensei que era estupidez, eu estava no auge dos meus 12 anos e achava que os adultos tinham que saber necessariamente muito mais do que os mais novos sobre tudo.

A única coisa que você pode controlar, que está única e exclusivamente em suas mãos são as suas escolhas. As pessoas mais difíceis de serem amadas são as que mais precisam de amor. Quem não sabe dar amor, precisa mais que todo mundo, receber. Infelizmente é difícil, se não for impossível um relacionamento cem por cento equilibrado, na questão da intensidade de sentimentos. O que não pode acontecer é a vontade de ter o poder, ou de ganhar o cabo-de-guerra seja maior que tudo.

Acho muito injusto esse desequilíbrio. Talvez um dia eu encontre o meu “cem por cento equilibrado”. Eu me achava forte, comandava os relacionamentos, era a dona do poder, e achava isso bom. Sempre gostei de ter o poder, até experimentar ter a felicidade. Não vou negar, é bom ter o poder! Mas melhor ainda é ter a felicidade, amar, mergulhar de cabeça em um relacionamento como se nenhum outro já tivesse dado errado.

Tem pessoas que simplesmente não conseguem abrir mão do poder, ou só não querem experimentar o outro lado. A escolha é sua. Você só não pode deixar que te façam sentir que não tem forças ou não merece o que quer. Pessoas que depositam sua fé em alguém ou em algo, merecem mais, muito mais do que a verdade, merecem ser recompensadas.

É importante entrar nesse jogo como se não existisse vencedor e derrotado. Quando a pessoa tem alguém que realmente quer bem, alguém para proteger, essa pessoa se torna verdadeiramente forte. Talvez o dono do poder nunca descubra a dimensão de um sentimento verdadeiro, nunca entenda o momento em quem a emoção é tão intensa e tão maior que transborda do corpo, quando os sentimentos ganham poderes, quando seu corpo chora.

Agora, se preferir ignore tudo o que eu falei. No fim, o que importa mesmo é amar. Independente de quantidade, amar incondicionalmente.

“The greatest thing you’ll ever learn is just to love and be loved in return.”

08
jan
10

Tudo tem um lado ruim, até o verão.

 

Chegou o verão! E as férias também! Podem dar pulinhos de alegria. O verão é ótimo, não tenho raiva dele. Tenho raiva de ser mulher nessa época. É, talvez outras mulheres possam entender toda a raiva que tive hoje do verão.

Juro, dá raiva você ter que se depilar até a alma para colocar aquele biquíni lindo que comprou. Fora que se você está acima do peso é um tormento ir a praia ou clube e ver aqueles corpitos sarados em micro-biquínis.

E o cabelo? Meu cabelo passa por uma avacalhação geral nesse mês de praia… Quando chego em casa ele já está implorando por um salão.

Eu amo o verão, de verdade. Sempre passo o mês inteiro na praia, curtindo até a última gotinha dele. Mas o caos já começa em casa, na organização das coisas pra levar pra casa de praia. É travesseiro, Televisão, DVD, CD’s, rede, comida, cerveja, protetor solar, guarda-sol, material de limpeza, sogra, isopor, dominó, baralho… Caralho! É coisa que não acaba mais…

Daí você vai, enfia tudo no carro, de qualquer jeito que caiba. O carro vai superlotado de gente e a mala de coisa. E o pior, você não sabe em qual categoria se enquadra sua sogra, entre gente ou coisa. Então ela não vai na mala só por uma questão de praticidade, ela não iria caber.

Chegando na praia, você sente alívio, porque vai poder ficar a uma distância maior do que um banco da sua sogra. Daí, você olha pra cara da sua empregada, é possível sentir o ódio no olhar dela quando você abre a porta da casa, e vê o estrago que alguns meses sem uma faxina conseguiram causar na sua casa.

Tudo limpo, a casa organizada, quando você pensa que vai deitar na rede e curtir uma cerveja geladiiinha, você lembra… Ela não está geladinha. E percebe que todas as redes já estão ocupadas. Você pensa em ir no bar na beira da praia, mas lembra que aí você teria que levar sua sogra de arrasto. “Não! Quem quer beber qualquer coisa gelada na praia? Ninguém não é mesmo?”

Aí você vai tirar seu biquíni da mala, e lembra: “Oh my… Não fiz minha depilação!”. Daí você se afoga entre Blondor, cera quente, pinça, gilette, e aparelhos elétricos de depilação… Imaginando qual seria a melhor opção de última hora. No fim, você resolve que a melhor solução é esconder com um short o cantinho, depilar as penas com gilette e fazer as axilas com cera quente.

Tudo resolvido e você entra no mar, pra quê? Agora tudo arde, depois dessa sessão depilação, você não poderia esperar outra coisa. E percebe seu esmalte já descascando. Você sente uma agradável sensação, a água fica quentinha… “Puta merda! Mijaram aqui”. Sai do mar, e leva uma bolada de frescobol, e você pensa “faz jus ao nome, seu fresco!”. Quando pensa que vai ter paz, surgem do além quinze mil crianças correndo e gritando… E aí você percebe que um cachorro mijou na sua bolsa nova de praia. “Cacete!”.

Ignorando tudo, você senta na cadeira, pega a revista e começa a ler. A cada cinco segundos um carro de som com CD’s piratas passa tocando: “Ela sai de saia, de bicicletinha…”. E nos cinco segundos de pausa passa um nativo vendendo amendoim, protetor solar, o cara!#@ a quatro…

Quando você percebe, já é tarde e você já está da cor de um camarão. Tem sargaço e areia por onde você não imaginava que poderia entrar. Você volta pra casa, cheia de assaduras, e vai pro banho. Descarrega a praia que você trouxe no biquíne, e entope o ralo… Ao se olhar no espelho acaba soltando um gritinho de pavor, você parece o “seu sirigueijo” com uma vassoura na cabeça.

Unhas mal feitas, o corpo todo ardido, cabelo duro, e ainda perdeu no baralho pra quem? Quem? Quem? Ela mesmo, sua sogrinha! Aí, você pensa: “não pode piorar, não pode”! E pimba! Parabéns, você menstruou, amiga!

Você quer chorar, mas só o que você consegue fazer é rir, devido a quantidade de vodka ingerida e a música ao fundo, pra variar “ela sai de saia, de bicicletinha…”. Ah, inferno… Você resolve dormir. E quem disse que você encontra uma posição pra dormir? Tudo arde.

Finalmente você encontra uma posição, e o sono vai chegando, embalando… “PEEEEM PPPEEEMM, TUUUUNTZZ TUUUUNTZ!”. E começa a guerra de sons entre os seus vizinhos e suas caminhonetes turbinadas. “Oh céus!”. Você levanta fula da vida, olha pros lados e ataca o potão de sorvete na geladeira, sem culpa.

Senta do lado do seu namorado, que dá uma sacada em você de cabo a rabo e diz: “Amor, acho que você deu uma engordadinha…” – Você faz uma cara de ódio, fuzilando ele -. “… Erh… você tá linda, muito mais bonita! Antes tava assim, sei lá, muito magra!”.

Eu ainda amo o verão, apesar de tudo. Estou indo para praia amanhã, curtir tudo isso! E por esse mesmo motivo, o Blog ficará um pouco abandonado… Daqui há duas semanas estou de volta, com histórias novíssimas de verão. Bom verão e boas férias para todos!

07
jan
10

100 things that make me smile.

 Outro dia estava conversando com um amigo, ele estava meio triste com a vida. Dei um conselho que resolvi seguir também. Disse que nessas horas, era bom ele fazer coisas que ele gosta… Ouvir a música preferida, ver um bom filme, comer o prato que ele mais gosta, ir pra algum lugar que o faça bem, enfim; buscar sensações que deixam ele feliz. E percebi que era importante que todo mundo tivesse pelo menos uma listinha pra se basear das coisas que melhoram o humor. Acabei fazendo uma pra mim.

Lógico que existem muito mais de 100 coisas, mas eu iria passar a vida inteira escrevendo aqui, até porque eu acabo rindo de tudo. Resolvi simplificar e aqui está a lista.  

1. Cócegas nos pés.
2. Chocolate.
3. Um abraço bem apertado.
4. Um momento constrangedor.
5. Uma criancinha sorrindo.
6. Meus amigos.
7. O mar.
8. Meu pai quando inventa milhões de apelidos pra mim.
9. Um beijo-surpresa.
10. Bolas de sabão.
11. Sons estranhos.
12. Palavras terapêuticas.
13. Minha mãe cantando.
14. Lembrar de bons momentos (além de sorrisos, me garante uma bela cara de boba). Ou só pensar em coisas que me fizeram rir, e ainda fazem.
15. Minha irmã zumbi no meio da noite.
16. Fotos.
17. Minha prima correndo no parque e malhando comigo.

18. Sensação de férias.

19. Minha prima e minha tia dançando Basshunter na praia comigo.
20. Correr, correr e correr, até cansar.
21. Comédias românticas.
22. Sexta-feira.
23. Uma boa companhia.
24. Surpreender alguém, ou ser surpreendida.
25. Pipoca e refri.
26. Um novo amor.
27. Minha vó, que é a coisa mais linda desse mundo.
28. Tirar uma foto logo depois de acordar.
29. Liquidações.
30. Sorvete.
31. Uma tarde ou noite das garotas (muita fofoca e boas lembranças).
32. Cheiro de praia.
33. Pessoas idiotas.
34. Novos amigos.
35. Minha irmã num duelo de karaokê comigo.
36. Ouvir Sondre Lerche.
37. Sair do salão.
38. Caminhar pelas ruas desejando um bom dia e ver as reações.
39. Viagens com as minhas primas.
40. Histórias antigas do meu avô.
41. Ficar presa num engarrafamento.
42. Dançar, “like nobody’s watching”.
43. Ouvir meu pai contar sempre a história da plantação, a famosa “quem planta, colhe”.
44. Amar, “like I’ve never been hurt”.
45. Comerciais com crianças.
46. Pérolas do Orkut.
47. Tomar banho de chuva.
48. Lembrar de algo que eu queria lembrar há séculos.
49. Perder um vôo.
50. Ver hits do Youtube com a minha irmã.
51. Jogos em geral, mas de preferência UNO, na praia.
52. Cachorros grandes e bobões.
53. Viajar com minha irmã me chutando no carro, e dormindo no meu colo 2 minutos depois.
54. Ver que ainda existem pessoas puras no mundo.
55. Aventuras.
56. A moda da adolescência da minha mãe.
57. Levar um tombo.
58. Uma boa conversa.
59. O desconhecido.
60. Entender que tem coisas que só um sorriso consegue dizer.
61. Pensar na vida.
62. Irritar minha irmã.
63. Ver fotos antigas, e perceber o quanto patética eu era… E o quanto patética eu vou ser novamente, daqui há uns anos.
64. Passar vergonha acompanhada.
65. Uma tarde no parque.
66. Castelos de areia.
67. Um sorriso.
68. Fotos espontâneas.
69. Um casal de velhinhos, o amor que se renova.
70. Sonhar, e realizar.
71. Finais felizes.
72. Homens que gostam de escutar e até de discutir
73. Casamentos.
74. Receber ligações pela madrugada, geralmente de amigos embregados.
75. Não desistir.
76. Cantar, “like nobody’s listening”.
77. Escrever.
78. Ler.
79. Um momento só meu.
80. Uma mensagem de texto no meio do dia.
81. Baixar os vidros do carro, aumentar o som e cantar bem alto uma música que eu adoro.
82. Cheiro de espirro.
83. Uma ligação só pra desejar um bom dia.
84. Sentir o vento no rosto.
85. Água gelada.
86. Cinema.
87. Montanhas-russas.
88. Assistir desenhos animados.
89. Fazer alguém sorrir.
90. Reconhecer cheiros, principalmente o do perfume de um namorado.
91. Conhecer lugares novos.
92. Estrelas.
93. Planejar.
94. Cozinhar.
95. Acordar me questionando se o dia anterior foi real ou não.
96. Natal.
97. Companheirismo.
98. Abraços de Ano Novo.
99. Momentos de inspiração.
100. Um segredo compartilhado.