05
nov
09

This is not a love letter (o último adeus à um Don Juan).

  Tudo que alguém já quis te dizer.

  “I never read you letter ‘cause I know what you’d say”. Escreveu numa carta tudo o que você nunca teve coragem de me dizer olhando nos olhos, “repent yourself away”. Não sou como você, não tenho problemas em falar o que penso olhando nos olhos. Apenas acho que você não merece. Essa será a última vez que terei o desprazer de falar sobre você e com você. Espero que através dessa carta, compreenda o que estou tentando te mostrar faz tempo: acabou. “Não vou mais te perdoar, Você foi longe demais. Meu amor, não sou tão só assim”. E não se faça de idiota, você entendeu, essa vai ser minha última tentativa de mostrar o seu nível de cretinice. Aqui estão os fatos.

Desde a primeira vez que ouvi falar de ti, achei inacreditável que tantas pudessem se apaixonar por um velho personagem de Don Juan. Quando nos falamos pela primeira vez te achei insuportável e arrogante. Tinha todo aquele ar presunçoso, de quem pensa que é alguma coisa demais. E definitivamente, você se achava irresistível (e ainda se acha), e acreditava piamente que nenhuma mulher poderia resistir ao seu charme. Parecia que todas eram cegas, ou que eu era estranha… Ninguém conseguia ver como você era de verdade, por trás de tanto charme. Talvez por isso eu te intrigasse tanto, e talvez isso que me fazia tão atraente para você. Tudo que é mais difícil, é mais gostoso.

Depois vim saber dos comentários que rolavam entre os seus amigos. Eles sempre dizendo que eu fazia teu tipo e que, pelo jeito, era uma das poucas suficientemente inteligentes para não cair na sua lábia. Já era demais! Você não podia suportar, era a gota d’água. O seu frágil ego precisava de mais um troféu na estante, nesse caso, um troféu dos bons (já que a batalha não seria simples). Já tinha se tornado uma questão de honra. Agora eu seria conquistada, a qualquer custo. E aí você me veio com aquele seu joguinho fajuto de conquista, o qual você estava acostumado a ganhar. Mal sabia que quando eu entrava num jogo, era pra ganhar.

Começamos como amigos, “it was cool, but it was all pretend”… Passamos a nos encontrar com mais frequência. Você parecia estar mudado… Não fazia mais de tudo pra chamar atenção, não dava mais tanta atenção às peguetes, e eu, dessa maneira, comecei a não me afastar mais de você. Você realmente se dedicou, arrumou tempo pra mim. Passei a não fugir e depois até a ir um pouco atrás. Comecei a acreditar que comigo poderia ser diferente, doce ilusão. Nos víamos com mais e mais frequência, até que isso se tornou diário. Se não nos víamos um dia, passávamos horas no telefone e o dia trocando mensagens pelo celular. Podíamos falar sobre qualquer assunto, me sentia bem ao seu lado. Ríamos à toa, como dois apaixonados. Cada momento tínhamos uma pauta diferente: roupas, peças, filmes, romances passados, amigos, gostos e desgostos. Até chegar um momento em que não era necessário muito falar.

Algum tempo depois, podia sentir a sua presença… Era só fechar meus olhos e deixar os outros sentidos e a minha memória funcionarem. Sentia seu cheiro em qualquer lugar que eu estivesse. Podia te ouvir cantando alguma música comigo enquanto estávamos no carro a caminho de algum lugar, ou falando, num sussurro quase que inaudível: “estar contigo me faz tão bem, sweetie. Eu conseguia ver o sorriso no seu rosto, como se estivesse na minha frente, materializado. Era como se o jogo se encaminhasse para o fim, um último golpe e o monstro seria vencido. Eu já estava apaixonada, agora faltava pouco para o fim. Pena que você não lembrou que, às vezes, os jogos tem reviravoltas e o quase-vencedor, pode se tornar o último colocado.

Nunca esteve em meus planos me apaixonar, ainda mais por você, que passou de um patético Don Juan a uma criatura fascinante. Quanta bobagem! Se apaixonar é mesmo idealizar, é só quando a paixão acaba que a gente percebe que a pessoa era, na verdade, cheia de defeitos. Parecia uma menina novinha, boba, apaixonada… Aquele sentimento bonitinho, meu coração parecendo que ia pular fora de mim ao te ver. Mil apelidos carinhosos, músicas “só nossas”, lugares “só nossos”, livros de presente, CD’s com dedicatórias… Tudo estava correndo como você planejava. Você estava cada dia mais tranquilo, e eu cada dia me enganando mais com o seu olhar. Tola! Porém, “I’m adaptable and I like my role. I’m getting better and better and I have a new goal…”.

Até que, aconteceu… Nos beijamos. Talvez você não tenha a noção mas, eu passei horas viajando de volta ao nosso primeiro beijo, não conseguia lembrar de nada ao redor, apenas de você, do seu cheiro. E do primeiro beijo para o começo do nosso namoro foi um pulo. E desse pulo, vieram as mudanças. Pelo fato de eu ter aceitado seu pedido, o sentimento de vencedor já se mostrava nos seus atos. E só faltava mais um passo agora, o famoso “bye bye” ou pé-na-bunda, como quiser chamar. Mas minha paixonite dificultou um pouco as coisas para você. Tentou voltar a agir como um idiota, Don Juan, achando que isso iria me fazer desistir de você loguinho. Uma pena eu estar realmente apaixonada, e ter feito de tudo para manter nosso relacionamento. Até quando nós brigávamos, mesmo quando a culpa era sua, era eu quem cedia: “Desculpa, sweetie… Você sabe que eu te amo”. Estúpida!

E assim fomos indo por um ano. Até eu descobrir sua vida amorosa tripla! Segundas, terças e quartas, era o meu namorado, e eu fazia tudo que você queria. Nas quintas e nos domingos tinha uma namoradinha, do trabalho. Nas Sextas e sábados, você nos traía com qualquer uma que encontrasse pelo mundo. É… como você já sabe, acabei o namoro. Você ficou numa satisfação só, eu via no seu olhar e na sua cara, tentando se conter. Mas ao passarem alguns dias, você viu que eu não te procurei como de costume, que eu literalmente, sumi do mapa. Você sentiu falta sim mas, não de estar comigo, e sim, de eu não te procurar, de correr atrás de ti (como todas as suas “ex” fizeram).

E foi única e exclusivamente por isso que você veio me procurar. Eu não conseguia entender nem aceitar. Traição já é demais, mas traição com um bônus de outra namorada… Era muito pra mim. Então, você vem me dizer que só agora percebeu o quanto me amava, e que ficar esse tempo sem a minha companhia tinha mostrado que a sua vida era sem graça sem mim. Que sentia falta do meu cheiro, do meu olhar, das nossas conversas e do meu sorriso. “Que foi apenas um deslize, que você preza pelo meu amor… Tenha dó! Não mereces o afago nem de Deus nem do Diabo, quanto mais da mão que um dia eu dei a ti”.

Dói saber que eu nunca mais vou estar lá por você? Eu sei que você vê meu rosto e sente meu cheiro por todo lugar. “It was you who chose, to end it like you did”. Eu fui a última a saber e você sabia exatamente o que estava fazendo. Não venha me dizer que você perdeu o rumo, que você só estava desorientado. Talvez a outra ou as outras, acreditem em você, mas eu não.

É verdade, a saudade bateu e forte, por uns tempos. Mas o meu amor já se foi, “tempo voa e quando vê, já foi!”. Aqui vai o meu conselho: fique com a sua outra namorada, a trouxa. Pelo visto ela ainda te quer, sendo assim, vocês devem mesmo se merecer. A ignorância é realmente uma bênção, ótimo pra você e pra ela. “I hope the ring tou gave to her turns her finger green. I hope when you’re in bed with her you think of me”.  Alguém tem que dizer a verdade, e eu sou sempre honesta. Eu posso ler você como um livro aberto, e é claro pra mim, que “she’s just the one between, heading no where fast”.

Ainda tem cara pra me mandar rosas vermelhas junto com um cartão dizendo que só você me ama e me conhece verdadeiramente. Por sinal, se me conhecesse mesmo, não me daria rosas vermelhas mas sim, tulipas. “Don’t wanna think about it, don’t wanna talk about it, I’m just so sick about it… Tell me is this fair?”. Veja se não me procura mais, cansei de rejeitar ligações e de receber suas cartas e mensagens. You should know that what goes around, comes around. Aproveite a ignorância!

Sweetie.

Never Again – Kelly Clarkson:


3 Responses to “This is not a love letter (o último adeus à um Don Juan).”


  1. 6 de novembro de 2009 às 2:50 PM

    Peço desde já perdão pela rudeza das palavras, mas nunca é tarde para jogar o lixo no lixo…

    A vida vai ser dura para esse mocinho…

    Beijo.

  2. 2 guida.ribeiro
    7 de novembro de 2009 às 12:42 AM

    Estou contigo com as tulipas, são muito mais realistas. Fico imaginando a “Tistu”, (a outra namorada)… que responsabilidade, pegar o rescaldo é para perdedores.
    beijo

    guida.ribeiro


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