Arquivo para novembro \26\UTC 2009

26
nov
09

Se arrependimento matasse…

  Todo mundo já se arrependeu de alguma coisa. Dizem que é melhor se arrepender de algo que você fez, do que de algo que você deixou por fazer. Na maioria dos casos é bem assim, mas não sempre. Algum dia sua mãe já deve ter te dito: “pense bem antes de falar!”. A minha já, e de tanto pensar, às vezes, eu estrago tudo.

  Quando você tinha toda uma possibilidade de ser muito feliz, com alguém que é realmente importante pra você, por que jogar fora? Não me pergunte, eu não sabia o que estava fazendo. O pior é errar, sabendo que a probabilidade de se arrepender é maior que a quantidade de perfumes franceses em um “free shop”.

  Andei relembrando um relacionamento que tive, e que por diversas circunstâncias não deu certo. Circunstâncias mais minhas que dele. Aconteceu quando eu estava numa situação complicada, com o coração confuso (e quando eu não estou, né?). Isso tudo porque eu ainda tinha o amor-carma na minha vida. Enfim, éramos colegas e em pouco tempo passamos a ser amigos. Eu não desconfiava que ele tivesse lá uma paixonite aguda por mim, essa idéia não passava pela minha cabeça.

  Certo dia ele resolveu dizer tudo o que sentia, e que não tinha falado ainda porque tinha medo de acabar nossa amizade ou sei lá o quê. O fato é que eu precisei de tempo (e muito), pra digerir isso tudo. Até que um dia, depois de muito papinho pra lá e pra cá, muita indecisão, medo de ser magoada e de magoar, eu cedi. E não vou mentir, foi totalmente diferente de qualquer coisa que eu já senti quando beijei alguém. Primeiro que foi um beijo-surpresa; e só tem primeiro, porque o resto, não sei como explicar mesmo. 

  Cedi, mas se engana quem pensa que com isso fiquei menos confusa. Pelo contrário. Tinha toda aquela história que todo mundo já conhece de estragar a amizade e tudo mais. E foi no meio de toda essa confusão que eu viajei, fui passar uns meses estudando em outro estado. Por uns tempos, eu me senti pressionada a decidir algo, mesmo pela internet. E resolvi que era melhor que eu fosse franca ou pelo menos, que eu mentisse se isso ajudasse as coisas a ficarem melhores entre nós dois. Fazer de conta que não significou tanto pra mim, podia tornar as coisas mais fáceis (burra, desde quando uma mentira facilita algo?). 

  Disse a ele que não via futuro nesse relacionamento e tudo mais. Me senti muito mal, não sabia muito bem o motivo, mas lá no fundo eu tinha certeza de que o contato entre nós iria acabar. Não tem como saber, mas acho que ele ficou realmente magoado comigo. Acertamos que a amizade continuaria, afinal, ela já existia antes disso tudo acontecer. Só que nesse meio tempo, eu mudei muito, ele mudou muito… Acabamos nos afastando e não nos reconhecendo mais. 

  Quando eu voltei da viagem, percebi que sentia muita falta dele, sempre. E pra piorar, na faculdade tinha um cara exatamente igual a ele, tudo igual! A voz, o jeito de andar, de sorrir, de falar, de gesticular… Era impressionante e agoniante. A cada dia eu sentia mais saudade e vontade de falar com ele. Até que resolvi mandar um email, perguntando o que tinha acontecido conosco, porque a gente não se falava mais, etc e tal. 

  Depois de hesitar muitas vezes, mandei o email. Uns dias depois recebi uma resposta dele, dizendo que ele não guardava mágoa de mim nem nada, só o meu jeito que não o agradava mais. Fiquei uns dias magoada, e pensando que se ele não gostava mais do meu jeito, não tinha porque ele querer manter amizade com alguém como eu. 

  No fim das contas, nós resolvemos tentar de novo uma amizade. Claro que eu sei que vai demorar bastante pra essa sensação estranha entre nós desaparecer. Tudo não vai voltar a ser como era antes num passe de mágica, infelizmente. Mas sinto falta, de tudo… Do amigo que eu tinha e da oportunidade que eu perdi. E eu sabia, antes de tudo desandar, eu disse a ele em tom de brincadeira: “quem sabe um dia o jogo não inverte e eu que vou ir atrás de você, e quem sabe, nesse momento você nem vai me querer mais”. E eu ri, como quem prevê o futuro e não acredita no que viu.

  Já dizia Emanuel Wertheimer: “O arrependimento sincero é geralmente resultado da oportunidade perdida”. Não sei se o arrependimento maior foi ter cedido, ou ter largado depois. Ao ceder, isso colocava em risco nossa amizade. E ao desistir, eu jogava fora uma chance de ser feliz. Acho que na verdade, eu vivo boicotando minha felicidade. Quando eu tinha tudo pra ser feliz, pra conseguir fazer dar certo, eu joguei fora. Descartei como quem joga fora um chiclete sem gosto. Ele não merecia isso, e eu não merecia ele, nem o que ele sentia por mim. 

  Então, foi mesmo o melhor a fazer, acho que acertei mesmo errando. Ele, com certeza, encontrou alguém melhor. Ah, e eu já falei que agora quem tá indo pra outro estado estudar é ele? Pois é… O mundo dá voltas. And in many ways, it’s too late for me. Ainda bem que Voltaire me conforta: “Deus fez do arrependimento a virtude dos mortais”. Pelo menos essa virtude eu tenho. Não tenho vergonha de me arrepender de nada, afinal, só as mentes nobres não se envergonham de um arrependimento.

Mais uma de James Blunt pra vocês, Love love love:

“And you're just one of many who broke their heart on me. And so I say I don't love you though it kills me. It's a lie that sets you free.”
24
nov
09

A arte do encontro.

   Quem já se apaixonou por um olhar? Não sei bem como explicar isso, mas aconteceu comigo ontem. Sendo bem sincera, nunca acreditei muito nessas coisas de amor à primeira vista. Acho que tudo muda, a partir do momento que acontece com você. É só uma questão de ponto de vista, quem viveu sabe por experiência própria, e quem não viveu, sabe pela experiência dos outros. E como todo mundo sabe, não são todas as pessoas que conseguem aprender a lição através da experiência alheia. Eu precisei ver pra crer, ou melhor sentir, pra crer. E aí sim, descobri o que é um amor impossível.

  Segundo meu querido dicionário Luft: – Im.pos.sí.vel: 1. Que não pode ser ou não se pode fazer. 2. Incrível. 3. Extravagante. 4. Muito difícil. 5. Insuportável. 6. Coisa impossível.- A.mor: 1. Afeição profunda. 2. Objeto dessa afeição; pessoa amada. 3. Zelo; cuidado. Vou tomar amor impossível por afeição profunda que não pode ser.

  Estava andando na calçada, vento no rosto, sensação de liberdade. Segui em direção contrária ao fluxo de carros. Gosto de observar os rostos dentro dos carros, e dessa vez não foi diferente, só me distraí por um momento. Não pude deixar de observar duas freirinhas encostadas numa árvore sorridentes comprando filmes piratas, gravei a cena na minha memória e segui rindo. O sinal fechou, e dessa vez, encontrei um olhar que ficou fixo no meu, tempo o suficiente para que eu me apaixonasse. Talvez, 15, ou 20 segundos.

  Eu sabia que o momento ia acabar, mas isso não fazia dele menos especial. Nunca vi um olhar assim, talvez não veja mais. Estava rindo, assim como eu, não um para o outro. Ambos sorriam de coisas distintas, até nossos olhares se encontrarem. Nem tive chance de observar se tinha outra pessoa ao lado dele no carro, ou se ele também ria das freirinhas… Quem sabe?

  É provável que esse encontro de olhares nunca mais aconteça, mas o fato é que o meu olhar se apaixonou pelo dele. Mas, assim como duas pessoas que se encontram uma vez, e talvez não se encontrem mais, nossos olhares não deixaram de aproveitar nenhum segundo desse encontro. Os sentimentos são realmente estranhos, não estranhos por uma perspectiva ruim, estranhos por sempre conseguirem nos surpreender e carregarem tanta magia consigo.

  Consegui em poucos segundos sentir todas aquelas coisas ao mesmo tempo. Meu coração acelerado, roubou toda a minha força, parei de andar. Só fui me dar conta que estava ali, parada na calçada quando o sinal abriu. Enquanto isso, algumas muitas pessoas apressadas passaram por mim, algumas poucas pessoas lentas também. As pessoas que estavam por algum motivo na rua, paradas, devem ter me observado sem entender porque eu estava parada, olhando fixamente para a rua. Tantos carros, tantos olhares, e eu encontrei esse. De fato, um amor impossível. Minha única certeza é que, se um dia encontrar novamente esse olhar, eu vou saber.

  Me lembrou uma outra história, onde me apaixonei por um sorriso. Não existia a possibilidade de encontrar ele novamente. Deixei isso pra lá, tentei jogar fora a idéia. Mas, era fechar os olhos que lembrava do sorriso. Uns dias depois, fui no Orkut de uma amiga, e por coincidência ou destino (chame como quiser), tinha uma foto de um cara sorridente lá no canto direito da página. Eu não tinha certeza, não podia ser! Mas era ele. Tomei a iniciativa, não podia deixar passar. No fim não deu certo, era só o sorriso mesmo. Mas eu ganhei um amigo, um amigo que tem o sorriso mais lindo que eu já vi.

  Sinceramente, sou boa com feições, mas nem lembro muito bem do rosto do cara do carro. Só dos olhos. Coincidência que a janela do motorista estivesse aberta justamente na hora que eu passei? Coincidência o sinal fechar? Coincidência eu rir das freirinhas e encontrar um olhar sorridente seguindo o meu? Pode ser, pode não ser. Quem sabe não é destino? Quem sabe eu não viajo muito em pensamentos, e talvez esse cara do carro nem tenha trocado um olhar comigo propositalmente. Vai ver ele estava só de olhar vago, sem olhar pra nada em especial, esperando o sinal abrir.

  Depois que me dei conta, segui rápido, querendo saber que caminho o carro tinha pegado. Se já tinha estacionado, se morava por ali mesmo… Já era tarde, todo esforço de ir atrás seria em vão, e lembrei-me do destino, sei que se tiver que acontecer novamente, vai acontecer. Agora, mais do que nunca, ando olhando os rostos nos carros, quem sabe, esperando encontrar novamente aquele olhar.

  Não sei se me apaixonei pelo olhar, ou pelo momento em si. Dizem que os olhos são as janelas da alma, talvez então, tenha sido um encontro de almas. Não sei, só sei que o momento se eternizou na minha memória, é único, não vai se repetir. Não com aquele cenário, aquela música no meu Ipod, aquelas freirinhas e aquele meu sorriso. Já dizia Vinicius de Moraes: “A vida não é brincadeira, amigo! A vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro nessa vida”.

Para que vocês possam participar um pouquinho mais da cena, vai aqui a música que tocava no momento (não podia ser melhor!):

“I saw your face in a crowded place, and I don't know what to do, 'cause I'll never be with you. Yes, he caught my eye, as we walked on by. He could see from my face that I was, flying high. And I don't think that I'll see him again, but we shared a moment that will last till the end.”
23
nov
09

o monstro Amor

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Conversa, com Aline Mariz, sobre o MONSTRO chamado Amor. hsuishuishish, deliciem-se.

-O amor nasce, sem anunciar sua presença, ele cresce, sem mostrar sua verdadeira face, se fantasiando de amizade, admiração, paixão ou atração, e aí, quando chega a hora da verdade, quando se depara com a saudade, ele inflige dor, uma dor que só é gerada por amor.
É como um parasita, que entra sem ser convidado, se alimenta sem ter permissão, e vai ficando por ali. E como todo parasita, chega uma hora, que ele começa a destruir seu hospedeiro. Pelo menos ele normalmente é assim, só que a mágica do amor, está justamente nisso.
Ele tem a habilidade única, de transformar seu hospedeiro, em uma pessoa melhor, normalmente, ele é como qualquer doença, que só destrói, mas em casos raros, ele só faz o bem, quando a saudade vem, ele torna tudo mais bonito.
-Mas o amor acaba machucando. e a saudade que vem desse tipo de amor, dói. e dói muito.
-Claro, mas, às vezes, em casos raros, o amor não gera dor, gera cor, traz alegria, e a saudade, se torna nostalgia.
-Mas sabe o que é pior? É quando sente nostalgia de algo que não te fez bem. Se bem que a nostalgia me traz os melhores momentos.
-Nostalgia por definição é algo bom; Saudades por definição é algo que nos faz falta. Saudade ou é agonia, ou é nostalgia.

deu vontade de colocar Cazuza.

19
nov
09

What a day! Razão vs. Coração.

That’s what you get when you let your heart win: um coração partido, uns quilos a mais e muitas lágrimas. Não, não se preocupe, eu não vim aqui hoje para falar que estou desiludida e que o amor é uma droga. Pelo contrário, o amor é mesmo lindo! Resolvi falar hoje sobre a eterna luta entre coração e razão.

Não podemos justificar tudo cientificamente, infelizmente (ou felizmente?). E aí, no meio do caminho fica o mágico, o sobrenatural, o que vai além da compreensão… Essas coisas a gente costuma justificar pelo coração, pelo sentimento…

Por exemplo, agora eu tenho uma bomba nas minhas mãos, prestes a explodir. Entre a razão e o coração. Dois caras, duas personalidades, e duas intenções. Um é um ex-namorado, no quesito sentimento e segurança, ele ganha. O outro um ex-ficante, no quesito aventuras e diversão, ele ganha. Enquanto a minha razão é bem franca e diz que eu devo escolher o ex-namorado, e ficar com a segurança, o meu coração a cada batida diz que eu deveria escolher a aventura, o novo, o inseguro.

Sou realmente inconstante. Talvez eu não deixe a minha inconstância imperar, mas eu mudo de idéia como quem muda de roupa, quando se trata dos meus relacionamentos. Uma hora quero um, outra hora quero outro, e por enquanto estou com o que chegou primeiro (o ex-namorado), com quem certamente seria muito mais fácil me relacionar, no sentido de ter alguém que goste de mim de verdade e tal. Mas o friozinho na barriga vem com o ex-ficante, com quem eu sei que um relacionamento real e com sentimentos reais está beeem distante… E nisso a luta segue, Razão versus Coração. E quando eu penso que um vai ganhar, aí é que eu me engano e volto para a estaca zero.

Às vezes o meu coração me impulsiona a fazer coisas, a ir atrás da aventura que tanto faz parte de mim. E eu simplesmente faço, até a razão tomar as rédeas e dizer que não é bem por aí que a banda toca. A razão guarda a experiência, tem a memória de quem já sofreu. Já o coração pouco se importa, quer saber mais de viver e sentir. O coração me remete à liberdade. Talvez eu goste mais da idéia do coração, nesse caso, porque é o que eu não deveria fazer… Porque é o que a razão diz pra não fazer, e eu tenho mania de ir atrás do que não devo.

Assim meio que como menina pequena, me avisam o que não devo fazer, e eu só por curiosidade, vou lá e faço. Foi assim quando quebrei o braço, quando levei vários pontos na cabeça, quando quebrei a TV, quando quebrei o pé da minha prima… Enfim… A gente DEVERIA seguir os mais velhos, quem tem mais experiência. Isso mesmo, quem já viveu mais, desobedeceu e percebeu que não era bom. A gente também deveria seguir a razão, quando ela nos aconselha lembrando dos nossos erros antigos. Mas, às vezes, a gente teima em desobedecer. É como dizem, se conselho fosse bom não era de graça.

As coisas do coração não são comprovadas cientificamente, mas podemos conferir na vida, todos os dias. Testando e errando. Errando e aprendendo. Errando e esquecendo. Errando e errando de novo. Viver como manda o coração vai além. E está estampado numa atitude, na maneira de ser e sentir. Pra mim o que é bom mesmo é o que está muito além da compreensão intelectual.

Mas, voltando à minha decisão. Minha razão elaborou umas questões para ver se me decidia. Ela é cruel sempre tão analítica e racional… O que eu quero pra mim? Em que situação me encontro? Segurança ou diversão? Amor ou aproveitar o momento? Compromisso ou liberdade? Se eu pudesse, eu me aventurava. Diversão. Amor. Liberdade. Responder à estas perguntas pode ser fácil, mas decidir entre eles, é bem difícil.

Talvez você esteja pensando, por que que ela ainda não seguiu o coração? Além de tudo, muitos outros fatores contam. Minha família é aliada da minha razão, quer meu ex-namorado. E o meu ex-ficante, digamos que não me faz vislumbrar nada mais sério nem num futuro distante. É, eu não consegui me decidir entre eles ainda. O fato é que gosto também de estar com meu ex-namorado, o difícil é sabe em qual lado eu estaria mais feliz. Talvez essa decisão demore, então fica pra outro texto, prometo que coloco uma continuação depois.

Como quem sofre as desilusões é o próprio coração, a razão tem que saber seu lugar e ficar de fora disso. No meu caso, a razão avisou, avisou e avisou ao coração. Mas ele é teimoso, gosta de botar o dedinho na tomada, o que eu posso fazer? Apesar dos pesares, meu coração sempre vence. Talvez eu não tenha aprendido a lição, mas gosto que seja assim. Quando a gente pensa muito, corre o risco de não ser verdadeiro… De se deixar levar. Então, faço bem em tirá-los da rivalidade e fazer com que se aliem. Cada um tem sua razão mas, para todos os casos a minha razão me diz para agir com o coração. Sabe do quê? Eu quero mais é viver! Deixa ser como será…

18
nov
09

pra namorar. ou trair.

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Ele era AQUELE cara. Todo mundo gostava ou simpativa com Lilo, ele sempre estava sorrindo, conversando sobre todos os assuntos, dando bons conselhos, enfim um dos caras mais populares que existem. Talvez por carisma, talvez por manipulação mesmo, ele tinha muitos amigos e amigas, e tinha uma namorada.

“Mulher namora quando gosta de um homem, ou quando está carente. Homem namora quando uma mulher gosta dele, ou quando precisa tirar uma fama ruim.” Dito e feito, ele conheceu Celah, aquela menina bonita, e acima da média, que lhe custou um tanto de insistência. Ele precisava desfazer o boato de que era um cafajeste, e afinal ela gostava dele e tava carente. Então… Porque não?

Ah, Celah, ela era feliz. Lilo era tudo que ela precisava ter. Ele era carinhoso, atensioso, dava presentes, e criava declarações sempre que possível, não deixava o namoro cair na rotina, era ciumento quando tinha que ser, e arrumava uma briguinha vez por outra, nada anormal. Ela amava ele.

Bem, digamos que Lilo gostava dela, mas acho, que não era amor. Não o mesmo amor, ele vivia soltando cantadas a cada esquina, não que traisse ela, pelo menos ele pensava “eu só faço flertar, trair nunca!”. E seguia com sua vida, sem perceber que já estava iniciando um erro que todo homem costuma a cometer.

Anel de compromisso, juras de amor eterno, Celah estava no paraiso. Só que Lilo não, o namoro estava bem demais, só que ele precisava trair, pra se sentir superior, e o fez quando teve oportunidade.

Ele nunca teve um motivo pra trair. Isso porque traição nunca tem motivo. “Trair não tem motivo, justicativa ou causa. Trair é oportunidade”. Foi isso que Lilo colocou em sua mente, e seguiu em frente como a maioria dos homens indiferentes.

Celah, nunca soube disso, na verdade, de uma hora pra outra, ele decidiu ir embora, não precisava dela, e as juras de amor ficaram ao vento. Ela não podia acreditar, não queria acreditar, mesmo depois de três anos, que ele, Lilo, seu namorado, seu melhor amigo, o homem que lhe fez ver o mundo cheio de cores, não iria mais voltar.

Pobre Celah, ela aprendeu a amar, uma pessoa que vulgarizou o verbo amar.

16
nov
09

Aos recém-solteiros.

  Pensando nos meus momentos de psicóloga, onde meus amigos vem falar sobre relacionamentos e seus finais, percebi o quanto pode ser difícil ser recém-solteiro. Devo dizer que realmente existe uma diferença gritante no que diz respeito aos sexos. Homens e mulheres superam de formas diferentes e em tempos diferentes finais de relacionamentos. Dar ou levar um pé na bunda vai ser sempre difícil. Já que tanto quem dá, quanto quem leva, sofre com a situação. A diferença está basicamente no tempo que a fossa vai durar. Digamos que os recém-solteiros podem adquirir manias que auto-boicotam sua recuperação.

  Tenho um amigo que sempre que começa um namoro, não vê a hora de acabar… Mas quando acaba, ao invés de ficar aliviado e ir curtir, entra numa fossa que não tem mais fim (então porque cargas d’água ele começa? Também não sei!). Tenho uma amiga, que por mais que goste um pouco do cara, se sente suuuper radiante (ela sofre vai, por uns 3 dias) ao fim de um relacionamento, porque preza demais por sua liberdade. Mas esses são relacionamentos de curta duração, o problema é quando acaba um relacionamento de muito tempo, e você acaba ficando meio “perdido” no mundo dos solteiros. 

  Agora a diferença é crucial. Não que os homens não sofram verdadeiramente por amor, o pelo fim dele. Talvez eles saibam lidar melhor com finais (ou não). Tem uns que sofrem mesmo, pra valer (eu conheço!)… Mas o ponto é que talvez, nós mulheres, gostemos de prolongar esse sofrimento e curtir nossa dor de cotovelo pra valer. Ao acabar o namoro, homens tem seu momento de luto, mas pouco tempo depois já estão por aí.

  No começo eles se sentem mal (principalmente se levarem o pé na bunda, ou se realmente gostavam da namorada), mas depois vem a sensação de liberdade inigualável. Talvez eles não sejam, mas se sentem os últimos homens do planeta terra. É só atravessar para o lado dos solteiros e eles passam a imaginar um monte de mulheres desesperadas para conhecer homens como eles (principalmente se ele tem um amigo galinha e solteiro). 

  Aí eles se esbaldam, pegam quem querem, curtem intensamente o momento… Até caírem na real, perceberem que não vão ter aquela pessoa que amavam mais, e começarem a sentir falta. E aí, todo mundo sabe, eles vão atrás (na maioria das vezes) e tentam recuperar o que perderam (porque os homens são competitivos e não suportam perder algo, principalmente a namorada). Provavelmente vocês se acertam, ou não. O fato é que eles não perdem muito tempo. Quer? Ótimo. Não quer? Lamento (e vão curtir mais e mais, para talvez muitos e muitos anos depois, arrumarem outra namorada).

  Agora, no caso das moçoilas, as coisas são mais complicadas (claro! Somos mulheres). Você estava acostumada com cinema, pizza, casa da sogra, DVD e cunhados pentelhos. De repente, o namoro acaba e fim de papo. Você não tem mais aquele pedaço enorme que a outra pessoa ocupava na sua rotina, e aí sim, o que sobra é um vazio enorme, um vazio no coração e outro no seu dia a dia. E você fica perdida, sem saber como ocupar seu tempo novamente. Sexta-feira, 22h e você está em casa, de pijama, deitada no sofá, sem saber o que fazer… Até sua amiga solteira e sem juízo ligar, chamando você de volta à vida. Você tenta, mas não está em clima de balada. Sorri, conhece uns caras legais, dependendo muito, muitíssimo do caso até fica com alguém (um mês depois). Às vezes, bate o desespero e você vai atrás, chora, pede pra voltar, escreve cartas sobre a história de vocês… Dependendo da sorte e do destino, pode funcionar.

  Você está completamente certo se está lendo e pensando: “mas, cada caso é um caso”. E eu concordo, mas acho que generalizações podem ser feitas para ajudar os recém-solteiros. Em caso de fossa, vide texto e veja como não se boicotar. Primeiramente, meu conselho é: se tiver vontade, chore… mas chore mesmo, até secar. O primeiro passo para superar algo é aceitar que você está com problemas. Curta sua fossa, mas por pouco tempo!

  Não destrua seu apartamento, nem o do seu ex. A princípio, esconda tudo que for possível, das coisas que lembrem o relacionamento de vocês. Só de cabeça fria você vai saber que é melhor doar aquele ursinho gigante do que rasgar ele em quinhentos milhões de pedaços. Não escute as músicas que eram de vocês, por favor gente! Se for preciso, delete. Não tente provar a Deus e o mundo, que você está bem, porque todo mundo sabe que você não está, ou espera que não esteja. A pessoas vão sim, olhar pra você com cara de “poxa, mas um namoro de 4 anos acabar assim… Tem volta?”, ignore.

  Evite colocar aquelas frases idiotamente felizes no seu subnick no MSN. A quem você está querendo enganar? Além de passar por boba, dependendo da frase, pode passar por vulgar. E evite mais ainda frases romantiquinhas de músicas sobre fim de namoro, que todo mundo sabe que são para o seu ex, mas você acredita piamente que só você e ele sabem. É lógico que você vai querer ligar, ouvir a voz dele, dizer que ama e está com saudade por um tempo. Controle-se, você não vai lotar o celular dele de ligações e mensagens. Pense o quanto isso pode parecer desesperado. Quando a vontade bater, ligue pra uma amiga, ou amigo, e fale sobre qualquer outra coisa que não seja o ex.

  Não saia por aí falando mal do seu ex. Foi bom enquanto durou, agora é a hora de cada um ser feliz com outras pessoas, quem sabe… Você não se sentiria bem se ele queimasse seu filme com todos os caras que ele conhece né? Pois é. Saia bastante, e só fique com outra pessoa se realmente se sentir preparada, se a sua feridinha tiver sarado de verdade. Não fique relembrando as coisas que vocês tinham e que você adorava… Não pense nas qualidades dele, não fique lendo e relendo cartinhas de aniversário de namoro, históricos de conversas no MSN, depoimentos… Quando o namoro acaba, é comum a gente dar uma ignorada nos defeitos que o outro tinha e passar a lembrar saudosamente só das qualidades. Procure lembrar das brigas, de alguma coisa nele que te incomodava tanto.

  Não adianta vocês tentarem essa de “vamos ser amigos, bola pra frente”. Não existe isso logo depois que acaba um relacionamento. Ambos estão magoados, confusos e precisam de um tempo sozinhos para realizar o que acaba de acontecer. Sem contar que normalmente, pelo menos um dos dois, ainda gosta do outro. E nesse caso, manter um relacionamento amigável provavelmente não vai ser saudável. Amizade entre ex namorados acontece sim, e até com mais frequência do que você pode acreditar. Mas quando os dois se dão um tempo, para ver se é realmente o fim, se sobrou alguma mágoa, ou se está realmente tudo bem… Dá pra tentar uma amizade.

  E muito cuidado com a sua volta ao mundo dos solteiros. A fossa pode potencializar o efeito do álcool. Então, cuidado com bebidinhas! Além de fazer o Fulaninho parecer mais bonito, divertido e interessante do que ele realmente é, normalmente dão uma ressaca terrível (e junto com a fossa, a pior delas, a ressaca moral). Se proteja, lembre que pelo mundo (principalmente pelas baladas), existem muitos lobos vestidos de cordeirinhos. Não se vê o caráter olhando para um rostinho bonito.

  E o principal dos meus conselhos e dicas: Não faça nada que o seu coração não quiser! Eu acredito em destino, se você tiver que voltar com seu ex e ser feliz para sempre, acredite, vai acontecer. O amor tem sempre mil caminhos para poder se achar. Enquanto seu destino não dá um jeito nisso, não fique de mosca-morta esperando que ele faça tudo por você; vá ser feliz, curtir sua vida… Sozinha ou com outras pessoas, pouco importa. Aproveite para cuidar de você, perder os quilos que ganhou enquanto esteve amarrada, fazer tudo que você gostava de fazer e, às vezes, não fazia para não incomodar o outro. Você querendo reatar o namoro ou não, o mais importante é você estar bem consigo, para depois poder estar bem com outra pessoa.

  Aproveite os dois mundos, namorar pode ser realmente ótimo, mas estar solteiro não chega nem perto de ser ruim!


"Não vou dizer que foi ruim. Também não foi tão bom assim. Não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais"
14
nov
09

a arte de sentir.

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Mais uma vez conversando com Alice, percebi o quanto é complicado essa habilidade humana ter sentimentos tão… Complexos: Raiva, Alegria, Medo, Amor, Vergonha, Ódio, … Todos eles são tão complicados de definir, e o pior, mais complicados ainda de fazer-nos decidir qual será o próximo passo.

Como Zeca Pagodinho diz “é que Deus fez a cabeça em cima do coração, pra que o sentimento não ultrapasse a razão”, é um conflito sem certo ou errado, é um problema sem solução.

Pois o ser humano é o único animal, capaz de ter essas duas coisas: Sentimentos e Racionalidade. Foi Deus que quis assim, não tem como mudar isso.

Por exemplo, toda a razão aponta pra dar um fim a um relacionamento, ele não vale a pena, machuca, traz raiva, mas ele também tem seus momentos bons, tem a alegria, e principalmente tem o AMOR impedindo o fim.

A mesma coisa na hora de escolher entre dois ‘amores’: segurança ou aventura? A emoção preza pela aventura, mas nesse caso, provavelmente a razão será mais forte, é complicado. E tudo termina em saudade. Vai entender.

Seres humanos, são seres erroneos, a nossa maior qualidade é justamente essa, errar e aprender com o erro, por isso que se teme tanto o potencial da nossa espécie. Pior são aqueles que não se arrependem, pois esses não aprendem.

Eu podia falar de tudo, de sentimento, de razão, do mundo, de tudo. Mas eu não estou com vontadade. Acho que porque eu sou um daqueles que pensa muito e se complica com o que pensa, eu tenho infinitos argumentos pra convencer as outras pessoas, e ao mesmo tempo tenho infinitos argumentos pra não saber o que quero.

No fim, só resta a Saudade. Saudade do tempo que perdi pensando, porque a saudade, essa sim dói, complica, destrói, mesmo assim, às vezes, constrói.

Como mestre Zeca Pagodinho diz “vou pra qualquer lugar, em cima do chão, embaixo do céu, eu tou bem”. Esse sim sabe como viver.