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Sobre laços, alianças, ligações e afeto.

CORAO_~1Durante a minha vida criei muitos laços e tenho certeza de que ainda criarei muitos outros. Criei os mais diversos laços, os de amizade, familiares e amorosos. Mas, criei laços não só com pessoas, mas com objetos, animais, cores, músicas, filmes e desenhos. Tem até uns que criam laços fortíssimos com eles mesmos e até se tornam, quem sabe, narcisos… Se admirando demais, se apegando demais a eles mesmos.

Existem os laços que acabamos criando desde que nascemos, com nossos pais, nossos irmãos, avós, avôs, tios, tias, enfim… Com a família. Esses laços são criados antes que tenhamos noção do que estamos fazendo, e não temos muita escolha. Por isso, resolvi falar hoje sobre os laços que podemos escolher.

O que faz de uma pessoa comum, o seu melhor amigo, ou alguém muito importante? Tal pessoa é mais uma em um milhão, tem defeitos e qualidades, sonha, vive e ama. Por enquanto, você não precisa dela, nem ela de você. A partir do momento que são criados laços, essa pessoa se torna única para você e você para ela. Como já dizia a raposa do Pequeno Príncipe, “só conhecemos o que cativamos… Se queres um amigo, cativa-me!”. Essa definição foi dada por Antoine de Saint-Exupéry, da amizade a partir da palavra “cativar”, que segundo a raposa significa “criar laços”.

Um amigo pode ser, para alguns (não para mim), mais que família, já que é uma empatia que consentimos. É uma cumplicidade que vai muito além dos laços sanguíneos. É a escolha que fazemos de quem vai nos acompanhar enquanto trilhamos nossa vida. Nos unimos pelos laços da alma. A amizade é um relacionamento humano que envolve um conhecimento mútuo, estima e afeição. Esse relacionamento nos enriquece e nos promove. Ele leva a uma comunicação de sentimentos e convicções. De fato, quando cativamos e somos cativados, encontramos e escolhemos nossos amigos e, assim são criados os laços de amizade. É nos laços de amizade que encontramos um nó que nunca será lasso, é a afinidade com quem você quer bem.

Estamos presos aos laços da vida, ninguém quer a solidão. Pensemos que todo laço tem que ter uma fita para ser feito, e que nós somos a fita, precisamos de alguém, ou de algo para enlaçar. Não existe laço sem fita, nem laço sem alguém ou algo pra enlaçar. Sempre acreditei existir uma linha tênue entre a amizade e o amor. O que faz ser amor ou amizade pode consistir na reciprocidade, não existe amizade sem. Não se pode ser amigo de alguém que se recusa a sê-lo. Já o amor, nem sempre é pago na mesma moeda, de amores não correspondidos o mundo está cheio.

O amor dá asas, a amizade o chão. Mas quando o amor é sincero, ele vem com um grande amigo. E quando a amizade é concreta, ela é cheia de amor e carinho. Os laços amorosos são laços difíceis de cortar, ou desatar. Porque se cortássemos, significaria o fim de tudo. E aí, algumas vezes, não cortamos, nem desatamos, damos um nó mais forte em cima do laço e resolvemos casar. É um dos laços que escolhemos, e fortificamos com o nó. O nó que mesmo apertado, os mantêm juntos e os faz feliz.

E não existe casamento, sem aliança. Tanto no sentido de união, do “pacto”, quanto no sentido do anel de casamento. Aí comecei a pensar e a pesquisar sobre o sentido da aliança. Tem muita gente por aí que usa, mas que nunca parou pra pensar no sentido dela. Tem o formato em círculo para representar o ciclo de vida, a fertilidade, o amor e principalmente, infinito. Já que é algo como o próprio amor, não tem começo (não podemos dizer quando começa), nem fim.

Uns acreditam que o costume de trocar alianças veio da França com Mary de Burgundy, outros que veio de um costume hindu e que os gregos e romanos passaram a praticar também. Os romanos acreditavam que no quarto dedo da mão esquerda passava uma veia que estava diretamente ligada ao coração. A partir do século IX, a Igreja Cristã adotou a aliança como um símbolo de união e fidelidade entre casais cristãos. Já os chineses têm uma explicação para o costume de usar a aliança no quarto dedo da mão esquerda que vale a pena ver (no final do post, o vídeo). Muitas crenças nasceram a partir disso, os escoceses, por exemplo, acreditavam que a mulher que perdia a aliança estava condenada a perder o marido.

Pra mim a aliança nada mais é do que reforçar o laço invisível que criamos, de amor, compromisso e afeto com alguém. Algumas vezes, as pessoas não lembram o quanto é bonito o que carregam consigo e quanta simbologia cada coisa pode ter. Somos humanos e temos a necessidade de criar laços. Nós queremos ser livres e ao mesmo tempo prisioneiros, porque não podemos nem queremos deixar pra trás alguém que queremos bem. Se você consegue se fazer presente na solidão de alguém, tenha a certeza de que entre vocês existem laços indissolúveis de ternura e de amor.

Você pode ser o mais doido, o mais chato, o mais antissocial, o mais esquisito dos seres, mas todos têm alguém com quem falam, se apegam, de quem gostam, mesmo sem saber exatamente porque isso acontece. Sempre vai existir alguém que nos enche de ternura ou nos chama a atenção. Alguém que você conta seus segredos ou só alguém que você pode contar. Às vezes, é só alguém que a gente espera que esteja ali, naquele mesmo lugar, mesmo que muitos anos se passem. Muitas vezes, desejamos que as coisas não mudem, que as pessoas não morram, não cresçam, não saiam dali nunca. A verdade é que todo mundo cria laços, laços que na maioria das vezes, não podem ser desfeitos.

O vídeo que falei no post, dos chineses e a aliança: 

Fotografia – Leoni:

“O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia. As cores, figuras, motivos…E quando o dia não passar de um retrato colorindo de saudade o meu quarto, só aí vou ter certeza, de fato, que eu fui feliz…”


2 Responses to “Sobre laços, alianças, ligações e afeto.”


  1. 1 @gugadomingos
    29 de outubro de 2009 às 6:03 PM

    Definitivamente o ser humano não nasceu pra viver sozinho, tirando os laços familiares que não podemos escolher, todos os outros laços são formados nessa busca frenética do ser humano em não ficar sozinho..muitas pessoas até “modificam” o ditado popular, de “antes só do que mal acompanhado para antes mal acompanhado do que só” No meu caso em termos de relacionamentos amorosos, não sei se criei “laços amorosos” com alguém..isso tem que partir dos dois lados e talvez eu não tenha tido a oportunidade de construir isso de uma forma verdadeira..


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