Arquivo para outubro \30\UTC 2009

30
out
09

dancing with myself.

agsd

Sei lá, eu não sei quando é que uma pessoa precisa de um tempo para ela mesma, só sei que depois que a primeira vez acontece, isso passa a ocorrer com um frequencia maior, é como se quando está só consigo mesmo, uma pessoa estivesse se descobrindo, redescobrindo, planejando, arrependendo.

Engraçado, é que os seres humanos só decidem refletir sobre a vida quando algo está dando errado, seguindo aquele conselho “em time que está ganhando, não se mexe”, isso pra mim é uma grande asneira, a gente está sempre crescendo, evoluindo, e se só porque estamos bem, decidimos deixar ela seguir “deixa a vida me levar, vida leva eu, sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu”.

Não, não, eu mesmo, depois dos bons e maus momentos que passei nessa vida tão curta, e ao mesmo tempo tão movimentada, sempre que posso, arrumo um tempo pra repensar meus atos, minhas escolhas, enfim, meu eu como um todo. Primeiramente eu revejo meus principios, pois, se você está bem com seus principios, então você está bem com sua vida.

O que me impressiona, é que cada ser humano tem um jeito de sentir sua própria alma, eu por exemplo, pego uma cerveja na geladeira, coloco uma música esperta, e fico admirando o céu, só por admirar, não que ele me traga paz ou algo assim, é só que, ele parece casar bem com a cerveja e a música. Estranho não?

Outras pessoas gostam de dançar. Sabe é como Pedro Bial em Filtro Solar “Dance, mesmo que não tenha aonda além do seu próprio quarto”. Aliás essa sim é uma bela mensagem sobre a vida humana como um todo, escutem, é sempre uma boa pedida. Se você gosta de dançar, DANCE, não fique esperando uma oportunidade, a vida segue um destino, porém as oportunidades e aventuras, quem cria é você.

Eu nem sei porque eu estou escrevendo esse texto, ele está com uma cara de auto-ajuda, acho que porque estou escutando “Dancing With Myself” do Billy Idol, que tive a ideia pra esse texto. Alias falando nessa música, eu tive que parar de escrever o texto pra dançar um pouco, essa música é contagiante!

No mais, enebriem-se com o aroma da vida, ela é única, não se arrependam, sigam em frente e peçam desculpas, mas não queiram voltar atrás, porque você vai acabar tropeçando se andar de costas. Afinal, três esquerdas dão uma direita, e ainda sobra a vontade para outra esquerda! Você só vai entender o sentido dessa frase tomando uma skol gelada… SHUISHUSUIHSUISHUHHSUIHUSI.

Filtro Solar – por Pedro Bial

27
out
09

Sobre laços, alianças, ligações e afeto.

CORAO_~1Durante a minha vida criei muitos laços e tenho certeza de que ainda criarei muitos outros. Criei os mais diversos laços, os de amizade, familiares e amorosos. Mas, criei laços não só com pessoas, mas com objetos, animais, cores, músicas, filmes e desenhos. Tem até uns que criam laços fortíssimos com eles mesmos e até se tornam, quem sabe, narcisos… Se admirando demais, se apegando demais a eles mesmos.

Existem os laços que acabamos criando desde que nascemos, com nossos pais, nossos irmãos, avós, avôs, tios, tias, enfim… Com a família. Esses laços são criados antes que tenhamos noção do que estamos fazendo, e não temos muita escolha. Por isso, resolvi falar hoje sobre os laços que podemos escolher.

O que faz de uma pessoa comum, o seu melhor amigo, ou alguém muito importante? Tal pessoa é mais uma em um milhão, tem defeitos e qualidades, sonha, vive e ama. Por enquanto, você não precisa dela, nem ela de você. A partir do momento que são criados laços, essa pessoa se torna única para você e você para ela. Como já dizia a raposa do Pequeno Príncipe, “só conhecemos o que cativamos… Se queres um amigo, cativa-me!”. Essa definição foi dada por Antoine de Saint-Exupéry, da amizade a partir da palavra “cativar”, que segundo a raposa significa “criar laços”.

Um amigo pode ser, para alguns (não para mim), mais que família, já que é uma empatia que consentimos. É uma cumplicidade que vai muito além dos laços sanguíneos. É a escolha que fazemos de quem vai nos acompanhar enquanto trilhamos nossa vida. Nos unimos pelos laços da alma. A amizade é um relacionamento humano que envolve um conhecimento mútuo, estima e afeição. Esse relacionamento nos enriquece e nos promove. Ele leva a uma comunicação de sentimentos e convicções. De fato, quando cativamos e somos cativados, encontramos e escolhemos nossos amigos e, assim são criados os laços de amizade. É nos laços de amizade que encontramos um nó que nunca será lasso, é a afinidade com quem você quer bem.

Estamos presos aos laços da vida, ninguém quer a solidão. Pensemos que todo laço tem que ter uma fita para ser feito, e que nós somos a fita, precisamos de alguém, ou de algo para enlaçar. Não existe laço sem fita, nem laço sem alguém ou algo pra enlaçar. Sempre acreditei existir uma linha tênue entre a amizade e o amor. O que faz ser amor ou amizade pode consistir na reciprocidade, não existe amizade sem. Não se pode ser amigo de alguém que se recusa a sê-lo. Já o amor, nem sempre é pago na mesma moeda, de amores não correspondidos o mundo está cheio.

O amor dá asas, a amizade o chão. Mas quando o amor é sincero, ele vem com um grande amigo. E quando a amizade é concreta, ela é cheia de amor e carinho. Os laços amorosos são laços difíceis de cortar, ou desatar. Porque se cortássemos, significaria o fim de tudo. E aí, algumas vezes, não cortamos, nem desatamos, damos um nó mais forte em cima do laço e resolvemos casar. É um dos laços que escolhemos, e fortificamos com o nó. O nó que mesmo apertado, os mantêm juntos e os faz feliz.

E não existe casamento, sem aliança. Tanto no sentido de união, do “pacto”, quanto no sentido do anel de casamento. Aí comecei a pensar e a pesquisar sobre o sentido da aliança. Tem muita gente por aí que usa, mas que nunca parou pra pensar no sentido dela. Tem o formato em círculo para representar o ciclo de vida, a fertilidade, o amor e principalmente, infinito. Já que é algo como o próprio amor, não tem começo (não podemos dizer quando começa), nem fim.

Uns acreditam que o costume de trocar alianças veio da França com Mary de Burgundy, outros que veio de um costume hindu e que os gregos e romanos passaram a praticar também. Os romanos acreditavam que no quarto dedo da mão esquerda passava uma veia que estava diretamente ligada ao coração. A partir do século IX, a Igreja Cristã adotou a aliança como um símbolo de união e fidelidade entre casais cristãos. Já os chineses têm uma explicação para o costume de usar a aliança no quarto dedo da mão esquerda que vale a pena ver (no final do post, o vídeo). Muitas crenças nasceram a partir disso, os escoceses, por exemplo, acreditavam que a mulher que perdia a aliança estava condenada a perder o marido.

Pra mim a aliança nada mais é do que reforçar o laço invisível que criamos, de amor, compromisso e afeto com alguém. Algumas vezes, as pessoas não lembram o quanto é bonito o que carregam consigo e quanta simbologia cada coisa pode ter. Somos humanos e temos a necessidade de criar laços. Nós queremos ser livres e ao mesmo tempo prisioneiros, porque não podemos nem queremos deixar pra trás alguém que queremos bem. Se você consegue se fazer presente na solidão de alguém, tenha a certeza de que entre vocês existem laços indissolúveis de ternura e de amor.

Você pode ser o mais doido, o mais chato, o mais antissocial, o mais esquisito dos seres, mas todos têm alguém com quem falam, se apegam, de quem gostam, mesmo sem saber exatamente porque isso acontece. Sempre vai existir alguém que nos enche de ternura ou nos chama a atenção. Alguém que você conta seus segredos ou só alguém que você pode contar. Às vezes, é só alguém que a gente espera que esteja ali, naquele mesmo lugar, mesmo que muitos anos se passem. Muitas vezes, desejamos que as coisas não mudem, que as pessoas não morram, não cresçam, não saiam dali nunca. A verdade é que todo mundo cria laços, laços que na maioria das vezes, não podem ser desfeitos.

O vídeo que falei no post, dos chineses e a aliança: 

Fotografia – Leoni:

“O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia. As cores, figuras, motivos…E quando o dia não passar de um retrato colorindo de saudade o meu quarto, só aí vou ter certeza, de fato, que eu fui feliz…”

25
out
09

A menina que usava a cegueira da conveniência para enxergar através da lente alheia.

(Eu não recomendo esse post pra quem não assistiu “Te amarei para sempre” e pretende ver).

 Sábado à noite, foi à locadora. Entrou e procurou pelas filmes de comédia romântica. Gostava de viver as histórias de cada filme, como se ela fosse a mocinha. Durante algumas horas ela foi Audrey Hepburn em “Bonequinha de Luxo”, em outras foi Julia Roberts em “O casamento do meu melhor amigo”. Viajou o mundo, correu muitos riscos, foi famosa, pobre, espiã, feliz, empresária, mãe, triste, incompreendida, prostituta, mal-amada, bailarina, amada, odiada, cantora e devorada. Ela gostava de acreditar que amores como os do cinema aconteciam de verdade. Se não aconteciam de verdade, eram reais para ela. Vivia cada romance desses, aproveitava cada história como se fosse a dela e a cada fim de filme, era como um final de uma vida para um recomeço de outra. Ela poderia ser o que quisesse ser.

Chamou o cara da locadora pra ajudar, ela sempre pedia ajuda. Ele já conhecia o gosto dela para filmes, barrigudinho e com aquele olhar estranho, sempre indicava algo que ela gostava. Dessa vez ele indicou: “O melhor amigo da noiva”, “Muito bem acompanhada”, “Do que as mulheres gostam” e “Casamento grego”.
– Se eu fosse você levava todos, aproveitava a nossa promoção. Sabe né? Levando 3, ganha 1.
Ela pensou, lembrou que não faria muita coisa nesse final de semana, e fez que sim com a cabeça enquanto dizia:
– Então é isso! Vão os quatro.

Pagou, se despediu e voltou a pé pra casa. Chegou, e já começou a ouvir: – Esse final de semana você não sai do quarto né? Vou ligar pra Marcinha pra ver se ela te tira de casa, menina! Onde já se viu? Na flor da idade e se prendendo em casa desse jeito… Vai perder a juventude, filha! A menina já tinha aprendido a ignorar isso. A matraquisse da mãe era como um cheiro ruim, em poucos minutos o organismo acaba se adaptando. Ela realmente não se importava! A juventude dela tinha sido mais bem vivida que a de qualquer um, perseguindo bandidos na Itália, dando uma de turista em NY, ou fazendo compras em Miami. Ela era definitivamente feliz assim.

Fechou os olhos e apontou pra um, saiu “Casamento grego”. Achou a atriz da capa feia, então fraudou o próprio sorteio e fez de novo. Dessa vez saiu “O melhor amigo da noiva”, agora sim! A atriz é linda, se achou parecida até e ficou tentando lembrar o nome dela… – Michelle Monaghan! Falou para a capa de DVD, logo depois de ler o nome. Colocou o filme, olhou novamente para a capa do DVD e pensou “realmente me pareço com ela!”. O menu do filme apareceu junto com seu pai que ao entrar no quarto disse que não acreditava que ela iria ficar em casa vendo filmes outro final de semana… Falou, falou, falou.

A sua costumeira indiferença estava sendo colocada em prova hoje. Se cansou, e para poupar o falatório se vestiu, e saiu (pro cinema). Comprou pipoca e refrigerante, e escolheu “Te amarei para sempre” para assistir. Sentou na sua poltrona, e esperou ansiosa pra saber quem seria hoje, onde iria, e o que faria. Ficou feliz quando viu a Rachel McAdams na tela, “pelo menos é bonita!”, pensou.

Hoje ela era mulher de um cara que viajava no tempo involuntáriamente por conta de uma rara modificação genética. Quis ser o mocinho hoje, detestou ter que ficar esperando por ele e invejou não ser ele viajando por aí, vendo e revendo situações. Se contentou em não ser ele apenas pelo fato de achar lindo o ator, que hoje seria seu marido. Ela se viu ali, falando com ele pequenininha, sentiu as mesmas emoções. Esteve no campo conversando com ele, trouxe roupas para aquele que um dia seria seu marido. Ano após ano esperando sempre no mesmo lugar que ele retornasse. Até que os dois se encontraram no mesmo momento e se apaixonam. A menina podia sentir as borboletinhas no seu próprio estômago.

Sofria como a mocinha, por ter que esperar quando ele sumia. Já que o curso da vida dela era normal, enquanto ele desaparecia, sem data para retornar. Sentiu ciúme quando ainda criança ouviu falar que ele tinha uma esposa. Sentiu um aperto no coração quando a mocinha, a Clare, perdeu o bebê. Teve ódio do Henry quando ele se operou. Amou ele demais. Se envergonhou e se sentiu invadida ao pegar ele lendo seu diário. Sentiu uma dor enorme no peito quando o beijou no último natal. E se sentiu mais viva do que nunca enquanto corria por entre as árvores para seu último encontro com ele. O que seguiu foi um vazio, por ter ficado viúva. Quando as luzes se acenderam ainda se sentia bastante Clare. Estava chorando.

Limpou o rosto, arrumou o cabelo e saiu da sala refletindo sobre tudo que tinha vivido nas últimas duas horas. Tinha conhecido um homem que viajava no tempo e se apaixonado por ele, quando criança. Encontrou ele no presente, se casou, o traiu com ele mesmo, teve uma filha e ficou viúva. Amou para sempre. Nem filmes tristes como esse traziam ela de volta à realidade. Ela preferia sofrer a história de outros. Não via graça na vida real, a não ser que um dia virasse um filme…

22
out
09

About life or something like it.

(Nada mais clichê que a morte).

Nunca tive medo de morrer. Quando uma amiga morreu percebi que tinha medo da morte sim, mas não da minha. Medo de ficar na vida sem as pessoas que amo. Soou egoísta esse meu pensamento, mas não quis mudar o foco, era a realidade. Pensava muito nesse assunto quando era pequena, viajando em memórias me vejo puxando a barra da saia da minha mãe, ou empurrando meu dedinho indicador no ombro do meu pai, sempre com a mesma questão: “quando eles iriam morrer”. Eu sempre chorava, mesmo que eles dissessem “Vou viver para sempre, meu amor”. Talvez por saber que era mentira, talvez só por medo do para sempre ser mais perto do que eu queria.

Nascer é, sem dúvidas, uma das maiores roubadas em que você se enfiou na vida. Você tá lá, na maior tranquilidade, dentro da barriga da tua mãe… Piscininha aquecida, alimentação sem nenhum esforço, nem o trabalho de respirar você tem. E aí, algo estranho e terrível acontece! Você vai sendo empurrado pra fora do paraíso.

Apesar de não ter a mínima idéia do que está acontecendo, você imagina que coisa boa não é. Aqueles zilhões de luzes, pessoas estranhas ao redor te olhando, um médico te segurando de cabeça pra baixo esperando você chorar (bem cruel!), aquele frio danado… Epa! Cadê o paraíso? Você ainda não foi presenteado com a cultura e seus instrumentos que fariam você entender essa situação “mágica”, mas já possuí seus instintos que devem dizer: “que merda! Fui parar no outro lado”.

Daí algo de bom acontece, agora você já está limpinho, quando uma estranha te leva pra sua mãe, um colo quentinho com leitinho quentinho e doce. Você deve pensar: “que cordão umbilical que nada! Comer pela boca é bem melhor…”. E a partir daí você começa a se apaixonar (É, e você nem sabe o que é se apaixonar ainda) pela vida! Por brinquedinhos, ursinhos de pelúcia, bonecas, bicicletas, colégio, casa, vestibular, tédio, computador, amor entre tantas outras coisas… A gente se acostuma com isso e aí, um certo dia, tudo isso é tirado da gente (“que injusto!”, pensamos), é a maior roubada na qual nos enfiamos na vida (a morte)! Mas quem sabe do outro lado não tem colinho, leite quente e cafuné?

A morte não me preocupou mais por um bom tempo. Até o dia em que outra amiga minha veio falar comigo sobre isso. Devido a uma doença (mais psicológica do que real), ela estava com muito medo de morrer. Ela pensava constantemente sobre a morte e quanto mais pensava, mais depressiva ficava. Eu como pobre mortal, pensava em como poderia ajudar. Apesar de conversar sobre o assunto com ela, não descobri como ajudá-la, me senti de mãos atadas assistindo àquilo.

O medo de morrer não é inato, ele acaba sendo introjetado desde a infância e atinge a todos os seres humanos. E dependendo do nível de ansiedade da pessoa, o medo da morte pode se tornar algo realmente aterrorizante. Dependendo da maturidade psicológica ou do envolvimento religioso e filosófico, o medo pode se tornar mais ou menos intenso. O que dá medo não é tanto a morte, mas sim o processo dela: a dependência, a impotência, o sofrimento, o desconhecido. Sabemos que morremos todos os dias, um pouquinho. Na verdade, o que mais preocupava minha amiga não era só “quando”, mas o “como” e “do quê” ela iria morrer. E nesse caso, não era algo em que eu poderia ajudar, isso tinha que ser uma conscientização dela, era uma coisa que ninguém poderia fazer por ela, a não ser um profissional.

Uma depressão nunca é algo bom, mas no caso dessa minha amiga, toda essa situação fez com que ela repensasse suas ações. E se tornasse uma pessoa melhor, mas excessivamente melhor (queria fazer tudo certo sempre, e nada em excesso é bom). Elogiei sua melhora, mas tive que dizer que todos nós erramos (e muito!), isso é muito natural. Disse também que errar de vez em quando não faria dela uma pessoa ruim.

Às vezes, o medo da morte pode estar relacionado com o não saber viver. As pessoas tem medo de morrer e de não viver tudo o que teriam para viver. Não adianta sofrer por antecedência. É importante viver cada momento em sua vez, a vida é pra ser vivida e a morte, bem, ela é pra ser morrida. E isso, é uma coisa que nós não podemos mudar, só aceitar e aprender a lidar. Então não viva seus dias mornamente, viva intensamente. Porque a morte, você vai ter que morrer intensamente mesmo. Não há um morto meio vivo, mas existe muitos vivos meio mortos.

“Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que tu, talvez te espantes, a vida toda é um aprender a morrer”. (Sêneca). Temos que aceitar que é isso aí, e que uma hora ou outra, a vida se vai. E aí, amigo? O que você fez da sua vida? Esperou a morte? Viveu por viver? Precisamos de um pouco mais de alegria de viver. E concordar que apesar de tanta coisa doida e horrível no mundo, a vida é bonita, é bonita e é bonita!

Precisamos levar em conta a crença de Fulano a respeito da morte, os rituais que a cercam. É necessário que tenhamos sempre em mente que todo mundo necessita encontrar uma razão para viver e uma razão para morrer. Dependendo da cultura, podemos ver que alguns comemoram a morte. Não consigo encarar a morte como algo bom, apesar de tanta gente dizer que vamos pro paraíso, ninguém voltou pra me dizer. E como já disse, não tenho medo de ir, tenho medo que as pessoas que amo vão. O “nunca mais” dói muito: “Nunca mais vou ver tal pessoa sorrir, cantar, me olhar, falar, me abraçar… Nunca mais vou sentir ela perto de mim”.

Depois desse momento de uma amiga morrer e a outra estar vivendo meio morta, resolvi que a minha vida não ia passar em branco. Despedidas são sempre, sempre mesmo ruins (quando se trata de alguém que amamos). E são piores quando sabemos que a despedida é pra sempre. Como um ser humano normal, sou cheia de dúvidas com relação a isso e procuro não pensar muito, mas espero que quando isso acabar exista mesmo um “outro lado”, onde eu possa encontrar essas pessoas.

Aqui vai o meu conselho: Existem duas maneiras de encarar a morte: morrer de medo dela e deixar que esse medo tome conta da sua vida te impedindo de viver ou aproveitar que ela vai chegar e viver do jeito que você quer, fazendo o que você quer. Escolha sua maneira de viver e viva, seja feliz! A morte existe e não podemos mudar isso. Não viva com medo dela, ou esperando que ela chegue. Sorria mais, ame mais (e diga que ama), cante, dance, diga sempre tudo que precisar, sonhe, realize, se arrisque mais. Não deixe de fazer algo que quer porque alguém está te bitolando, simplesmente faça. Consequências vão sempre existir, boas ou ruins, elas existem para qualquer coisa que a gente faz. E não acrescente dias à sua vida, acrescente vida aos seus dias!

Uma vida em sete dias:

20
out
09

Carol ao acaso.

carolCarol olhou ao redor, tudo naquele parque a faria rir, tempos atrás. Ela adorava ver as crianças correndo na grama, comendo algodão-doce, jogando bola, e trocando experiências. Hoje ela só conseguia sentir inveja daqueles rostinhos felizes. Só sentia um vazio no peito, um vazio enorme, daqueles que nos deixam paradas, entregues ao automático do dia a dia. Carol vivia seus dias por viver, sem emoção… Vivia um dia esperando pelo outro, talvez um dia em especial, o que ela encontraria a felicidade novamente.

Ela sempre teve uma pulga atrás da orelha com o amor. Será que um dia vou encontrar o amor da minha vida? E será que só existe um amor da minha vida? Porque tantas pessoas nunca encontram o seu? E o destino existe? Será que ele controla mesmo a nossa vida e a gente não tem muito o que fazer? Eram muitas questões passando pela sua cabeça ao mesmo tempo, e tudo isso enquanto olhava um casal de velhinhos fazendo sua caminhada matinal de mãos dadas. Ele era mais velho, a mulher sempre preocupada com ele, observando o caminho por onde passariam. E a maneira como se olhavam? Com uma ternura inigualável. Aquilo era bem como amor verdadeiro, imaginou Carol.

Pensou na sua dieta e resolveu que um algodão-doce não seria tão trágico e a deixaria mais alegre. Hesitou, resolveu não comprar. “É açúcar, Carol, só açúcar… Não é açúcar que vai te trazer alegria”, alegou mentalmente para a Carol refletida no vidro do carrinho de algodão-doce. Passou rápido pelo carrinho para não mudar de idéia, e não olhou para trás. Pegou o caminho de casa, que não era muito longe, saindo do parque pelo portão azul, era só chegar no final da rua e virar à esquerda. Seguiu distraída com suas questões, ouvindo “La vie en rose”.

Chegou no prédio, deu bom dia ao porteiro e pegou o jornal. Pegou o elevador de serviço, e viu um vizinho de paletó e gravata, pensou que ele devia ser advogado ou trabalhar com algo sério e provavelmente chato. Com pena do dia chato que o vizinho teria no seu trabalho chato, deu um bom dia exageradamente contente e puxou algum assunto bobo, do tipo “capa de jornal”. O vizinho saiu do elevador e Carol estava novamente sozinha; ela, seus pensamentos e Edith Piaf.

Abriu a porta, e observou que o chaveiro de coração estava meio rasgado. “Preciso comprar outro, por sinal, um mais bonito. Ela nunca teve bom gosto pra chaveiros, não vou precisar mentir. ‘Quebrou vó’. Ótimo! É o que vou dizer…”, pensou. Fechou a porta e jogou as chaves na mesinha de centro junto com o jornal. Foi direto pro banheiro, tirando a roupa no caminho, como era de costume cada peça em uma parte do trajeto, a calcinha foi a única peça que foi parar no cesto de roupa suja, como sempre. Ligou a ducha bem quente e se enfiou lá, por alguns minutos. Limpou com a mão o suor do box, e viu o relógio na parede do quarto, estava atrasada.

Resolveu que ia comer na cafeteria que tinha em frente ao trabalho. Correu, se vestiu, se maquiou, e saiu de casa com o cabelo molhado e despenteado. Chamou o elevador e no espelho do hall viu que estava descabelada, abriu a porta de casa, pegou a primeira escova que viu e aproveitou pra pegar o jornal que tinha esquecido na mesinha de centro. Foi trabalhar, pensando: “hoje é sexta, o dia vai voar, logo mais estarei em casa vendo algum DVD, comendo pipoca e tomando coca.”, esse pensamento realmente a deixou mais feliz.

Atendeu alguns telefonemas, fez alguns, olhou sua agenda e resolveu suas pendências. Olhou para Alba, sua secretária, e disse que ela poderia sair mais cedo hoje. Com certeza Alba teria mais problemas que ela, a julgar por suas olheiras. Sentou-se em sua mesinha, ligou o notebook e começou a pensar no próximo tema para sua coluna. Lembrou-se de suas questões, começou a pensar porque tinham escolhido ela para essa coluna. “Como é que eu vou falar de amor e relacionamentos com tantas dúvidas? Talvez seja a hora de me demitir, virar hippie e vender colares na praia”, pensou. Carol riu, e disse para ela mesma: “Não, melhor não!”. A verdade é que ela amava escrever, principalmente sobre amor e relacionamentos. Porque escrever a ajudava a entender o que acontecia com ela e com todo mundo.

Ela saía nas ruas imaginando situações de filme. “Agora ele vai passar correndo por mim, derrubar meu café em cima de mim. Vai olhar pra mim e me pedir mil perdões, talvez tentará limpar. Eu sorrio e digo que tudo bem, ele se encanta. Não perde tempo e me chama para fazermos alguma coisa qualquer dia. Dou meu telefone e no mesmo dia, mais tarde, ele liga e combinamos tudo. Uns tempos depois casamos e temos lindos filhos, aí vem o ‘felizes para sempre…’”. Carol sempre ria depois de imaginar essas situações e nunca nada do que ela imaginava acontecia.

18:30, nada de coluna pronta, significava trabalho para o final de semana. “E daí? Faço sábado”. Pegou suas coisas, desligou o computador e saiu. Foi pra garagem, avistou um cara “nem-lindo-nem-feio”, sua cabeça já começou a se encher se suposições… “Agora ele vem, e eu seguro o elevador para ele, eu escorrego e caio em cima dele (…)”. Não, Carol, não dessa vez. Ele entrou no carro e ela também, e lá se foi mais um possível amor da sua vida.

Num sinal desses qualquer, Carol viu que estava amarelo e acelerou pra passar, mas viu que não ia dar e freou bruscamente. O carro de trás acabou batendo nela. Ela pensou que nada poderia ser pior que isso, se olhou no espelhinho do carro e fez um esboço da sua cara mais antipática. Pensou duas vezes no que iria dizer e saiu do carro já falando: “Olha, me desculpa… Não estou nos meus melhores dias, sei que a culpa foi…”. Olhou para o dono do carro e tentou não sorrir, era o cara do estacionamento. “Às vezes, nossas fantasias se realizam, talvez não exatamente como imaginamos, maas…”, pensou ela. Aproveita Carol, o filme só começou.

La Vie en Rose – Edith Piaf:

15
out
09

Mário? Que mário?

Todo mundo quer sinceridade, mas nem todo mundo aguenta ouvir a verdade. A verdade pode ser a adequação entre aquilo que se dá na realidade e aquilo que se dá na mente. Pode ser a síntese do que é real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores. Para Nietzsche, a verdade é um ponto de vista. Ela pode ser bonita em poemas, pode ser bonita em teorias, mas a verdade, pode doer ou nos constranger.

Provavelmente, o que vou contar aqui já te aconteceu e espero que as pessoas que esqueci o nome nunca leiam.

– Alice?
– Err… Oi!
– Lembra de mim?

Nesse momento eu já estava desesperada, rodando todos os arquivos da minha memória. Não lembrava dele. Queria um buraco no chão pra me enfiar. Corre Alice, corre, corre! Não há tempo para mais buscas incessantes na minha memória sobre a sua fisionomia, voz ou nome. Me restaram três opções: dizer que não lembrava da maneira mais delicada, mentir e fazer de conta que lembrava sim, ou enrolar de maneira perspicaz até ele dizer: “Fulano, de tal lugar…”.

Tudo isso em poucos segundos rodando na minha cabeça. Isso é pergunta que se faça? “Lembra de mim?” Não, eu não lembro e pra não o correr risco de ficar com cara de babaca, aqui vai um conselho, nunca pergunte isso! Como eu iria decidir qual das três posturas iria tomar?

Se eu dissesse que não lembrava, provavelmente iria magoar aquela criatura com os olhinhos brilhando na minha direção, esperando eu dizer: “Sim, como poderia esquecer de você, meu caro?”.
Me imaginei dizendo:

– Não, não me lembro não. De onde? Quem és tu, criatura do pântano? Desaparece da minha frente, agora! Não quero lembrar quem você é, não percebeu a situação constrangedora em que me colocou?

Se eu dissesse que sim (essa é a opção mais arriscada), corria o risco dele dizer: “É mesmo? Quem sou eu?”. Eu só não queria magoar ele, mas sempre que eu tento não magoar alguém, causo desastres gigantescos na minha vida! Não queria que o Fulano pensasse que era completamente insignificante pra mim ao ponto de nem ir para na minha memória. Bom, depois de falar que lembra, não tem como voltar atrás! “Alea jacta est!”. Novamente imaginei:

– Claro que eu leembro! Como poderia esquecer de você? Faz tempos que não nos vemos não é?
– É, você lembra? Quem sou eu?

Mas, aí, pensei na segunda opção, no caso dele ser uma pessoa simpática:

– Claro que eu leembro! Como poderia esquecer de você? Faz tempos que não nos vemos não é?
– Pois é, bastante tempo! Como vai a família?

Aí eu ganharia tempo entrando com uma conversinha fiada do tipo “e aí cara, como vai a vida?”, enquanto pesquisava novamente na minha memória. O desespero batendo, d”e onde diabos esse cara veio”??

Se eu utilizasse minha aptidão para enrolar, e ficasse meia hora no “você é o …”:

– Nossa, lembro! Você é o … o …

Eu contaria com a piedade do Fulano, esperando ele se identificar depois de ouvir tantos “o …”. Melhor não, pensei em culpar minha memória então, já que realmente ela é terrível mesmo. Pelo menos agora minha dificuldade em lembrar das coisas serviria de algo. Me flagrei imaginando de novo:

– Cara, minha memória é terrível… sabe?…

Eu contaria novamente com a piedade dele, nesse caso ele se sentiria mais importante do que no anterior… Já que o problema não era ele ser totalmente insignificante e sim a minha memória que é horrível.

Sou muito sincera na maioria das vezes, mas fiquei com medo de chatear ele e comecei a tentativa de uma enrolação leve:

– Ah, tudo bem? Quanto tempo…
– Tempo mesmo! Tudo bem e você? Como anda a vida?

Acabei com tudo isso e disse:

– Desculpa, vou ser sincera… Não tô lembrando mesmo de onde te conheço! Já pensei aqui, mas não consigo lembrar de jeito nenhum! Eu realmente não sou boa de memória, e esqueço nomes com uma facilidade que você não imagina.

Para o meu alívio, ele respondeu com um sorriso no rosto:

– Imaginei que você não fosse lembrar. Sou eu, o Pedro… Estudamos juntos até a Alfabetização, tenho muitas fotos com você, acabamos fazendo par sempre nas festinhas de São João do colégio.
– Ah, Pedro! Você mudou bastante… Fica difícil lembrar né? Tanto tempo depois…
– É, lembrei de você porque você continua igualzinha, o mesmo rosto… Você era meu amorzinho de colégio!

Eu ri, falamos da vida um pouco, contei o que estava fazendo no momento, ele também. Descobri que ele tinha se mudado para a casa do lado do meu prédio. Provavelmente outros encontros na padaria aconteceriam, então mandei um “até mais” e fui embora, com a consciência tranquila. Às vezes, a verdade dói. Mas, às vezes, ela é realmente a melhor saída.

14
out
09

Inove

ta

Estava eu pensando com os meus botões sobre como a vida é engraçada, e como as mulheres são totalmente desvairadas. Sem generalizar nem nada, é só que eu lembrei que do último relacionamento do meu melhor amigo, ele fazia quase tudo que que sua ex queria, e ela se aproveitava mais dele, até que chegou uma hora em que tanto eu como outro amigo nosso dissemos “Fulano, acabe com ela… Sicrana só está contigo por conveniencia” e ele acabou um dia depois. Incrivel como a influencia dos melhores amigos é grande num relacionamento… Mas não é sobre isso que quero falar hoje, deixo isso pra um post futuro.

Quero falar qual foi o ‘erro’ dele, pois querendo ou não, quando um relacionamento não da certo, é porque os dois erraram, claro que um ou outro tem uma parcela maior de culpa. Acho que o erro do meu amigo Fulano é que ele não inovou sabe? Não fez sua namorada se reapaixonar por ele, era sempre o mesmo programa, no fim de semana iam prum bar/boate na sexta; a cada quinze dias iam pro sushi, às terças e quintas pra casa dele ou dele… Enfim sempre a mesma coisa… Esse é o principal culpado do fim dos relacionamentos, junto com o ciúmes, e a falta de amor.

Seres humanos simplesmente enjoam da rotina, mas as mulheres não só enjoam, como ODEIAM rotina, estão sempre querendo ser supreendidas, querendo se reapaixonar. Confesso que custei a aprender essa lição, foram várias mulheres que perdi pra entender que eu tinha que sempre estar inovando pra não perdê-las.

Na verdade eu comecei a escrever por causa delas, comecei com poemas pra tentar ganhar uma garota, acabou que nem deu certo com ela, mas eu gostei do que escrevia, me sentia mais relaxado, e descobri que os poemas são uma mão na roda quanto a ser um inovador. Claro que ai eu acrescento flores vez por outra, não precisa ser uma data especial, qualquer dia é dia de ser romantico… Às vezes um colar ou um ursinho de pelúcia, etc. Sempre tentando inovar.

Acho que Heath Leadger foi meu principal inspirador a ficar tentando novas maneiras de reconquistar as mulheres, isso porque naquele filme “10 Coisas Que Odeio Em Você”, ele nunca desiste, sempre mudando o jeito de mostrar seu interesse pela garota lá. Por exemplo, eu juro que se eu tivesse uma voz bonita e soubesse tocar violão bem, faria uma serenata pra minha namorada, acho tão romantico, e tão simples.

Um jantar a luz de velas, ao invés do costumeiro sushi, filme água com açucar no sofá, acompanhado de pipoca e sorvete, se revezando com o cineminha, mudar o local pra onde você sai sempre é uma boa pedida. Claro que existem fatores que atrapalham isso, como ela ter que estudar, trabalhar, a mãe dela impedir, o seu dinheiro estar escasso, mas só de você mostrar que está disposto a fazer programas diferentes, ela já vai gostar.

Por exemplo, eu mesmo estou sempre chamando minha namorada pra ir comigo na Sé de Olinda ou no Marco Zero de Recife (embora ainda não tenha conseguido levá-la lá), sei que vai ser dificil levá-la, mas quando eu o fizer ela vai adorar a mudança no programa. Um conselho, não espere o namoro entrar em crise para tentar programas novos, alguns vão acabar sendo uma furada, porém se o relacionamento tiver que acabar, você vai levar um bom aprendizado.

É isso aí, INOVE, e com certeza, sua mulher vai te querer pra sempre.