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Desmistificando Amélia.

  Não vou falar do machismo dos homens que ficam no sofá vendo futebol, coçando o saco e gritando por mais uma Skol. Nem de quando se uma mulher traísse seu marido, ele possuía o direito de matar ela e o amante, enquanto ele tinha 3, 4,5… sei lá quantas amantes. Nem de quando as mulheres passavam de propriedade do pai para propriedade do marido. Nem dos homens que se acham no direito de bater nas suas mulheres e que não permitem que elas trabalhem. Muito menos daquela época em que a mulher era uma bobinha que só cozinhava, cuidava da casa e dos filhos, não tinha direito a estudar nem a trabalhar. Acho que tudo isso já tá muito batido e ultrapassado.

É bem claro pra mim que se o machismo existe é porque nós, mulheres, permitimos. Por exemplo, as mulheres que se permitem ser objeto sexual, tão toda hora desfilando pela tv, ou pelas revistas, nuas ou semi-nuas. E achamos isso tudo tão natural… Não dá pra anular nossa parcela de culpa.

A mãe da minha amiga é um caso clássico. Não trabalha, “meu trabalho é cuidar dos meus filhos e da minha casa”, ela afirma feliz da vida. E não é só o fato dela ser dona de casa, não. Ela vive pelo marido e pelos filhos, se arruma PARA o marido, e fica em função dos filhos o dia todo (leva pra o colégio, leva no inglês, leva pro dentista…). Se isso que eu citei não bastou, ela cria os filhos de uma forma machista. A filha acorda, prepara a comida, lava sua louça, vai pro quarto e forra sua cama. O filho acorda, senta na mesa e berra pela mãe para que ela prepare tudo para ele. Tudo bem se ela é feliz assim, mas o que incomoda é que: sem se dar conta, ela tá perpetuando um estado de coisas que só traz infelicidade a homens e mulheres: pois acho que, quando existem os papéis fixos de dominador e dominada ninguém consegue ser feliz.

Antigamente o machismo era algo imposto, era bem mais difícil mudar o quadro. Não entendo porque depois de termos quebrado tantos paradigmas, algumas mulheres depositam única e exclusivamente sua felicidade em um homem. Se antes éramos Amélias submissas, hoje somos mulheres INDEPENDENTES, de fibra, atraentes, seguras, inteligentes, poderosas, lindas, interessantes… E conquistar isso não foi fácil. Chegou a hora de valorizar tudo que passaram as outras mulheres para chegar no ponto onde chegamos.

Porque pra mim é fácil acordar, ir pra faculdade, ter um emprego, poder escolher quem eu bem entender pra casar – ou nem casar!-, poder expor minha opinião, escolher uma carreira, votar, ganhar mais do que o meu marido, discutir de igual pra igual com qualquer homem e muitas vezes ter muito mais conhecimentos e argumentos que ele, enfim… Ser dona de mim. Mas, é raro alguém parar pra pensar o que passaram outras mulheres pra a gente ter tudo isso tão fácil.

Somos machistas ao ponto de nos conformarmos com o “instinto incontrolável masculino”. Gente! O quão descontrolados são esses homens que não podem ver um “pedaço de carne” que já tem que abocanhar mesmo sem fome? Bobagem, eles fazem isso só pra suprir as necessidades deles, continuam nos amando. – Patético-. Se uma mulher acusa o chefe de estupro, logo pensamos “ah, mas ela deve ter dado motivos”. Eu hein… Criticamos mulheres que exercitam sua sexualidade livremente; chamamos de safadas, mulheres que se apaixonaram por homens casados ou que tiveram relacionamentos extraconjugais; Isso tudo é machismo porque a mesma atitude não causaria qualquer espanto se fosse um homem. E continuamos achando tudo isso tão natural… Afinal, “ele é homem”. E tudo se justifica por isso.

Nossa sociedade é machista; mulheres, homens, criancinhas e velhinhos, todos são (mesmo que seja um pouquinho e inconscientemente) machistas. Entendo que isso está impregnado na nossa cultura, é difícil para algumas pessoas ter tato para perceber o mundo à sua volta, e não se acomodar! E pra mim, submissão também é machismo, um machismo herdado, sem dúvidas, mas é!

Esse post não é uma crítica aos homens e sim às mulheres machistas. Adoro as particularidades que nos fazem ser homens ou mulheres. Quero cada um com suas características, porque a diferença entre homens e mulheres é o que os atrai. Não pode faltar masculinidade (não brutalidade e pensamentos quadrados), nenhuma de nós vai querer um homem afeminado. Acho que os homens tem sim que, carregar as compras, conquistar, dar flores, ligar pra dizer que ama, abrir a porta do carro e pagar a conta (algumas vezes). Não por uma questão de machismo, e sim por uma questão de cavalheirismo e romantismo, por gostar de você, e porque ele quer fazer, do mesmo jeito que você também pode fazer por ele.

Que fique claro, não sou feminista, nem machista… Afinal, nesse caso, os extremos me incomodam. Mas pera aí gente, Hello! Amélia – A Miss Machismo – já morreu, e ela nem era “mulher” de verdade. Quem aguentaria viver com uma Amélia? Deixo o poeta responder, já que substituiu Amélia pela outra que “só pensa em luxo e riqueza…Tudo o que você vê, você quer”. Ao meu ver, bem no estilo que “reclama mas ama”.


(Achei terrível o que o gabriel pensador fez com a música, mas fundo de quintal dá uma salvada depois!)


6 Responses to “Desmistificando Amélia.”


  1. 8 de setembro de 2009 às 8:42 PM

    Acredito que a sociedade foi inventada por mulheres. Não pelo fato de que elas precisassem proteger a si mesmas e aos seus filhos, mas pelo fato de querer DOMESTICAR os homens. Além disto, todas as ações da humanidade (leia-se HOMENS) foram feitas por causa das mulheres. Na verdade, para os homens levarem elas para a cama. A república brasileira foi proclamada por causa disso (me mande um e-mail pra eu contar a história)…

    “Se as sociedades primitivas eram uma maneira das mulheres controlarem os homens, elas passaram a se tornar uma maneira dos homens controlarem as mulheres?” Nah, as mulheres ainda nos comandam como se fôssemos meros fantoches. E só há pouco tempo atrás que elas voltaram a notar isto…

  2. 2 tatyseixas
    8 de setembro de 2009 às 9:41 PM

    Impressionante como esse tema é recorrente na vida das mulheres modernas. Mesmo no século XXI tem muito ogro por ai que acha a coisa mais normal do mundo a mulher ter que fazer jornada dupla. Num dá mesmo pra entender porque temos que fazer tudo o que eles fazem e ainda chegar em casa e ter que lavar, passar, conzinhar, cuidar de filhos, cuidar do corpo e ainda fazer loucuras na cama.

    E pensar que eu mesma estava caindo nessa nóia. Acreditem, a sociedade é tão machista e nós somos tão bombardeadas desde pequenininhas com filosofias chauvinistas que nem percebemos que essas doutrinas entram por osmose. Compartilho aqui com vocês a história que vivi há pouco tempo e que tem tudo a ver com esse post: ‘Amélia é que era uma fpd’ http://tinyurl.com/ndusub.

    Bjs e parabéns mais uma vez pelo blog! =D

  3. 8 de setembro de 2009 às 10:48 PM

    Só me veio na cabeça “O sorriso de Monalisa” e “Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus”.

    Sem o carinho da mulher e a rigeza de um homem. Sem a compreensão da mulher e a objetividade de um homem. Sem mais uns mil papéis de homens e mulheres. Sem a inversão destes papéis, quando preciso. Qualquer coisa seria tão bom quanto conhecer e se entregar para alguém.

    Homem, mulher. Hoje em dia vejo menos diferenças – emocionais, principalmente.

    Cada um no seu quadrado e, quando preciso, os dois no mesmo quadrado abraçadinhos.

    YEAH!

  4. 4 Nataly
    9 de setembro de 2009 às 4:42 PM

    Adorei o post – como sempre -, e concordo quando você diz que algumas de nós permitimos que o machismo impere, fazer o que para algumas mulheres isso está arraigado!

    Beijos.. 😀

  5. 5 Editora Noá
    10 de setembro de 2009 às 1:16 AM

    Adorei seu texto…
    está totalmente certa, talvez devêssemos mudar nossa visão para depois querer que os outros mudem a deles.


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