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Em cartaz: Amor-carma.

  Todo mundo teve um amor-carma (no sentido popular de carma) e se ainda não teve, pode acreditar, vai ter. Eu já tive. Costumo dizer que a minha vida – pelo menos a amorosa – se divide em Alice a.f. (antes de fulano) e Alice d.f.(depois de fulano). Fulano é o cara que te dá borboletinhas na barriga, que te faz querer ser uma pessoa melhor, que você acha que vai casar, que te faz cantarolar o dia todo, que você mergulha no olhar e não quer sair nunca mais, até faz medo se afogar nele… Enfim, é o cara que acelera seu coração de verdade.

  Acontece naturalmente… Quando você vai ver, se flagra apaixonada. Todo mundo pergunta “o que diabos tu viu em fulano?”. E você, na maioria das vezes nem sabe explicar, só sente. Fulano nem é lindo, nem tão simpático, não é engraçado, não se veste tão bem… Às vezes, até eu me pergunto “o que diabos eu vi nele?”.

  Esses amores que mudam a nossa vida, sempre são muito complicados. Sempre tem muito vai e volta, muito chororô, indecisão… Isso, claro, pra ter aquele gostinho de amor impossível (é como dizem, tudo que é impossível é mais gostoso). Parece aquele amor de filme que no fim, claro, vai dar certo! (tá, isso é o que a gente gosta de acreditar).

  No meu caso, meu amor-carma foi também meu primeiro amor. Sabe aquele amorzinho de colégio? Pronto, era bem isso. Tinha gosto de algodão doce no parque, de cafuné, de soneca depois do almoço, de pipoca de cinema. Eu nunca descobri se ele sentia o mesmo por mim, lembro que na época eu só achava que tanto sentimento assim não tinha como não ser recíproco, porque era só olhar no olho dele que eu via tanta verdade e essas coisas todas.

  O importante é que como já falei em outro post, pra mim o amor se transforma… E o meu, que era um sentimento tão lindo, tão puro, não podia morrer né? Conseguimos com muito sacrifício uma amizade verdadeira. O importante é que o amor virou carinho, bem-querer, mas seria mentira dizer que não rola atração, e que o carinho e bem-querer não podem voltar a ser o velho amor um dia.

  Eu poderia passar horas falando dessas pessoas, de como elas acabam sendo especiais pra gente etc e tal, mas agora vou falar um pouco das duas Alices. A Alice a.f. era inocente, sonhadora, acreditava em contos de fadas, achava que quando alguém te diz “eu te amo”, realmente te ama. A Alice d.f. aprendeu muito, se deixa iludir menos, descobriu que pra algumas pessoas “eu te amo” pode não significar muito.

  Outro dia estava conversando com um amigo meu sobre isso, e sobre esse fulano. Percebi que o amor-carma é tão cinema! Ok, eu explico…

   Vemos o trailer passando e ficamos loucos pra ver o filme. Resolvemos ir, chegamos no balcão compramos nossos ingressos, nossa pipoca e nosso refri, felizes da vida! Entramos na sala, eis que aquele “clima” gostoso de cinema aumenta, vamos ficando cada vez mais ansiosos, doidos pro filme começar logo. As luzes se apagam, aí acende aquela tela gigante e cheia de magia, vem o trailer (uma enrolebinha… já não agüentamos, queremos que o filme comece! Mas, faz parte do ritual, temos que esperar e deixar acontecer). O filme começa, olhos vidrados, sem perder nenhum detalhe, aquela empolgação de coisa nova… Que sensação boa! Conforme o filme vai passando, a pipoca e o refri vão acabando. Vamos sentindo uma angustiazinha, mais um tempinho e já sabemos que logo o filme acaba. Vem a curiosidade, queremos saber no que vai dar… Qual vai ser o final da história, se vai ser feliz ou triste! Será que vai ter o “felizes para sempre”? Nesse momento, já vai chegando o medo que as luzes se acendam. As pessoas começam a ficar agitadas, se preparar pra sair, algumas emocionadas, umas tentando segurar o choro, e outras que nem gostaram do filme. Enfim… Chega a hora, as letrinhas começam a subir, as luzes se acendem e você simplesmente levanta e sai.

  Assim como existe um ritual do cinema, existe o do amor-carma. Como no cinema, vemos alguém, nos interessamos… Começamos empolgados, felizes da vida. Aí tem as enrolebas do trailer, que no caso do amor-carma, é a fase da conquista, torcemos para que essa fase tenha bons resultados. Se tudo der certo, vem a magia, que enche nossos corações… O sentimento vai evoluindo, mas não sabemos no que vai dar… Não podemos escolher o final da história (afinal ele depende também, no meu caso, do fulano). E aí o filme acaba, nos fica a missão de descobrir se a paixão vira amor, e se vamos voltar ao cinema para assistir uma continuação.

  Dizem que o amor vem quando a paixão vai embora, que o amor é calmaria… Mas pra mim, o amor nada mais é do que um reapaixonar eterno. O amor-carma é como um filme, que vai ter sempre muitas continuações. Você poderia me dizer que as continuações do filme podem acabar, mas não que o amor-carma não é eterno.


12 Responses to “Em cartaz: Amor-carma.”


  1. 1 Rafael Mendes
    7 de setembro de 2009 às 7:42 PM

    oiiii alice obrigado pelo bem vindo
    adicionei em meus favoritos e sempre vo ta visitando seu blog pra ve oque tem de novo okay?
    se quiser me add ai. pra quem sabe agente troca fdigurinhas depois ehuaheuhae.. beijos rafaah_@msn.com

  2. 2 Nataly
    7 de setembro de 2009 às 9:45 PM

    Seus post’s sempre tão verdadeiros… Já vivi um amor – carma, e devo dizer, que assim como você, eu me tornei duas, uma de antes, e uma de depois. Talvez o amor carma serve pra isso, para transformar meninas em mulheres.

  3. 3 arinamenezes
    7 de setembro de 2009 às 9:55 PM

    Concordo com a Nataly. Quem não teve um amor verdadeiro, e quem não se trasnformou depois dele? Achei sensacional a forma que você conciliou amor-carma com a sensação de ver filme no cinema, é assim mesmo! kk Muito bem escrito 🙂
    Beijos amor, valeu pela visita.

  4. 8 de setembro de 2009 às 1:42 AM

    sinceramente, eu nunca tive um amor assim,
    claro que ja tive esse sentimento de “ela nem é tão boa assim” e “porque mesmo eu tou com ela?”
    mas… que eu me lembre, nada do tipo, que foi um divisor de aguas na minha vida,
    ou melhor, alguem que estara presente sempre… acho que por isso que acredito que o amor é eterno… nunca diminui de intensidade, no maximo muda de forma – amor-odio, paixao-rancor, amizade-desprezo – …

  5. 6 ton ton
    8 de setembro de 2009 às 1:56 AM

    eu nunca tive um amor assim hehee
    talvez eu seja muito insensível .. mas sei lá,
    quem sabe um dia eu tenha ne? ahaha
    mas espero que tenha um ‘feliz pra sempre’, nao queria
    ter q esperar para ver a continuação do filme!hehe
    Mas o teu migs, vai ter continuação, pode escrever! kkk
    beeeeeijos :*

  6. 7 Nessoca Passoca
    8 de setembro de 2009 às 1:48 PM

    É verdade…quem nunca teve uma história pra contar sobre um “amor-carma” que já teve na vida né? Rs…Pra mim sei lá, eu acredito e não acredito no amor verdadeiro, aquele eterno sabe? Tipo assim, eu não acredito, até que me provem o contrário (afinal, como acreditar em algo q vc nunca teve? haeiuhaeiu)

    Valeu pela tua visita. Adorei aqui tbm, vc escreve muito bem.
    Beijos, volte sempre!

  7. 9 maribremecker
    8 de setembro de 2009 às 5:41 PM

    meu deus a cada post vc’s se superam e escrevem com uma delicadeza,com um amor no ar…que coisa bunita de ser lida..qm dera eu conseguir fazer isso tb!

    Parabéns aos dois!
    http://maribremecker.wordpress.com/

  8. 8 de setembro de 2009 às 5:50 PM

    Amor…
    Todos amam ou todos amarão algum dia. Todos sentem “as borboletinhas na barriga”, “mergulham nos olhos” e se afogam às margens da certeza – “que seja eterno enquanto dure”. Às vezes amamos em silêncio pelo medo da certeza ou incerteza, quem sabe, de que o amor termine um dia. È muito bom o amor platônico, aqueles dos soluços silenciados, quando nos deparamos abraçados no travesseiro gritando em pensamento a saudade de determinada pessoa. Amar é viver em comunhão e liberdade? Amar é cólera?… Nãosei a definição certa do amor, só que que amar é uma loucura sem fim. E antes que termine o dia, vale lembrar que amor é único em alma, suor e prazer.

  9. 9 de setembro de 2009 às 12:13 AM

    Oi, Alice!

    esse tema, sempre, é candente… Muito legal o seu post.

    Voltei, seja porque você me convidou, seja porque gosto de estar por aqui (ainda que eu seja, talvez, bem mais “velhinho” do que vocês). Os assuntos tratados por você e pelo Bruno são interessantes e muito bem colocados.

    Sempre apareça no meu blog. Você não precisa de convite. É sempre muito bem vinda.

    Por várias razões.

    Beijo.

  10. 12 Julio Cesar
    10 de setembro de 2009 às 3:06 PM

    amor-carma… quem nunca teve um?


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