03
set
09

Ponto final.

Confesso que não sou boa com finais. E isso vai desde o fim de um namoro até, sei lá, o fim do colégio. Sempre fico com um gostinho de “quero mais”, ou com aquela saudadinha. Sim, porque quando acabamos um relacionamento e ainda gostamos (mesmo que seja um pouquinho) do cara, lembramos muito mais das coisas boas que ele tinha, e damos uma maquiada nos defeitos. E, posso dizer o mesmo do colégio.

Abro a porta do meu quarto e me deparo comigo mesma, aos 15 anos, chorando minha primeira desilusão amorosa. Rabo-de-cavalo, blusa cor de rosa, shortinho jeans, maquiagem borrada e um all star preto. Olho pra o eu mais nova e afirmo:
– Não devia chorar assim por ele, daqui há uns anos, você não vai ligar tanto pra isso.
– Como você sabe? – Olho para mim mesma, mais velha e mais chata.
– Sabendo, vou ser sincera, você ainda vai ter lá sua quedinha por ele, mas… Nada que envolva lágrimas e muito chocolate.

Pulando a conversa entre eu e eu mesma, porque isso tá ficando meio confuso até pra mim mesma, que tô escrevendo. Eu não era de me apaixonar fácil, estava sempre feliz e tranquila. Mas, nesse momento da minha vida comecei a notar essa minha dificuldade com finais. Na minha cabeça, quando levei esse meu primeiro pé-na-bunda, só vinha a idéia de “nunca mais”. Nunca mais vou ouvir aquela voz dele perto do meu ouvidinho, nunca mais vou ganhar um beijo dele, nunca mais vou sentir o cheiro dele, nunca mais vou receber as ligações dele e nunca mais vou poder chamar ele do nosso apelido carinhoso. O “nunca mais” é que acaba com a gente, que faz a gente repensar nossas ações, ver que a situação anterior não era tão ruim e que vamos morrer de saudade. E é assim nos primeiros meses, até a gente se ocupar com outras coisas, outros amores e aos poucos ir esquecendo, colocando a poeira debaixo do tapete do coração (pra, quem sabe, um dia ser soprada e voltar). 

Vou ter que discordar do meu colega de blog, e do seu post anterior. Acho que você pode amar muitas vezes e muitas pessoas/coisas ao mesmo tempo; amar um amigo, sua mãe, seu pai, seu cachorro, os Beatles… São vários amores diferentes e de intensidades diferentes. E o amor, assim como outros sentimentos, se transforma. Pode se transformar em carinho, num querer bem, ou em outro tipo de amor. Digamos que o amor é eterno, mas varia em suas formas. O problema é essa transição, que pra uns pode ser mais ou menos dolorosa (tranquila nunca é, e nunca vai ser pra ninguém).

A cada dia me sinto mais “apaixonável”. Acho que o que deveria acontecer era contrário, porque quanto mais vou descobrindo sobre amar uma pessoa, mais eu vejo o quanto é complicado. Só que ao mesmo tempo que é complicado, é uma delícia. Não tem muita racionalidade nessas coisas. E aí, você se deixa levar pelo sentimento, vai se apaixonando, se envolvendo e quando vê, já ama fulano! Quando fulano cansa de você, ou vocês começam a perceber que não tá dando mais certo, vocês acabam. Pode ser que tenha sido você mesma quem acabou, mas, diga se você não fica com aquela sensação ruim por uns tempos? Eu fico por muito tempo, não sou desapegada.

E falando em desapego, tenho que falar que me apego muito fácil. Recentemente acabei um relacionamento, no qual eu já entrei sabendo que tinha prazo de validade curto. Chorei, fiquei abusada, tristonha, bem “down”. Mas, eu não amava ele… Então porque eu tava assim? Primeiro porque já tinha me apegado a ele. Segundo porque já tinha me acostumado a ter ele na minha vida. Sim, porque agora ficaria um buraco na minha rotina. Quem vai me ligar toda noite ou mandar mensagens de bom dia? Quem vai passar tardes comigo falando besteira? Alguém vai, novamente… Mas e até lá? Dá preguiça começar tudo de novo, encontrar outra pessoa que você considere especial e tudo mais. E mesmo que você encontre outra pessoa pra fazer todas essas coisas, ninguém vai ser igual a ele, fazer as coisas do jeito que ele fazia, não adianta tentar substituir.

Concluí que estou com preguiça sentimental. Pra eu pensar em algo sério com alguém depois desse, vai demorar. Tenho que colocar na minha listinha de afazeres que preciso também aprender a escolher melhor meus pretendentes. Quem escolhe um cara sentimental, fofo, e pegajoso pra ficar sem compromisso? Ou então um cachorro, sem-vergonha e pega-geral, pra se apaixonar e namorar? Prefiro não comentar! Gosto do “felizes para sempre” (porque aí não teria fim, obviamente). Mas, enquanto não acho meu “felizes para sempre” e a minha preguiça sentimental não passa, vou por aí me divertindo da maneira mais errada, com os caras mais errados possíveis. E, casualmente me apaixonando por alguns deles.

Música do post (Better that we break – Maroon 5):

Uma sugestão de filme (Apenas o fim):


9 Responses to “Ponto final.”


  1. 1 lfsha
    3 de setembro de 2009 às 1:10 AM

    adorei e ri muito com essa parte :

    ” Abro a porta do meu quarto e me deparo comigo mesma, aos 15 anos, chorando minha primeira desilusão amorosa. Rabo-de-cavalo, blusa cor de rosa, shortinho jeans, maquiagem borrada e um all star preto. Olho pra o eu mais nova e afirmo:
    – Não devia chorar assim por ele, daqui há uns anos, você não vai ligar tanto pra isso.
    – Como você sabe? – Olho para mim mesma, mais velha e mais chata.
    – Sabendo, vou ser sincera, você ainda vai ter lá sua quedinha por ele, mas… Nada que envolva lágrimas e muito chocolate.

    Pulando a conversa entre eu e eu mesma, porque isso tá ficando meio confuso até pra mim mesma, que tô escrevendo.”

  2. 3 de setembro de 2009 às 5:22 AM

    ^^
    Comentários já feitos… you got a ticket to ride, so, care!

  3. 3 Nataly
    3 de setembro de 2009 às 3:27 PM

    Blog cada dia melhor.. post’s cada vez mais verdadeiros…=]

  4. 4 minhamaequemedisse
    3 de setembro de 2009 às 4:12 PM

    Devo confessar que me vi escrevendo, se não vivendo isso..

    “A cada dia me sinto mais “apaixonável”… me identifico tanto…

    dei até uma choradinha…

    adoro vir aqui te visitar!

  5. 5 mister23
    3 de setembro de 2009 às 4:42 PM

    Adorei… e concordo quanto o amar várias pessoas de várias maneiras e intensidades diferentes… Eu mesmo não entendia este conceito, mas depois de terminar e começar à namorar outra pessoa eu entendi…

    Nice done…

  6. 4 de setembro de 2009 às 12:48 AM

    Alice

    de fato, é um tanto chatinho esse momento de “entressafra” a que você se refere. Mas faz parte do caminho pessoal.

    Apenas o seguinte: durante esse período, se preserve o mais que puder, exatamente para estar menos vulnerável com o que virá pela frente.

    Como está claro que você gosta (pelo visto, muito) de Beatles (eu gosto tanto que me considero quase um talibã), dê uma olhada nesse clipe que postei no meu blog. Ele é inteiro maravilhoso, mas o finalzinho é bem especial. Veja no link abaixo:

    http://wp.me/poxoT-pg

    Sem querer jogar confete mas já jogando, parabéns pelo seus textos. São muito bons, bem escritos etc.

    João

  7. 7 jehbelini
    5 de setembro de 2009 às 1:51 AM

    Adorei o texto, e concordo com td… eh um texto mtu verdadeiro !!! Da uma passadinha no meu blog… http://www.turntheradioon.wordpress.com

    JehH

  8. 8 Prik
    5 de setembro de 2009 às 7:25 PM

    Você descreveu totalmente minha situação hoje

    e ainda colocou maroon 5 no final *_____*

    acho que vc eh minha alma gemea

    UHASHUSAHUAS

    brinks

  9. 5 de setembro de 2009 às 10:29 PM

    Eu adorei o texto. Absurdamente bem escrito.

    É possível amar várias coisas/pessoas/atividades ao mesmo tempo,e, se não fosse possível, provavelmente não teria graça.


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