30
ago
09

Pras dores do coração, nada melhor que capirinha na mão!

 
  Mês passado um amigo meu levou um pé na bunda da namorada de séculos, ela disse que não sentia mais aquele amor de antes por ele. Obviamente ele ficou super tristinho, todo mundo morreu de pena, até a avó dele de Minas Gerais ligou pra conversar com ele (a mãe dele ligou pra ela pra contar o ocorrido). O curioso é que, dois dias depois, ele já estava todo feliz e saltitante por aí. Se refez; saiu com os amigos, foi jogar bola, viu seus filmes preferidos, jogou muito Nintendo wii, modificou algumas poucas coisas na sua rotina e voltou a sorrir. Você poderia dizer que isso é coisa de homem mesmo, que se fosse uma mulher estaria aos prantos por vários dias. Que ele nem gostava dela mesmo, e era por isso que já estava tão bem. Sem querer entrar nesse assunto, não era isso; ele realmente gostava dela! E ele é o cara mais sensível e fofo que eu conheço. Precisava comentar isso pra o coitado não ser apedrejado aqui.

Sempre que alguém chegava com aquela voz de pena, com aquela cara de “fiquei sabendo do ocorrido”, ele mostrava que estava bem e todos se decepcionavam com a reação dele. Ao invés das pessoas ficarem felizes com a velocidade que ele conseguiu superar, todo mundo estranhava. Porque se tinha acontecido uma coisa ruim, normalmente ele deveria estar triste, se não, arrasado. Não sei o que acontece, mas acho que tenho cara de terapeuta ou psicóloga. Sempre que acontece alguma coisa, as pessoas vem perguntar o que eu acho. Sempre que dá, uso a conhecida técnica do “já aconteceu comigo, mas eu superei”. Resolvi comentar com ele, uma situação parecida.

Quando eu passei no vestibular para a Universidade Federal, meus pais explodiram de alegria, junto com toda a minha família. Todo mundo vinha falar comigo: Nossa! Que coisa maravilhosa! Você tá super feliz né? E eu respondia “é, tô sim…”. Óbvio que eu estava feliz, mas com essa conquista, vieram também muitos questionamentos. Se era realmente aquilo que eu queria pra minha vida, se esse curso era o que eu sempre sonhei, enfim… O importante é que, assim como esse meu amigo, não correspondi a expectativa das pessoas. E aí começamos a refletir se a gente tinha mesmo que estar como as pessoas queriam, no caso, ele triste e eu saltitante.

Não foram necessárias mais duas caipirinhas pra a gente concluir que o que a gente tinha que fazer era ignorar o que os outros querem e/ou pensam. Achamos dois motivos principais: Primeiro: não é justo que as pessoas nos culpem pelo que nós sentimos ou deixamos de sentir. Isso é uma coisa que não controlamos, simplesmente sentimos, sem muita opção de escolha. Segundo: seres humanos são muito complexos. Só nós podemos ver nossa vida de dentro, o resto das pessoas só enxerga o lado de fora das situações. Vendo de fora, as pessoas só possuem capacidade de capturar o mais superficial delas. O que pra gente pode ser terrível, sensacional, “a treva”, doce, macabro, assustador, maravilhoso, amargo, lindo, e horrendo; os outros classificam, sei lá, apenas como bom ou ruim.

E não dá pra culpar também os outros por serem assim. Afinal, somos parte dos outros. Tudo que você viver, vai ter muito mais significado pra você, que é quem está vivendo. E para quem tá lá, ocupado pensando na sua pacata vidinha, é muito mais fácil classificar o começo de um namoro como uma maravilha e o fim como terrível. E nisso também se enquadram todas as outras situações, as pessoas julgam que você vai se sentir como elas se sentiriam, ou como o resto da sociedade se sentiria.

Sendo assim, se você acabou um namoro recentemente e já tá super feliz, quando deveria estar super mal, vai ter que lidar com as cobranças. Fazer o que? Vamos desnoiar gente! Ou prefere ficar se ajustando ao que os outros esperam que você vai sentir? Também acho melhor a primeira opção.

É bem mais fácil respeitar nossos sentimentos, e só sentir o que nós realmente podemos sentir. Como diria a música do James Morrison e da Nelly Furtado: “You can‘t feel anything that you heart don‘t want to feel, I cant tell you something that ain‘t real. Well, the truth hurts and lies worse…”. Não vale nem um pouco a pena se estressar com isso. Se a sua avó espera que você fique triste porque levou um pé na bunda, faça aquela carinha de triste, se tiver a fim, mas não deixe que isso modifique o que você realmente sente. Depois faça como meu amigo, venha tomar uma caipirinha comigo e refletir sobre o assunto!

 

 


14 Responses to “Pras dores do coração, nada melhor que capirinha na mão!”


  1. 30 de agosto de 2009 às 3:14 AM

    Tava lendo o post e me lembrei de uma curiosidade. O slogan do Johnnie Walker “Keep Walking” é algo tipo “Tá malz? Keep Walking. Beba Johnnie Walker”

  2. 30 de agosto de 2009 às 6:10 AM

    Tin tin! (bebendo caipirinha!)

  3. 30 de agosto de 2009 às 4:37 PM

    desse jeito as pessoas vao querer ir tomar uma caipirinha contigo só pra dar em cima de tu
    HSUISHUIHSUISHUISHUSHUISHUHSUI

  4. 30 de agosto de 2009 às 4:55 PM

    Alice, acho justamente o contrário. Acho que devemos sim, nos importar com o que os outros pensam, mas sem necessariamente nos portar como os outros pensam que deveríamos.

    No caso, bastava seu amigo dizer expressamente que, sim, havia sinceramente sofrido, de forma profunda e doloras, mas que já estava recuperado; no seu caso, você poderia compartilhar suas recém adquiridas angústias, dizer que sua felicidade vinha temperada com novas dúvidas.

    Uma outra coisa: não que não possa ser, mas em nenhum momento o texto fala sobre tristeza ou amor 😉

    Obrigado pelo comentário tão veloz. O blog de vocês é novinho, né, pouco mais de dez dias. Bem vindos ao maravilhoso mundo do wordpress.

  5. 5 Alice
    30 de agosto de 2009 às 5:10 PM

    Paulo, só pra constar que o título do post eu me referi as dores do meu amigo, que saiu comigo e curou as angústias do coracao dele refletindo comigo, e com a ajuda da capirinha.
    Acho que nao ficou muito claro, né? Hahaha 😉

    • 30 de agosto de 2009 às 5:15 PM

      Eu que enfatizei a sua conclusão sobre como se portar em relação às expectativas dos outros.

      Mas não me entenda mal, ficou claro sim. Como diz uma camiseta minha com o desenho do Homer Simpson, “ao álcool, a causa e solução para todos os problemas da vida” 🙂

  6. 7 João Moura
    30 de agosto de 2009 às 5:53 PM

    Uma caipirinha sempre é digna! E sentimentos? São seus! Faço bom uso. ^^ Cada um sabe, ou deveria saber, o que sente, e aproveitar da melhor forma possível. o/

  7. 8 marinakeiko
    30 de agosto de 2009 às 6:51 PM

    melhor que caipirinha é tequila! e fez muito bem esse seu amigo de nao ficar todo mole. A VIDA TAI AEAEAEAE

  8. 9 meninasonly
    30 de agosto de 2009 às 11:25 PM

    Adoro papos com caipirinha e, na falta deles, é sempre bom ler sobre eles rsrs. Mas vivemos, sim, atendendo sempre a expectativas, e acho que é por isso que tanta gente anda com depressão, síndrome de pânico, TOC, etc. Estamos sempre tentando agir da forma como é esperado, e não como queremos.
    Parabéns, Alice. Seu blog está uma delícia.
    Beijos!!!

  9. 10 Isalindita
    31 de agosto de 2009 às 1:03 AM

    ITAIPAVA É SEM COMPARAÇÃO !

  10. 31 de agosto de 2009 às 3:39 AM

    É isso mesmo, no mundo tem tanta mulher… Pra que ficar chorando… rsrs. Enquanto o amor não vem a gente se diverte e leva a vida numa boa com um bom copo de caipirinha na mão!

    http://www.pagosparavadiar.wordpress.com

    Obs: Otimo blog!

  11. 13 Anneclaire Michels
    31 de agosto de 2009 às 4:01 AM

    Oi Alice
    Vi que passou pelo meu blog.. legal q gostou do meu texto.
    E o teu post é o que acontece mesmo… gente julgando vai sempre existir. Não dá pra considerar tudo mesmo.

    http://annemic.wordpress.com/

  12. 31 de agosto de 2009 às 5:17 PM

    Eu gostei muito do texto e do blog.
    Concordo com a parte que você diz que: “nós somos um pouco dos outros”.


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