Arquivo para agosto \31\UTC 2009

31
ago
09

Apenas um feitiço

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“Todo cachorro vai encontrar sua coleira”. Isso sim deveria ser um ditado popular… Por que? Bem… Porque é a mais pura verdade. Tava lembrando de um grande amigo meu, que foi um dos maiores cachorros que já vi na vida (ele era o tipo mais “fofo” de cachorro, aquele que não é cachorro por querer, é apenas porque as pessoas o tornaram assim…), está agora totalmente encoleirado! É realmente muito lindo vê-lo com a namorada, parece que dá pra ver os coraçõezinhos subindo ao redor deles, e o melhor é os sorriso besta que fica mostrando (ela também parece estar muito feliz).

Enfim, isso me lembrou que eu também estou assim. Meio ridículo, meio idiota, mas é como dizem “a flecha do cupido nos deixa idiotas”. O mais engraçado, é que eu nem queria estar encoleirado (não antes), agora estou muito bem, obrigado. Porque como disse no meu post anterior, eu sou do tipo Raposa, ou era… Bem eu gostava de aventura, quanto mais difícil o desafio melhor, e vivia enrolando uma, que quando passava da validade eu tinha que terminar (afinal nenhuma mulher aceita ficar ficando por mais de 2 meses, pelo menos não sem ter algum tipo de DR).

A nossa história é realmente interessante. Como eu a conheci? Bem eu fiquei com uma amiga dela, que hoje é uma das melhores amigas (o mundo realmente dá voltas), e ela tinha ficado com um amigo meu… Enfim, meio que 1 mês depois disso, como nem eu tinha vingado com amiga dela, nem ela com meu amigo (aliás eu até hoje brinco porque ela ficou com esse meu amigo… hsuihushhsishsuihsui, ela não gosta muito de lembrar disso), eu comecei a flertar com ela, e a recíproca foi verdadeira, claro.

Acabamos num joguinho infantil de:

– Tu me ama – eu dizia
– Claro que não, tu que me ama – ela mostrava a língua.
– Eu? Tu é muito iludida e apaixonada por mim – eu respondia.

E assim sucessivamente… Desde o começo eu agia de forma estranha com ela, como se tivesse voltado a ser um menino bobo e apaixonado (eu ainda não tinha percebido isso na época), e quase 1 mês depois (por desencontros eu acho), a gente ficou (no cinema vendo ‘Twilight’, lembro que depois tive que baixar o filme pra ver, porque não assisti muito lá…). Estavámos no final do ano, e eu fui pra Salvador, ela pra Tamandaré.

(…)

Nos reencontramos em Porto de Galinhas, e aí, eu percebi que estava apaixonado, os papéis se inverteram, e eu me senti na obrigação de tentar um relacionamento sério. Ela quis ser difícil, eu não entendi a mensagem e voltei a agir como cachorro. Não deu certo… Eu não cheguei a consumar meus atos de cachorro, mas dei início aos trabalhos, ela soube disso, acabou numa noite de lágrimas e xingamentos… Nosso primeiro desentendimento.

(…)

Era carnaval, ela já estava com outro, que por ironia era um velho conhecido meu (um cachorro velho de guerra); eu estava ‘feliz’, porque estava SOLTEIRO! Nada melhor que o carnaval de Recife/ Olinda pra espairecer e tirar aquela garota chata que jogou um feitiço em mim, as garotas do carnaval conseguiriam retirar o feitiço, certo? Não, não conseguiram, e após uma semana de ‘aventuras na fazenda’, a raposa aqui estava de ressaca, mas não era ressaca por bebidas, era ressaca sentimental. Eis que surgiu a oportunidade, o destino estava do meu lado, ela vacilou feio comigo (esse foi nosso segundo desentendimento), e acabou pedindo desculpas, e aí me restava duas opções: 1. pisar e acabar com qualquer chance de darmos certo; 2. pedir uma nova chance à ela. Advinha qual das duas eu escolhi? A 2! (até hoje me surpreendo com essa minha escolha!). E aí eu fui lá e me declarei, como nunca tinha feito antes, como o menino apaixonado que descobri ser, o feitiço estava em mim, cada vez mais forte. Ela me prometeu uma nova chance, e eu aceitei esperar.

Um mês se passou, eu dispensei todas as minha peguetes e fiquei no aguardo. Ela dispensou o cara lá, e daí nós tivemos nossa chance. E aí quando eu tinha que dar em cima dela, o nervosismo apareceu, eu parecia ter 12 anos novamente, sem saber como me chegar numa mulher… ‘Maldito cupido’ eu lembro que pensei na hora, por livre e espontanea pressão de um amigo meu, eu fui até lá, e depois dela me cozinhar como havia feito no cinema na nossa primeira vez, a gente ficou, e eu estava totalmente feliz! Só que aí veio nosso terceiro desentendimento. No outro dia, a gente se estranhou, lembro que por causa da noite em Porto do nosso primeiro desentendimento ela me dizia que a música da gente era “Borboletas” de Victor e Léo, e era ela quem ‘cantava’. Pronto, agora a música passou a me ter como ‘cantor’, ela vacilou de novo e eu não estava disposto a perdoar.

Eu dei uma chance a uma garota que estava me cativando, que por ironia do destino (ou por Recife ser um ovo mesmo!) estudava na sala dela. Nós ficamos e eu fui gostando dessa garota. Mas faltava algo sabe? O tal algo especial… Então ela me pediu uma chance, tal igual eu tinha feito após o carnaval… ‘O mundo dá voltas’, ‘o feitiço virou contra o feiticeiro’ foi isso que pensei na hora, mas não pude negar que fiquei balançado, então eu me decidi. Eu fui frio com ela, fui malvado, cortei, e mesmo assim ela continuou a implorar por uma nova chance. E aí eu estava num dilema… Escolher com quem ficar… Eu sou como a raposa do pequeno príncipe, eu só queria alguém pra me cativar… Alguém que me fizesse feliz para sempre, agora eu tinha duas… Duas que eu tinha o carinho enorme. E aí eu fui enrolando o quanto pude, pensando o quanto pude, mas a resposta ficava cada vez mais óbvia, apesar de eu me negar a vê-la. E aí no final, eu não pude deixar de tentar outra vez. Eu morguei com a garota que estava ficando e dei uma nova chance a tal feticeira… E até hoje estamos juntos. Dia 11 serão 4 meses.

Mas porque eu escolhi ela? A resposta se divide em dois motivos, o primeiro é simples; eu não podia deixar de tentar. Porque se eu o fizesse ia viver com a possibilidade de ter dado uma chance, e provavelmente acabar com um arrependimento no coração. O segundo é que eu sabia que amava ela, lá no fundo, eu já sabia disso, por causa dos meus sonhos e aí… Tudo fez sentido.

Então é isso que quero dizer, nunca deixe de tentar, apesar de parecer que vai ser um erro, é melhor tentar e errar, do que não tentar. Você já ouviu aquele ditado “Levanta pra cair de novo”? Pronto, é isso, o ser humano existe pra isso, para errar e só então aprender com os erros. E, às vezes, ter a sorte de no meio desses ‘erros’ encontrar um acerto. Foi assim que encontrei o amor.

~um dos vários poemas pra ela~


30
ago
09

Pras dores do coração, nada melhor que capirinha na mão!

 
  Mês passado um amigo meu levou um pé na bunda da namorada de séculos, ela disse que não sentia mais aquele amor de antes por ele. Obviamente ele ficou super tristinho, todo mundo morreu de pena, até a avó dele de Minas Gerais ligou pra conversar com ele (a mãe dele ligou pra ela pra contar o ocorrido). O curioso é que, dois dias depois, ele já estava todo feliz e saltitante por aí. Se refez; saiu com os amigos, foi jogar bola, viu seus filmes preferidos, jogou muito Nintendo wii, modificou algumas poucas coisas na sua rotina e voltou a sorrir. Você poderia dizer que isso é coisa de homem mesmo, que se fosse uma mulher estaria aos prantos por vários dias. Que ele nem gostava dela mesmo, e era por isso que já estava tão bem. Sem querer entrar nesse assunto, não era isso; ele realmente gostava dela! E ele é o cara mais sensível e fofo que eu conheço. Precisava comentar isso pra o coitado não ser apedrejado aqui.

Sempre que alguém chegava com aquela voz de pena, com aquela cara de “fiquei sabendo do ocorrido”, ele mostrava que estava bem e todos se decepcionavam com a reação dele. Ao invés das pessoas ficarem felizes com a velocidade que ele conseguiu superar, todo mundo estranhava. Porque se tinha acontecido uma coisa ruim, normalmente ele deveria estar triste, se não, arrasado. Não sei o que acontece, mas acho que tenho cara de terapeuta ou psicóloga. Sempre que acontece alguma coisa, as pessoas vem perguntar o que eu acho. Sempre que dá, uso a conhecida técnica do “já aconteceu comigo, mas eu superei”. Resolvi comentar com ele, uma situação parecida.

Quando eu passei no vestibular para a Universidade Federal, meus pais explodiram de alegria, junto com toda a minha família. Todo mundo vinha falar comigo: Nossa! Que coisa maravilhosa! Você tá super feliz né? E eu respondia “é, tô sim…”. Óbvio que eu estava feliz, mas com essa conquista, vieram também muitos questionamentos. Se era realmente aquilo que eu queria pra minha vida, se esse curso era o que eu sempre sonhei, enfim… O importante é que, assim como esse meu amigo, não correspondi a expectativa das pessoas. E aí começamos a refletir se a gente tinha mesmo que estar como as pessoas queriam, no caso, ele triste e eu saltitante.

Não foram necessárias mais duas caipirinhas pra a gente concluir que o que a gente tinha que fazer era ignorar o que os outros querem e/ou pensam. Achamos dois motivos principais: Primeiro: não é justo que as pessoas nos culpem pelo que nós sentimos ou deixamos de sentir. Isso é uma coisa que não controlamos, simplesmente sentimos, sem muita opção de escolha. Segundo: seres humanos são muito complexos. Só nós podemos ver nossa vida de dentro, o resto das pessoas só enxerga o lado de fora das situações. Vendo de fora, as pessoas só possuem capacidade de capturar o mais superficial delas. O que pra gente pode ser terrível, sensacional, “a treva”, doce, macabro, assustador, maravilhoso, amargo, lindo, e horrendo; os outros classificam, sei lá, apenas como bom ou ruim.

E não dá pra culpar também os outros por serem assim. Afinal, somos parte dos outros. Tudo que você viver, vai ter muito mais significado pra você, que é quem está vivendo. E para quem tá lá, ocupado pensando na sua pacata vidinha, é muito mais fácil classificar o começo de um namoro como uma maravilha e o fim como terrível. E nisso também se enquadram todas as outras situações, as pessoas julgam que você vai se sentir como elas se sentiriam, ou como o resto da sociedade se sentiria.

Sendo assim, se você acabou um namoro recentemente e já tá super feliz, quando deveria estar super mal, vai ter que lidar com as cobranças. Fazer o que? Vamos desnoiar gente! Ou prefere ficar se ajustando ao que os outros esperam que você vai sentir? Também acho melhor a primeira opção.

É bem mais fácil respeitar nossos sentimentos, e só sentir o que nós realmente podemos sentir. Como diria a música do James Morrison e da Nelly Furtado: “You can‘t feel anything that you heart don‘t want to feel, I cant tell you something that ain‘t real. Well, the truth hurts and lies worse…”. Não vale nem um pouco a pena se estressar com isso. Se a sua avó espera que você fique triste porque levou um pé na bunda, faça aquela carinha de triste, se tiver a fim, mas não deixe que isso modifique o que você realmente sente. Depois faça como meu amigo, venha tomar uma caipirinha comigo e refletir sobre o assunto!

 

 

29
ago
09

Cerejas

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Ironicamente, num só dia, duas grandes amigas minhas, pediram-me conselhos amorosos, e aí que vem a ironia, as duas tinham o mesmo problema. Elas gostavam (ainda gostam) de um cara (não é o mesmo cara ok? São dois casos diferentes) que não está muito interessado num relacionamento ‘fixo’.

Eu conheço bem esse tipo de cara, porque eu sou esse tipo de cara. Talvez agora mais não, porque estou encoleirado, e muito bem obrigado. Mas antes, eu vivia essa mesma situação, e a vivenciei antes de começar esse meu namoro que completará 4 meses no próximo dia 11.

Antes de contar qual conselho disse pras duas, tenho que explicar de qual tipo de homem estou falando. Vou chamá-lo de tipo Raposa (deixarei o link, de um texto antigo meu, explicando as categorias de homens existentes).

Primeiro, nós não gostamos de todas, gostamos só de uma, aquela especial, que nos coloca nos eixos, que nos faz ‘abaixar’ o rabo um pouco, que nos faz mandar mensagens confusas, porque nós mesmo não sabemos o que queremos.

Segundo, nós não queremos nada na verdade. Nossa vida é boa demais, nós temos ‘uvas e galinhas’, então pra que mais alguma coisa? (uva = mulher especial, galinhas = demais peguetes).

Terceiro, o que nos torna ‘Raposas’, é que conseguimos, com um pouco de astúcia (ou com muita), enrolar o máximo possível. Porque é simples, nós realmente gostamos da garota especial, ela realmente nos é importante (importante o bastante pra gente correr atrás), mas ela é um risco grande demais, não tem como saber se vale a pena abandonar um vida cheia de regalias cheias de flertes (porque normalmente nem precisamos consumar o ato de usufruir das galinhas, um flerte já é satisfatório), e se aceitarmos levar o relacionamento pra parte séria, ficaremos sem isso, e a graça da vida são essas aventuras!

Então aqui vai o meu conselho: faça com que ele só queira as uvas!

Não precisa ficar fazendo bem-me-quer, mal-me-quer não, você tem que ir a luta, tem que mostrar que é boa o suficiente pra ele.

Sério, foi o que minha namorada fez. Não me pergunte como, varia de mulher pra mulher. Porque como dizem, ninguém se apaixona apenas por beleza, ou por gostar de surfar, ou de gostar das músicas do Caetano, ou por saber escrever… Tem que ter um algo mais… Aquilo que torna cada ser humano único e especial.

Cada ser humano é único, então, você deve mostrar pra ele que apenas com você, ele vai ser feliz… E mesmo que você não acredite que é especial, eu vou te contar uma historinha que vi num manga chamado Fruits Basket. É mais ou menos assim:

“Todo humano é como bolinho de arroz japonês, ele olha pros outros e vê o recheio deles nas costas e passa a ter inveja disso, só que ele não sabe, que ele mesmo tem sua própria cereja nas suas costas, e aí passa a se considerar inferior que os outros, passa a sentir inveja das virtudes alheias, sem saber, que os outros que ele inveja, também sentem inveja dele, e de sua bela cereja”

É mais ou menos isso, principalmente com as mulheres, elas se acham inferiores, acham que aquele homem perfeito nunca vai olhar pra elas, mas não é assim, cada uma tem sua virtude, tem sua cereja, então cabe a vocês perceber o que é, e lustrar bastante, para que o homem perfeito em questão fique estupefado ao ver sua cereja, e não queira mais nada.

Então, não seja tão pessimista, se ele não te quiser, é porque ele não é o certo, leve a vida adiante, que você vai encontrar quem goste da sua cereja…

~texto sobre as categorias dos homens~ http://www.fotolog.com.br/brun0_top/46231793

~poema sobre ‘cerejas’~
http://www.fotolog.com.br/brun0_top/43518543

28
ago
09

A porta.

85987282“Eu não te amo!” disse ao homem cujo o único crime era o de não me amar. Eu, parada na porta da casa dele, aos prantos com uma caixa de recordações nas mãos. Ele logo reconheceu a caixa, e perguntou o que eu fazia ali com ela nas mãos. Respondi que trouxe pra devolver, mas que agora, repensei e trouxe pra dar fim a tudo aquilo. Rasgava quatro anos das nossas vidas, e aos poucos iam caindo no chão trechos de aniversários de namoro e de “Eu te amo”. Ele olhava pra mim e pedia que eu parasse porque “tudo ia ficar bem, um dia”. Larguei tudo no chão, e deixei ele parado na porta, inerte, observando a caixa e mil pedacinhos de cartas e coisas que um dia fizeram tanto sentido pra nós dois.

Agora eu já estava em casa, esparramada na cama. Tinha acabado de tomar um banho de horas, entrei no chuveiro com muitas lágrimas e lembranças; saí de lá pensativa, ainda chorosa. A noite anterior não saía da minha cabeça. Pela milésima vez ele tinha me dito que não queria mais nada comigo, que ainda tinha dúvidas sobre o que sentia por mim, (depois de todos esses anos) mas que precisava de mim, da minha amizade sempre. Por muitas vezes tentamos ser só amigos, tentamos não nos falar mais, tentamos ser só ficantes, tentamos ser namorados… Enfim tentamos tudo! Não entendia porque duas pessoas que se gostam, que tem tanto carinho uma pela outra, não conseguiam encontrar uma forma de conviver na qual não se machucassem.

Nas nossas muitas idas e vindas, era como se ele tivesse um radar, sempre que eu tava bem, superava tudo, ele voltava e me confundia toda pra me trazer de volta pra ele. Eu sou uma segurança pra ele, ele me tem como um porto dele, como se eu sempre fosse estar aqui quando ele quiser voltar. E eu sempre estive mesmo. Não gosto de joguinhos, nunca fui do tipo que esconde o que sente. Dizem que é só olhar pra mim que eu deixo transparecer o que penso e sinto, não ia ser diferente quando o assunto é amor.

Dessa vez, eu tinha me prometido, não tinha mais volta. Quando ele viesse usar o diabo do radar dele eu ia correr o mais rápido que eu pudesse e priu, não ia ter como me achar. Decidi que ia viajar, passar uns meses fora me faria bem até demais. Fui, e quando voltei, ele ainda estava aqui junto com todos os problemas que deixei pra trás (droga, cade aqueles roteiros hollywoodianos em que a mocinha viaja e tudo se resolve?). Não conseguia evitar o que sentia por ele, também não tem nome, esse sentimento pra mim. Mas ele existe, mesmo que eu não saiba explicar, definir, exemplificar, ele tá aqui comigo. Tentei refazer minha vida, arrumei um novo paquera (daqueles que todas as garotas sempre quiseram ter algo, mas sempre o consideraram impossível, inclusive eu) e tudo mais. Aos poucos fui me reconstruindo e quando já estava quase refeita eis que o fantasma dele ressurge, como era de se esperar.

É claro que tudo que envolve ele me balança muito, mas eu fui firme na minha decisão, não deixei ele entrar na minha vida. E quanto mais eu fugia dele, mais ele vinha atrás, dizendo que “no final tudo dá certo e se não deu é porque não era o fim; que eu sabia que a gente tinha um sentimento muito forte em comum e que mesmo que ele nem soubesse dizer exatamente que sentimento é esse, ele sabia que eu também sentia”. Era verdade, mas, eu não tinha que aguentar esse lenga-lenga, eu tinha feito minha opção, simplesmente não dava mais pra mim. Agora o que eu buscava era amor de verdade, daqueles bem resolvidos e bem sentidos.

Se você me perguntasse uns anos atrás o que ele representava pra mim, eu diria que ele era o amor da minha vida, que eu sabia que iriamos nos casar no fim de tudo. Mas, depois de tudo que passamos, os sentimentos foram se perdendo e se confundindo. Todas as minhas certezas do começo do nosso relacionamento desapareceram. Agora eu já não sei se realmente gostava dele, ou se gostava da pessoa que me tornava ao lado dele, não sei de mais de nada.

Nesse momento destruí o porto dele, agora eu não estava mais aqui pra ele, como era de se esperar. Eu buscava um navio novo, chamado felicidade. E não importa qual a intensidade desse sentimento que temos em comum, ele vai ficar aqui trancado, no fundo do coração. Porque de nada adianta muito sentimento, se na prática não há sincronia, entendimento. Pouparei meu coração de ficar a vida inteira assim, nesse vai e volta. Acredite ou não, tive um professor de geografia que lia mãos. Ele disse que no amor, eu encontraria alguém que ia me magoar bastante, e que iríamos viver entre “tapas e beijos”, mas que ele ia me fazer muito feliz também. Quem sabe ele não acertou? Vou saber, um dia.

“Eu te amo!” disse agora ao homem cujo o único crime era de amar demais e não sabê-lo, “não é por falta de amor que não vai dar certo, é que somos destrutivos, temos que permanecer longe, se esse é o único jeito de ficarmos protegidos. Porque, às vezes, é pior amor demais, do que a falta dele”. Fechei a porta, agora ele ficou lá, novamente inerte… Com a caixa nas mãos e num saquinho os pedaços de carta.

A porta que muitas vezes é a passagem para novas oportunidades, e que nesse caso, havia presenciado tantos beijos, palavras e momentos bonitos; presenciava agora o fim.

27
ago
09

Quem não bebe, não tem história

bebercari

Lá estava eu (na época em que ainda era solteiro), na festa da namorada de um dos meus melhores amigos. A gente não se via direito fazia tempo, e aí eu cheguei lá mais cedo (tecnicamente falando, eu e ele fomos os primeiros a chegar, pois até a namorada dele, que era a aniversariante, ainda estava se arrumando) e ficamos lá, colocando os papos em dia.

Enquanto isso, nós tomavamos nossa cervejinha esperta, e as pessoas chegando, mais importante que isso, as mulheres chegando… Era pós-carnaval, eu estava procurando uma mulher para passar mais de uma noite, queria esquecer um romancezinho que havia tido antes do carnaval e que ainda me incomodava de certo modo.

(…)

Eis, que depois de várias cervejas, vários copos de gummy, e meio litro de vodka com sprite eu estava conversando com uma menina perfeitinha. Não, é sério, ela era perfeita, e eu fiquei louco pra ficar com ela, porém (talvez por eu estar meio grog), eu disse a ela “só vou ficar contigo daqui há mais ou menos um mês, quando eu resolver minhas pendências amorosas e tu também”, ela sorriu corada e concordou.

A noite foi madrugando e a gente lá conversando, era incrível como a gente sempre tinha um novo papo! As opiniões eram iguais, estava tudo perfeito, só que ai ela teve que ir embora, e eu como galanteador nato, que cumpre as promessas que fez, na hora da despedida dei apenas um selinho nela, me segurando com minha força máxima! (até hoje me surpreendo como eu consegui me segurar nesse dia).

Ela foi embora, e o lugar que deixou vago entre eu e minha vodka foi ocupado por uma amiga minha que estava bêbada e sem seu namorado, ela se sentou e começamos a conversar. Só que ai chegaram as amigas dela, a única importante é Bella (esse não era o nome dela, mas vou chamá-la assim, porque foi como eu chamei ela durante à noite, ou quase isso).

Bella estava bêbada e implicando comigo. Começou a me desafiar, a fazer coisas, e de repente, bebeu minha vodka! Ora bolas, como ela pode beber minha vodka? Eu queria ficar embriagado e a única bebida da festa era a minha vodka! Que garota mais incoveniente! Eu fiquei muito irritado, mas aí eu comecei a olhar pra ela melhor, ela era… Lindinha até demais, tão linda que me fez esquecer daquela outra com quem eu tinha passado a noite conversando…

Você está me molhando se não percebeu… – eu avisei a ela quando Bella me levou para a chuva.
Quem mandou você me morder? – ela respondeu divertida.
Eu vou te derrubar na chuva, sua feia – eu disse sei sorrir.
Não vai nada. E eu não me chamo feia – ela amarrou a cara para mim. Então eu fiz o improvável e a peguei no colo, levei a até a chuva, e depois dei um rodo clássico nela. (…)
Seu idiota! – ela conseguiu me pegar depois de corrermos a festa inteira (bêbados felizes são assim mesmo)
Você duvidou, não tenho culpa que você é gorda.
Meu nome não é gorda! – ela olhou para mim e me mordeu no pescoço, depois disso eu fui e tasquei um beijo nela.

(…)

No outro dia eu não lembrava de muita coisa, só de duas coisas: primeira: eu não sabia o nome de Bella; segunda: ela estava dando um tempo com o namorado dela.

Ressaca é ressaca, e como se não bastasse isso, quando eu liguei meu computador e fui olhar meus poemas para postar um novo, descobri que tinha chegado em casa bebado, feito um poema pra ela e postado antes de dormir… E ai fiquei rindo, e lembrei de uma ótima frase de uma comunidade do orkut:

“Quem não bebe não tem história”

~o poema que falei durante o post~

26
ago
09

Deixando a vida surpreender.

Paula não é uma pessoa muito receptiva a surpresas. Não sabe como reagir, que cara fazer… Enfim, não gosta, fica constrangida. Ela é metódica, planeja tudo. No domingo de tarde, sua atividade preferida é sentar e organizar seu horário da semana, com todas as suas atividades. Adorava aquilo, se sentia numa gincana, correndo contra o tempo para realizar todas as atividades pré-definidas.

Esse domingo, não podia ser diferente. Paula sentou na sua mesinha, organizou seu horário, como sempre. Foi dormir naquela ansiosidade, pensando no que iria fazer na segunda. Só que, ela recebeu uma surpresinha. Uma visita digamos, inesperada, da gripe!
Ela que já não gosta de surpresas, pensava se o que doía mais era a cabeça ou o coração por não cumprir as suas atividades programadas. Com um humor digno de TPM, Paula levantou da cama e foi preparar os “quitutes” gripais, já que não tinha outra pessoa que fizesse por ela. Embriagada de chá de limão com alho, ainda tentou fazer algumas das coisas da sua lista, percebeu que estava sem condições e desistiu.
Paula então tirou o dia para fazer as coisas que mais gostava de fazer (além de se organizar, claro). Convocou o poder de seus filmes favoritos, de seu livro de cabeceira e de suas amigas. Após reorganizar seu dia, viu sua radiante beleza no espelho enquanto se arrumava, separou sua caixinha de lenços de papel Softy’s, e esperou suas amigas para a sessão cinema. O dia acaba, e Paula tinha se divertido como nunca. E isso fez ela pensar “que bom é poder esquecer as coisas que planejei e abrir a porta para as surpresas da vida”.
Então ela se deu conta de que ela não gostava daquilo, de ser organizada e nem da gincana, aquilo era a desculpa que ela arrumava para fazer das coisas menos pesadas pra ela. Ela havia se acostumado com aquilo tudo, e esquecido de sua época de menina e o quanto adorava as surpresas que seu pai trazia vez ou outra, quando chegava do trabalho. A partir desse dia, ela aboliu suas listas (não que agora ela seja desorganizada e irresponsável), e passou a deixar as coisas irem acontecendo aleatoriamente junto com as surpresas do dia-a-dia.

Mesmo que você não seja tarado por organização como a Paula, já deve ter notado; a vida nos força a mudar o que nós planejamos o tempo todo. Não são só surpresas ruins como uma gripe monstra nos mostram que, às vezes, é bom desorganizar mesmo (desopila, meu bem!). Tanto você pode levar um pé na bunda do seu namorado, como pode conhecer um cara lindo na padaria (que gosta de cachorro, dá tulipas e ama sorvete de graviola) e namorar com ele (sério, minha amiga conheceu o namorado dela na padaria!).Óbvio que pode chover naquele fim de semana que você programou de ir pra sua casa de praia, mas pode fazer aquele solzão no sábado depois de dias de chuva. Pode ser porque aconteceram coisas chatas, ou coisas maravilhosas, vez ou outra nos pegamos tendo que reorganizar nossos passos.

E qual o problema da vida nos pregar peças? Nenhum! Pelo contrário acho ótimo pegar uma gripezinha. Tá bom, parei! Ninguém gosta de pegar uma gripe, de levar um fora do namorado, nem chegar na praia e tomar banho de chuva. Mas, tudo fica bem mais fácil quando a gente resolve aceitar que o problema existe e que, a gente tem duas opções: ficar resmungando de cara emburrada porque deu tudo errado ou se adaptar às novas circunstâncias e fazer a vida mais divertida de viver. Pegou uma gripe? Faça como a Paula. O namorado te deixou? Aproveita, pode aparecer um bem melhor. Chegou na praia e tá chovendo? Vá jogar baralho, tomar aquele banho de chuva, enfim… Carpe Diem et Inutilia Truncat! Já parou pra imaginar que “boring” seria se soubéssemos tudo que vai acontecer na nossa vida até o fim? Com certeza, teríamos a sensação de segurança que nos acalmaria nos momentos de incerteza, mas… Que sem graça!

Sei que não é fácil se adaptar à certas circunstâncias, porque também, a vida nos arruma cada uma! Mas se a gente aceita o inesperado e decidimos nos guiar por ele, facilitamos a nossa felicidade. Se bem que, ser feliz é bem relativo… (mas, isso já é outro assunto).  Vamos combinar que felicidade não tem a ver com surtos de histeria quando as coisas não saem como planejamos. Enquanto a vida tenta me pegar de surpresa com suas situações, eu pego ela de surpresa com as minhas reações.

 

 

25
ago
09

Sexo, Amor e Traição

Olla, uma apresentação rápida: eu sou Bruno Tôp, e a partir de hoje vou estar dividindo o ‘muitomelhorqueatuaex’ com Alice. =D

amor&trai

E aí, vamos ao que interessa… Sexo, Amor e Traição… Essa é uma questão um tanto quanto… Delicada.

Sim, delicada, é a melhor palavra pra descrever a situação. Por mais que o brasileiro seja ‘safado’ etc e tal, ele ainda é meio acanhado quando o assunto é o Sexo (por isso programas que falam abertamente sobre o assunto fazem tanto sucesso).

O problema maior, ao meu ver, é que existe um conflito entre o pensamento do cromossomo Y e do segundo cromossomo X. Os homens acham o sexo algo natural, essencial e prazeroso (desde a primeira vez); As mulheres acham algo vergonhoso, sem necessidade e doloroso (nas primeiras vezes). E aí que está o conflito.

Por exemplo, o amor da certo sem sexo? Não.

Simplesmente não tem como, mas cedo ou mais tarde o sexo tem que entrar no meio, pra ajudar ou estragar tudo.

Conheço uma história que exemplifica muito bem isso. Na verdade ela corresponde muito bem ao título do post “Sexo, Amor e Traição”.

Um amigo meu (vou chamá-lo de J.), namorava uma garota mais nova (a quem vou me referir por L.), e realmente gostava dela. Não vou dizer que era amor, porque pra mim amor é algo eterno, mas digamos que era um embrião de amor.

Antes de conhecê-la, ele era daqueles cachorros safados, que pintavam e bordavam (e se que é possível ainda iam lá e rasgavam). Não tinha escrúpulos nem sentimento por nenhuma mulher, até conhecer a doce L. Ela tinha seus 15 aninhos, tão doce, ingênua e bem bonitinha, ele estava no auge dos seus 20, e não teria olhado duas vezes praquela ‘pirralha’ se não fosse o carnaval. Ironicamente J. ficou com a irmã de L. no carnaval, e L. com um amigo dele, mas após o carnaval eles passaram a conversar, e ele, sem perceber, a se interessar demais.

Meses de conversa, até que ele (que não morava na mesma cidade que ela), decidiu vir vê-la, fiacre. Tudo certo né? Não. Ele se apaixonou, e ela também. E aí ele começou a vir com mais frequência para encontrá-la, etc e tals. Após um mês e pouco eis que começa o namoro.

Ele ‘deixou’ de ser cachorro, mas quem disse que parava de aparecer ‘colo’ pra ele? E até então ele resistia o máximo que podia, jurando pra si mesmo e para Deus, que não precisava daquilo, que tudo que necessitava estava com L. Mas aí veio a crise… Ele precisava do tal do sexo, ela não podia suprir suas necessidades… Vocês sabem como isso terminou. Um par de chifres bem bonitinho, um arrependimento horrível, L. quase fraquejando em dar à ele uma segunda chance…

O importante é… Que após uns dois meses eu me encontrei com umas amigas de L. (no carnaval, por acaso), e estavámos conversando sobre o assunto, todas elas xingando o coitado do J., e eu calado, na minha, daí uma das garotas por quem eu até estava interessado me pergunta:

-E tu, Tôp, tu acha que J. fez ta certo?
-Não. – eu pensei calmamente em como responder – Traição nunca está certo, porém, ele tem uma desculpa…
-Homem é tudo cachorro! – ela concluiu antes que eu pudesse terminar minha interpretação dos fatos.
-Não é isso. Eu disse que ele tem uma desculpa, não uma justificativa. – ela pareceu prestar atenção no que eu falava – J. gostava dela, ainda gosta, acho. Mas ela não supria o que ele precisava, e aí ele traiu, não por ter uma má indole, mas porque precisava. Mas como já disse, traição não tem justificativa, eu entendo porque ele traiu, mas não aceito entende?

E pronto. Ela aceitou calada, me observando, e provavelmente refletindo se eu era cachorro como J. e estava falando aquilo só pra poder conquistá-la, ou se eu realmente pensava aquilo.

Como disse, é tudo ponto de vista. Todo homem entende o motivo de J., a maioria considera ele ‘inocente’ (afinal quem não poderia passar por uma situação dessas?). Toda mulher repudia a atitude J., ele é cachorro safado e pronto! (pois, se ele gostava dela deveria tê-la esperado!).

Eu fico no meio do caminho, entendo o que J. fez, mas não o inocentaria, o condenaria apenas a uma pena mais branda, porque meu pensamento é esse: se você vai trair, é melhor acabar antes (nem que seja com uma ligação covarde).

Bruno Tôp