19
Nov
09

What a day! Razão vs. Coração.

That’s what you get when you let your heart win: um coração partido, uns quilos a mais e muitas lágrimas. Não, não se preocupe, eu não vim aqui hoje para falar que estou desiludida e que o amor é uma droga. Pelo contrário, o amor é mesmo lindo! Resolvi falar hoje sobre a eterna luta entre coração e razão.

Não podemos justificar tudo cientificamente, infelizmente (ou felizmente?). E aí, no meio do caminho fica o mágico, o sobrenatural, o que vai além da compreensão… Essas coisas a gente costuma justificar pelo coração, pelo sentimento…

Por exemplo, agora eu tenho uma bomba nas minhas mãos, prestes a explodir. Entre a razão e o coração. Dois caras, duas personalidades, e duas intenções. Um é um ex-namorado, no quesito sentimento e segurança, ele ganha. O outro um ex-ficante, no quesito aventuras e diversão, ele ganha. Enquanto a minha razão é bem franca e diz que eu devo escolher o ex-namorado, e ficar com a segurança, o meu coração a cada batida diz que eu deveria escolher a aventura, o novo, o inseguro.

Sou realmente inconstante. Talvez eu não deixe a minha inconstância imperar, mas eu mudo de idéia como quem muda de roupa, quando se trata dos meus relacionamentos. Uma hora quero um, outra hora quero outro, e por enquanto estou com o que chegou primeiro (o ex-namorado), com quem certamente seria muito mais fácil me relacionar, no sentido de ter alguém que goste de mim de verdade e tal. Mas o friozinho na barriga vem com o ex-ficante, com quem eu sei que um relacionamento real e com sentimentos reais está beeem distante… E nisso a luta segue, Razão versus Coração. E quando eu penso que um vai ganhar, aí é que eu me engano e volto para a estaca zero.

Às vezes o meu coração me impulsiona a fazer coisas, a ir atrás da aventura que tanto faz parte de mim. E eu simplesmente faço, até a razão tomar as rédeas e dizer que não é bem por aí que a banda toca. A razão guarda a experiência, tem a memória de quem já sofreu. Já o coração pouco se importa, quer saber mais de viver e sentir. O coração me remete à liberdade. Talvez eu goste mais da idéia do coração, nesse caso, porque é o que eu não deveria fazer… Porque é o que a razão diz pra não fazer, e eu tenho mania de ir atrás do que não devo.

Assim meio que como menina pequena, me avisam o que não devo fazer, e eu só por curiosidade, vou lá e faço. Foi assim quando quebrei o braço, quando levei vários pontos na cabeça, quando quebrei a TV, quando quebrei o pé da minha prima… Enfim… A gente DEVERIA seguir os mais velhos, quem tem mais experiência. Isso mesmo, quem já viveu mais, desobedeceu e percebeu que não era bom. A gente também deveria seguir a razão, quando ela nos aconselha lembrando dos nossos erros antigos. Mas, às vezes, a gente teima em desobedecer. É como dizem, se conselho fosse bom não era de graça.

As coisas do coração não são comprovadas cientificamente, mas podemos conferir na vida, todos os dias. Testando e errando. Errando e aprendendo. Errando e esquecendo. Errando e errando de novo. Viver como manda o coração vai além. E está estampado numa atitude, na maneira de ser e sentir. Pra mim o que é bom mesmo é o que está muito além da compreensão intelectual.

Mas, voltando à minha decisão. Minha razão elaborou umas questões para ver se me decidia. Ela é cruel sempre tão analítica e racional… O que eu quero pra mim? Em que situação me encontro? Segurança ou diversão? Amor ou aproveitar o momento? Compromisso ou liberdade? Se eu pudesse, eu me aventurava. Diversão. Amor. Liberdade. Responder à estas perguntas pode ser fácil, mas decidir entre eles, é bem difícil.

Talvez você esteja pensando, por que que ela ainda não seguiu o coração? Além de tudo, muitos outros fatores contam. Minha família é aliada da minha razão, quer meu ex-namorado. E o meu ex-ficante, digamos que não me faz vislumbrar nada mais sério nem num futuro distante. É, eu não consegui me decidir entre eles ainda. O fato é que gosto também de estar com meu ex-namorado, o difícil é sabe em qual lado eu estaria mais feliz. Talvez essa decisão demore, então fica pra outro texto, prometo que coloco uma continuação depois.

Como quem sofre as desilusões é o próprio coração, a razão tem que saber seu lugar e ficar de fora disso. No meu caso, a razão avisou, avisou e avisou ao coração. Mas ele é teimoso, gosta de botar o dedinho na tomada, o que eu posso fazer? Apesar dos pesares, meu coração sempre vence. Talvez eu não tenha aprendido a lição, mas gosto que seja assim. Quando a gente pensa muito, corre o risco de não ser verdadeiro… De se deixar levar. Então, faço bem em tirá-los da rivalidade e fazer com que se aliem. Cada um tem sua razão mas, para todos os casos a minha razão me diz para agir com o coração. Sabe do quê? Eu quero mais é viver! Deixa ser como será…

18
Nov
09

pra namorar. ou trair.

haeryq

Ele era AQUELE cara. Todo mundo gostava ou simpativa com Lilo, ele sempre estava sorrindo, conversando sobre todos os assuntos, dando bons conselhos, enfim um dos caras mais populares que existem. Talvez por carisma, talvez por manipulação mesmo, ele tinha muitos amigos e amigas, e tinha uma namorada.

“Mulher namora quando gosta de um homem, ou quando está carente. Homem namora quando uma mulher gosta dele, ou quando precisa tirar uma fama ruim.” Dito e feito, ele conheceu Celah, aquela menina bonita, e acima da média, que lhe custou um tanto de insistência. Ele precisava desfazer o boato de que era um cafajeste, e afinal ela gostava dele e tava carente. Então… Porque não?

Ah, Celah, ela era feliz. Lilo era tudo que ela precisava ter. Ele era carinhoso, atensioso, dava presentes, e criava declarações sempre que possível, não deixava o namoro cair na rotina, era ciumento quando tinha que ser, e arrumava uma briguinha vez por outra, nada anormal. Ela amava ele.

Bem, digamos que Lilo gostava dela, mas acho, que não era amor. Não o mesmo amor, ele vivia soltando cantadas a cada esquina, não que traisse ela, pelo menos ele pensava “eu só faço flertar, trair nunca!”. E seguia com sua vida, sem perceber que já estava iniciando um erro que todo homem costuma a cometer.

Anel de compromisso, juras de amor eterno, Celah estava no paraiso. Só que Lilo não, o namoro estava bem demais, só que ele precisava trair, pra se sentir superior, e o fez quando teve oportunidade.

Ele nunca teve um motivo pra trair. Isso porque traição nunca tem motivo. “Trair não tem motivo, justicativa ou causa. Trair é oportunidade”. Foi isso que Lilo colocou em sua mente, e seguiu em frente como a maioria dos homens indiferentes.

Celah, nunca soube disso, na verdade, de uma hora pra outra, ele decidiu ir embora, não precisava dela, e as juras de amor ficaram ao vento. Ela não podia acreditar, não queria acreditar, mesmo depois de três anos, que ele, Lilo, seu namorado, seu melhor amigo, o homem que lhe fez ver o mundo cheio de cores, não iria mais voltar.

Pobre Celah, ela aprendeu a amar, uma pessoa que vulgarizou o verbo amar.

16
Nov
09

Aos recém-solteiros.

  Pensando nos meus momentos de psicóloga, onde meus amigos vem falar sobre relacionamentos e seus finais, percebi o quanto pode ser difícil ser recém-solteiro. Devo dizer que realmente existe uma diferença gritante no que diz respeito aos sexos. Homens e mulheres superam de formas diferentes e em tempos diferentes finais de relacionamentos. Dar ou levar um pé na bunda vai ser sempre difícil. Já que tanto quem dá, quanto quem leva, sofre com a situação. A diferença está basicamente no tempo que a fossa vai durar. Digamos que os recém-solteiros podem adquirir manias que auto-boicotam sua recuperação.

  Tenho um amigo que sempre que começa um namoro, não vê a hora de acabar… Mas quando acaba, ao invés de ficar aliviado e ir curtir, entra numa fossa que não tem mais fim (então porque cargas d’água ele começa? Também não sei!). Tenho uma amiga, que por mais que goste um pouco do cara, se sente suuuper radiante (ela sofre vai, por uns 3 dias) ao fim de um relacionamento, porque preza demais por sua liberdade. Mas esses são relacionamentos de curta duração, o problema é quando acaba um relacionamento de muito tempo, e você acaba ficando meio “perdido” no mundo dos solteiros. 

  Agora a diferença é crucial. Não que os homens não sofram verdadeiramente por amor, o pelo fim dele. Talvez eles saibam lidar melhor com finais (ou não). Tem uns que sofrem mesmo, pra valer (eu conheço!)… Mas o ponto é que talvez, nós mulheres, gostemos de prolongar esse sofrimento e curtir nossa dor de cotovelo pra valer. Ao acabar o namoro, homens tem seu momento de luto, mas pouco tempo depois já estão por aí.

  No começo eles se sentem mal (principalmente se levarem o pé na bunda, ou se realmente gostavam da namorada), mas depois vem a sensação de liberdade inigualável. Talvez eles não sejam, mas se sentem os últimos homens do planeta terra. É só atravessar para o lado dos solteiros e eles passam a imaginar um monte de mulheres desesperadas para conhecer homens como eles (principalmente se ele tem um amigo galinha e solteiro). 

  Aí eles se esbaldam, pegam quem querem, curtem intensamente o momento… Até caírem na real, perceberem que não vão ter aquela pessoa que amavam mais, e começarem a sentir falta. E aí, todo mundo sabe, eles vão atrás (na maioria das vezes) e tentam recuperar o que perderam (porque os homens são competitivos e não suportam perder algo, principalmente a namorada). Provavelmente vocês se acertam, ou não. O fato é que eles não perdem muito tempo. Quer? Ótimo. Não quer? Lamento (e vão curtir mais e mais, para talvez muitos e muitos anos depois, arrumarem outra namorada).

  Agora, no caso das moçoilas, as coisas são mais complicadas (claro! Somos mulheres). Você estava acostumada com cinema, pizza, casa da sogra, DVD e cunhados pentelhos. De repente, o namoro acaba e fim de papo. Você não tem mais aquele pedaço enorme que a outra pessoa ocupava na sua rotina, e aí sim, o que sobra é um vazio enorme, um vazio no coração e outro no seu dia a dia. E você fica perdida, sem saber como ocupar seu tempo novamente. Sexta-feira, 22h e você está em casa, de pijama, deitada no sofá, sem saber o que fazer… Até sua amiga solteira e sem juízo ligar, chamando você de volta à vida. Você tenta, mas não está em clima de balada. Sorri, conhece uns caras legais, dependendo muito, muitíssimo do caso até fica com alguém (um mês depois). Às vezes, bate o desespero e você vai atrás, chora, pede pra voltar, escreve cartas sobre a história de vocês… Dependendo da sorte e do destino, pode funcionar.

  Você está completamente certo se está lendo e pensando: “mas, cada caso é um caso”. E eu concordo, mas acho que generalizações podem ser feitas para ajudar os recém-solteiros. Em caso de fossa, vide texto e veja como não se boicotar. Primeiramente, meu conselho é: se tiver vontade, chore… mas chore mesmo, até secar. O primeiro passo para superar algo é aceitar que você está com problemas. Curta sua fossa, mas por pouco tempo!

  Não destrua seu apartamento, nem o do seu ex. A princípio, esconda tudo que for possível, das coisas que lembrem o relacionamento de vocês. Só de cabeça fria você vai saber que é melhor doar aquele ursinho gigante do que rasgar ele em quinhentos milhões de pedaços. Não escute as músicas que eram de vocês, por favor gente! Se for preciso, delete. Não tente provar a Deus e o mundo, que você está bem, porque todo mundo sabe que você não está, ou espera que não esteja. A pessoas vão sim, olhar pra você com cara de “poxa, mas um namoro de 4 anos acabar assim… Tem volta?”, ignore.

  Evite colocar aquelas frases idiotamente felizes no seu subnick no MSN. A quem você está querendo enganar? Além de passar por boba, dependendo da frase, pode passar por vulgar. E evite mais ainda frases romantiquinhas de músicas sobre fim de namoro, que todo mundo sabe que são para o seu ex, mas você acredita piamente que só você e ele sabem. É lógico que você vai querer ligar, ouvir a voz dele, dizer que ama e está com saudade por um tempo. Controle-se, você não vai lotar o celular dele de ligações e mensagens. Pense o quanto isso pode parecer desesperado. Quando a vontade bater, ligue pra uma amiga, ou amigo, e fale sobre qualquer outra coisa que não seja o ex.

  Não saia por aí falando mal do seu ex. Foi bom enquanto durou, agora é a hora de cada um ser feliz com outras pessoas, quem sabe… Você não se sentiria bem se ele queimasse seu filme com todos os caras que ele conhece né? Pois é. Saia bastante, e só fique com outra pessoa se realmente se sentir preparada, se a sua feridinha tiver sarado de verdade. Não fique relembrando as coisas que vocês tinham e que você adorava… Não pense nas qualidades dele, não fique lendo e relendo cartinhas de aniversário de namoro, históricos de conversas no MSN, depoimentos… Quando o namoro acaba, é comum a gente dar uma ignorada nos defeitos que o outro tinha e passar a lembrar saudosamente só das qualidades. Procure lembrar das brigas, de alguma coisa nele que te incomodava tanto.

  Não adianta vocês tentarem essa de “vamos ser amigos, bola pra frente”. Não existe isso logo depois que acaba um relacionamento. Ambos estão magoados, confusos e precisam de um tempo sozinhos para realizar o que acaba de acontecer. Sem contar que normalmente, pelo menos um dos dois, ainda gosta do outro. E nesse caso, manter um relacionamento amigável provavelmente não vai ser saudável. Amizade entre ex namorados acontece sim, e até com mais frequência do que você pode acreditar. Mas quando os dois se dão um tempo, para ver se é realmente o fim, se sobrou alguma mágoa, ou se está realmente tudo bem… Dá pra tentar uma amizade.

  E muito cuidado com a sua volta ao mundo dos solteiros. A fossa pode potencializar o efeito do álcool. Então, cuidado com bebidinhas! Além de fazer o Fulaninho parecer mais bonito, divertido e interessante do que ele realmente é, normalmente dão uma ressaca terrível (e junto com a fossa, a pior delas, a ressaca moral). Se proteja, lembre que pelo mundo (principalmente pelas baladas), existem muitos lobos vestidos de cordeirinhos. Não se vê o caráter olhando para um rostinho bonito.

  E o principal dos meus conselhos e dicas: Não faça nada que o seu coração não quiser! Eu acredito em destino, se você tiver que voltar com seu ex e ser feliz para sempre, acredite, vai acontecer. O amor tem sempre mil caminhos para poder se achar. Enquanto seu destino não dá um jeito nisso, não fique de mosca-morta esperando que ele faça tudo por você; vá ser feliz, curtir sua vida… Sozinha ou com outras pessoas, pouco importa. Aproveite para cuidar de você, perder os quilos que ganhou enquanto esteve amarrada, fazer tudo que você gostava de fazer e, às vezes, não fazia para não incomodar o outro. Você querendo reatar o namoro ou não, o mais importante é você estar bem consigo, para depois poder estar bem com outra pessoa.

  Aproveite os dois mundos, namorar pode ser realmente ótimo, mas estar solteiro não chega nem perto de ser ruim!

    
"Não vou dizer que foi ruim. Também não foi tão bom assim. Não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais"
14
Nov
09

a arte de sentir.

ajd

Mais uma vez conversando com Alice, percebi o quanto é complicado essa habilidade humana ter sentimentos tão… Complexos: Raiva, Alegria, Medo, Amor, Vergonha, Ódio, … Todos eles são tão complicados de definir, e o pior, mais complicados ainda de fazer-nos decidir qual será o próximo passo.

Como Zeca Pagodinho diz “é que Deus fez a cabeça em cima do coração, pra que o sentimento não ultrapasse a razão”, é um conflito sem certo ou errado, é um problema sem solução.

Pois o ser humano é o único animal, capaz de ter essas duas coisas: Sentimentos e Racionalidade. Foi Deus que quis assim, não tem como mudar isso.

Por exemplo, toda a razão aponta pra dar um fim a um relacionamento, ele não vale a pena, machuca, traz raiva, mas ele também tem seus momentos bons, tem a alegria, e principalmente tem o AMOR impedindo o fim.

A mesma coisa na hora de escolher entre dois ‘amores’: segurança ou aventura? A emoção preza pela aventura, mas nesse caso, provavelmente a razão será mais forte, é complicado. E tudo termina em saudade. Vai entender.

Seres humanos, são seres erroneos, a nossa maior qualidade é justamente essa, errar e aprender com o erro, por isso que se teme tanto o potencial da nossa espécie. Pior são aqueles que não se arrependem, pois esses não aprendem.

Eu podia falar de tudo, de sentimento, de razão, do mundo, de tudo. Mas eu não estou com vontadade. Acho que porque eu sou um daqueles que pensa muito e se complica com o que pensa, eu tenho infinitos argumentos pra convencer as outras pessoas, e ao mesmo tempo tenho infinitos argumentos pra não saber o que quero.

No fim, só resta a Saudade. Saudade do tempo que perdi pensando, porque a saudade, essa sim dói, complica, destrói, mesmo assim, às vezes, constrói.

Como mestre Zeca Pagodinho diz “vou pra qualquer lugar, em cima do chão, embaixo do céu, eu tou bem”. Esse sim sabe como viver.

13
Nov
09

O homem e o mendigo.

 

Estava na rua do bar, bêbado. Bêbado ao ponto de desaprender a andar ou falar. Caiu num laguinho, de rosto virado pra água. Um mendigo também um pouco bêbado viu, percebeu que se nada fizesse, o homem morreria. Se aproximou, e com suas mãos calejadas e sujas puxou o homem que se afogava pela gola da blusa. O mendigo olhou e sorriu. O homem tentava recuperar o fôlego e tossia, depois de um pouco tempo, o mendigo percebeu que agora o homem dormia.
Algumas muitas horas depois, o homem acordou e percebeu que havia um mendigo sentado do seu lado. Não gostava de mendigos, e quem gostava? Não se culpava por não gostar deles. Em casa pensava que os mendigos não tinham rosto, não tinham identidade alguma, mas este, estranhamente parecia ter. “É um mendigo velho, e a vida na rua talvez tenha lhe dado alguma sabedoria”, pensou. Logo depois viu uma garrafa de cachaça na mão do mendigo, e ficou refletindo algum tempo. O mendigo virou para o homem e disse:

- Devia beber menos.
- O quê?

Receber conselhos de um mendigo? Faça-me o favor, definitivamente o homem não precisava disso. Principalmente hoje.

- É, beber menos. Hoje você não morreu por pouco.

O homem lembrava, mas pensava que era um sonho. Olhou para os lados, viu que já anoitecia e se perguntava o que ainda estava fazendo, sentado ao lado de um mendigo. O mendigo continuou:

- Talvez você não acredite, não leve nada do que eu digo a sério, e eu vou entender se assim fizer. Mas é só um conselho: cuidado.
- Obrigada, pelo conselho e por salvar minha vida.

O homem agora pensava, se o que o mendigo havia dito merecia alguma reflexão. Ainda estava zonzo. O mendigo sorriu e disse:

- Não tem de quê. Não sei o que te trouxe a esse bar hoje, e que quase acabou com você… Mas espero que não deixe se repetir. Um dia você pode vir a ser alguém sem rosto também. Não precisa agradecer, só espero que você saiba o que fazer com ela.
- Ela quem?
- A sua vida, faça com que ela seja algo que realmente tenha valido a pena salvar.

10
Nov
09

Alguéns.

Neste exato momento alguém acabou um relacionamento em Nova Iorque. Alguém em Roma foi pedido em casamento. Alguém em Moscou está sofrendo por amor. Alguém em Tóquio foi pedido em namoro. Alguém em Bagdá está fugindo com o amante. Alguém em Havana dança com alguém. Alguém em Buenos Aires descobriu que engravidou. Alguém em Paris está cantando no chuveiro pensando em alguém. Alguém em Luanda recebeu uma declaração de amor. Alguém em Pequim está tendo um relacionamento secreto. Alguém em Beirute recebeu flores. Alguém em Santiago tem amor platônico. Alguém em Washington se prepara para dar o último adeus à alguém amado. Alguém em Londres espera ansiosamente que o avião aterrise para encontrar seu amor. Alguém em Budapeste sente saudades de um antigo amor. Alguém em Brasília revive um antigo amor.

Enquanto essas vidas correm em linhas paralelas, para talvez nunca se cruzarem. Existe uma linha que vai cruzar a sua. Você está na sua cidade, e nela existem muitas outras pessoas, e neste momento existe uma enorme chance de várias pessoas terem em seus corações a mesma coisa que você tem no seu, as mesmas esperanças, inquietações e desesperanças que você. E talvez, isso vá funcionar para atraí-los.

Você é um grão entre bilhões. Você é só um ponto no globo terrestre. Globo este que gira em torno de outro, que está localizada num ponto de uma galáxia, junto com milhões de outros globos. A galáxia faz parte do chamado Universo, cheio de enormes e maravilhosos aglomerados estelares. Ninguém sabe onde o Universo começa ou termina. Mesmo sendo um pontinho nesse infinito você luta, sonha, se alegra e se entristece por conta do amor, canta, vive e revive, muda, se esforça, erra e tenta melhorar.

Agora, há 6 bilhões 564 milhões 918 mil e 671 pessoas no mundo: Algumas estão fugindo com medo, algumas estão indo para casa, algumas mentem para conseguir superar o dia. Outras estão encarando a verdade neste momento. Algumas são pessoas ruins, em guerra contra o bem. E algumas são boas, lutando contra a maldade. Seis bilhões de pessoas no mundo, seis bilhões de almas. E algumas vezes, você só precisa de uma.

Talvez você seja só mais uma pessoa num bilhão mas, com certeza, você é O alguém fundamental para alguma pessoa.

08
Nov
09

não existe mal, afinal, era carnaval!

ajeret

É o verão chegando, em seguida vem janeiro, daqui a pouco o carnaval… Ah o carnaval, tantas história, algumas engraçadas, outras ridiculas, tem umas que são romanticamente felizes, mas a maioria, é simplesmente LOUCURA.

Como não tenho nenhum assunto mais pertenente, vou contar algumas histórias do carnaval Quem já veio pra Pernambuco, no carnaval, sabe do que estou falando, Recife e Olinda tem o melhor carnaval do mundo. Peço desculpa à Bahia, RJ e SP, mas não tem pra ninguém não, o daqui é MUITO MELHOR. E olhe que eu já fui pro da Bahia duas vezes, não que eu tenha me arrependido, é só que o daqui, é O CARNAVAL.

Enfim, voltando as histórias do carnaval. Lá estava eu, querendo negar paixões antigas, querendo negar que eu não tinha coração, beijando quem tivesse de beijar, conhecendo quem tivesse de conhecer, porque, é como dizem, se você não achou a certa, que é que custa se divertir com as erradas? Pronto eu tava nessa fase. Hoje pra mim isso nem faz muito sentido, como vocês bem sabem, tenho namorada, e estou muito bem encoleirado. Mas no carnaval não. Eu era que nem a música de Tribalistas “eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”.

Engraçado que quando eu tava de ressaca, no dia que eu estava morrendo de dor de cabeça, e inventei de ir pra Olinda, só pra não ficar em casa, eis que apareceu uma garota bem peculiar. Não, eu não me lembro do nome dela, até porque nem lembro como ela era, só lembro de como foi que a gente ficou, devo reconhecer que foi uma das mulheres mais divertidas que fiquei.

Estava eu sentado no meio fio, de uma das ladeiras de Olinda, descansando com uns amigos, quando chega um grupo de meninas (uma delas era ex de um dos meus amigos), elas sentam perto da gente e uma estava com uma pistolinha d’agua, só que por algum motivo aparente estava irritada, pois não tinha água pra atirar no pessoal que passava.

Eu tinha uma cerveja quente, que não ia beber, ela olhou e pediu pra colocar na arminha dela, eu fiz “só se você prometer que não vai atirar em mim”, ela concordou. Até parecia que ela ia cumprir. E ai começou a atirar em mim. Eu me levantei e a abracei, ela tentou se livrar do abraço fechando a cara, mas ai eu não cedi, dizendo “você prometeu”. Confusão vai, confusão vem, eu paro e digo “ô menina, tua bochecha ta suja, deixa eu limpar”, ela disse que não tava. E ai a gente ficou nessa ladainha, eu dizendo que tava, ela dizendo que não. Ai eu resolvi falar “vamo apostar? se tiver, tu me dar um beijo”, só que eu falei brincando, eu ganhei claro, porém ela não fez muxoxo, e disse que não ia beijar, ai eu olhei e disse “ta certo, se tu não tem palavra” e ai ela me beijou.

Vai entender… Não sério, o engraçado é que a gente ficou ficando o resto do dia, em Olinda! Isso é muito raro, e engraçado é que eu não lembro quem era ela, qual era seu nome, nem nunca procurei saber. “Já sei namorar, já sei beijar de lingua, agora só falta me resta sonhar…”

Próximo post, conto outra história de carnaval.

05
Nov
09

This is not a love letter (o último adeus à um Don Juan).

  Tudo que alguém já quis te dizer.

  “I never read you letter ’cause I know what you’d say”. Escreveu numa carta tudo o que você nunca teve coragem de me dizer olhando nos olhos, “repent yourself away”. Não sou como você, não tenho problemas em falar o que penso olhando nos olhos. Apenas acho que você não merece. Essa será a última vez que terei o desprazer de falar sobre você e com você. Espero que através dessa carta, compreenda o que estou tentando te mostrar faz tempo: acabou. “Não vou mais te perdoar, Você foi longe demais. Meu amor, não sou tão só assim”. E não se faça de idiota, você entendeu, essa vai ser minha última tentativa de mostrar o seu nível de cretinice. Aqui estão os fatos.

Desde a primeira vez que ouvi falar de ti, achei inacreditável que tantas pudessem se apaixonar por um velho personagem de Don Juan. Quando nos falamos pela primeira vez te achei insuportável e arrogante. Tinha todo aquele ar presunçoso, de quem pensa que é alguma coisa demais. E definitivamente, você se achava irresistível (e ainda se acha), e acreditava piamente que nenhuma mulher poderia resistir ao seu charme. Parecia que todas eram cegas, ou que eu era estranha… Ninguém conseguia ver como você era de verdade, por trás de tanto charme. Talvez por isso eu te intrigasse tanto, e talvez isso que me fazia tão atraente para você. Tudo que é mais difícil, é mais gostoso.

Depois vim saber dos comentários que rolavam entre os seus amigos. Eles sempre dizendo que eu fazia teu tipo e que, pelo jeito, era uma das poucas suficientemente inteligentes para não cair na sua lábia. Já era demais! Você não podia suportar, era a gota d’água. O seu frágil ego precisava de mais um troféu na estante, nesse caso, um troféu dos bons (já que a batalha não seria simples). Já tinha se tornado uma questão de honra. Agora eu seria conquistada, a qualquer custo. E aí você me veio com aquele seu joguinho fajuto de conquista, o qual você estava acostumado a ganhar. Mal sabia que quando eu entrava num jogo, era pra ganhar.

Começamos como amigos, “it was cool, but it was all pretend”… Passamos a nos encontrar com mais frequência. Você parecia estar mudado… Não fazia mais de tudo pra chamar atenção, não dava mais tanta atenção às peguetes, e eu, dessa maneira, comecei a não me afastar mais de você. Você realmente se dedicou, arrumou tempo pra mim. Passei a não fugir e depois até a ir um pouco atrás. Comecei a acreditar que comigo poderia ser diferente, doce ilusão. Nos víamos com mais e mais frequência, até que isso se tornou diário. Se não nos víamos um dia, passávamos horas no telefone e o dia trocando mensagens pelo celular. Podíamos falar sobre qualquer assunto, me sentia bem ao seu lado. Ríamos à toa, como dois apaixonados. Cada momento tínhamos uma pauta diferente: roupas, peças, filmes, romances passados, amigos, gostos e desgostos. Até chegar um momento em que não era necessário muito falar.

Algum tempo depois, podia sentir a sua presença… Era só fechar meus olhos e deixar os outros sentidos e a minha memória funcionarem. Sentia seu cheiro em qualquer lugar que eu estivesse. Podia te ouvir cantando alguma música comigo enquanto estávamos no carro a caminho de algum lugar, ou falando, num sussurro quase que inaudível: “estar contigo me faz tão bem, sweetie. Eu conseguia ver o sorriso no seu rosto, como se estivesse na minha frente, materializado. Era como se o jogo se encaminhasse para o fim, um último golpe e o monstro seria vencido. Eu já estava apaixonada, agora faltava pouco para o fim. Pena que você não lembrou que, às vezes, os jogos tem reviravoltas e o quase-vencedor, pode se tornar o último colocado.

Nunca esteve em meus planos me apaixonar, ainda mais por você, que passou de um patético Don Juan a uma criatura fascinante. Quanta bobagem! Se apaixonar é mesmo idealizar, é só quando a paixão acaba que a gente percebe que a pessoa era, na verdade, cheia de defeitos. Parecia uma menina novinha, boba, apaixonada… Aquele sentimento bonitinho, meu coração parecendo que ia pular fora de mim ao te ver. Mil apelidos carinhosos, músicas “só nossas”, lugares “só nossos”, livros de presente, CD’s com dedicatórias… Tudo estava correndo como você planejava. Você estava cada dia mais tranquilo, e eu cada dia me enganando mais com o seu olhar. Tola! Porém, “I’m adaptable and I like my role. I’m getting better and better and I have a new goal…”.

Até que, aconteceu… Nos beijamos. Talvez você não tenha a noção mas, eu passei horas viajando de volta ao nosso primeiro beijo, não conseguia lembrar de nada ao redor, apenas de você, do seu cheiro. E do primeiro beijo para o começo do nosso namoro foi um pulo. E desse pulo, vieram as mudanças. Pelo fato de eu ter aceitado seu pedido, o sentimento de vencedor já se mostrava nos seus atos. E só faltava mais um passo agora, o famoso “bye bye” ou pé-na-bunda, como quiser chamar. Mas minha paixonite dificultou um pouco as coisas para você. Tentou voltar a agir como um idiota, Don Juan, achando que isso iria me fazer desistir de você loguinho. Uma pena eu estar realmente apaixonada, e ter feito de tudo para manter nosso relacionamento. Até quando nós brigávamos, mesmo quando a culpa era sua, era eu quem cedia: “Desculpa, sweetie… Você sabe que eu te amo”. Estúpida!

E assim fomos indo por um ano. Até eu descobrir sua vida amorosa tripla! Segundas, terças e quartas, era o meu namorado, e eu fazia tudo que você queria. Nas quintas e nos domingos tinha uma namoradinha, do trabalho. Nas Sextas e sábados, você nos traía com qualquer uma que encontrasse pelo mundo. É… como você já sabe, acabei o namoro. Você ficou numa satisfação só, eu via no seu olhar e na sua cara, tentando se conter. Mas ao passarem alguns dias, você viu que eu não te procurei como de costume, que eu literalmente, sumi do mapa. Você sentiu falta sim mas, não de estar comigo, e sim, de eu não te procurar, de correr atrás de ti (como todas as suas “ex” fizeram).

E foi única e exclusivamente por isso que você veio me procurar. Eu não conseguia entender nem aceitar. Traição já é demais, mas traição com um bônus de outra namorada… Era muito pra mim. Então, você vem me dizer que só agora percebeu o quanto me amava, e que ficar esse tempo sem a minha companhia tinha mostrado que a sua vida era sem graça sem mim. Que sentia falta do meu cheiro, do meu olhar, das nossas conversas e do meu sorriso. “Que foi apenas um deslize, que você preza pelo meu amor… Tenha dó! Não mereces o afago nem de Deus nem do Diabo, quanto mais da mão que um dia eu dei a ti”.

Dói saber que eu nunca mais vou estar lá por você? Eu sei que você vê meu rosto e sente meu cheiro por todo lugar. “It was you who chose, to end it like you did”. Eu fui a última a saber e você sabia exatamente o que estava fazendo. Não venha me dizer que você perdeu o rumo, que você só estava desorientado. Talvez a outra ou as outras, acreditem em você, mas eu não.

É verdade, a saudade bateu e forte, por uns tempos. Mas o meu amor já se foi, “tempo voa e quando vê, já foi!”. Aqui vai o meu conselho: fique com a sua outra namorada, a trouxa. Pelo visto ela ainda te quer, sendo assim, vocês devem mesmo se merecer. A ignorância é realmente uma bênção, ótimo pra você e pra ela. “I hope the ring tou gave to her turns her finger green. I hope when you’re in bed with her you think of me”.  Alguém tem que dizer a verdade, e eu sou sempre honesta. Eu posso ler você como um livro aberto, e é claro pra mim, que “she’s just the one between, heading no where fast”.

Ainda tem cara pra me mandar rosas vermelhas junto com um cartão dizendo que só você me ama e me conhece verdadeiramente. Por sinal, se me conhecesse mesmo, não me daria rosas vermelhas mas sim, tulipas. “Don’t wanna think about it, don’t wanna talk about it, I’m just so sick about it… Tell me is this fair?”. Veja se não me procura mais, cansei de rejeitar ligações e de receber suas cartas e mensagens. You should know that what goes around, comes around. Aproveite a ignorância!

Sweetie.

Never Again – Kelly Clarkson:

30
Out
09

dancing with myself.

agsd

Sei lá, eu não sei quando é que uma pessoa precisa de um tempo para ela mesma, só sei que depois que a primeira vez acontece, isso passa a ocorrer com um frequencia maior, é como se quando está só consigo mesmo, uma pessoa estivesse se descobrindo, redescobrindo, planejando, arrependendo.

Engraçado, é que os seres humanos só decidem refletir sobre a vida quando algo está dando errado, seguindo aquele conselho “em time que está ganhando, não se mexe”, isso pra mim é uma grande asneira, a gente está sempre crescendo, evoluindo, e se só porque estamos bem, decidimos deixar ela seguir “deixa a vida me levar, vida leva eu, sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu”.

Não, não, eu mesmo, depois dos bons e maus momentos que passei nessa vida tão curta, e ao mesmo tempo tão movimentada, sempre que posso, arrumo um tempo pra repensar meus atos, minhas escolhas, enfim, meu eu como um todo. Primeiramente eu revejo meus principios, pois, se você está bem com seus principios, então você está bem com sua vida.

O que me impressiona, é que cada ser humano tem um jeito de sentir sua própria alma, eu por exemplo, pego uma cerveja na geladeira, coloco uma música esperta, e fico admirando o céu, só por admirar, não que ele me traga paz ou algo assim, é só que, ele parece casar bem com a cerveja e a música. Estranho não?

Outras pessoas gostam de dançar. Sabe é como Pedro Bial em Filtro Solar “Dance, mesmo que não tenha aonda além do seu próprio quarto”. Aliás essa sim é uma bela mensagem sobre a vida humana como um todo, escutem, é sempre uma boa pedida. Se você gosta de dançar, DANCE, não fique esperando uma oportunidade, a vida segue um destino, porém as oportunidades e aventuras, quem cria é você.

Eu nem sei porque eu estou escrevendo esse texto, ele está com uma cara de auto-ajuda, acho que porque estou escutando “Dancing With Myself” do Billy Idol, que tive a ideia pra esse texto. Alias falando nessa música, eu tive que parar de escrever o texto pra dançar um pouco, essa música é contagiante!

No mais, enebriem-se com o aroma da vida, ela é única, não se arrependam, sigam em frente e peçam desculpas, mas não queiram voltar atrás, porque você vai acabar tropeçando se andar de costas. Afinal, três esquerdas dão uma direita, e ainda sobra a vontade para outra esquerda! Você só vai entender o sentido dessa frase tomando uma skol gelada… SHUISHUSUIHSUISHUHHSUIHUSI.

Filtro Solar – por Pedro Bial

27
Out
09

Sobre laços, alianças, ligações e afeto.

CORAO_~1Durante a minha vida criei muitos laços e tenho certeza de que ainda criarei muitos outros. Criei os mais diversos laços, os de amizade, familiares e amorosos. Mas, criei laços não só com pessoas, mas com objetos, animais, cores, músicas, filmes e desenhos. Tem até uns que criam laços fortíssimos com eles mesmos e até se tornam, quem sabe, narcisos… Se admirando demais, se apegando demais a eles mesmos.

Existem os laços que acabamos criando desde que nascemos, com nossos pais, nossos irmãos, avós, avôs, tios, tias, enfim… Com a família. Esses laços são criados antes que tenhamos noção do que estamos fazendo, e não temos muita escolha. Por isso, resolvi falar hoje sobre os laços que podemos escolher.

O que faz de uma pessoa comum, o seu melhor amigo, ou alguém muito importante? Tal pessoa é mais uma em um milhão, tem defeitos e qualidades, sonha, vive e ama. Por enquanto, você não precisa dela, nem ela de você. A partir do momento que são criados laços, essa pessoa se torna única para você e você para ela. Como já dizia a raposa do Pequeno Príncipe, “só conhecemos o que cativamos… Se queres um amigo, cativa-me!”. Essa definição foi dada por Antoine de Saint-Exupéry, da amizade a partir da palavra “cativar”, que segundo a raposa significa “criar laços”.

Um amigo pode ser, para alguns (não para mim), mais que família, já que é uma empatia que consentimos. É uma cumplicidade que vai muito além dos laços sanguíneos. É a escolha que fazemos de quem vai nos acompanhar enquanto trilhamos nossa vida. Nos unimos pelos laços da alma. A amizade é um relacionamento humano que envolve um conhecimento mútuo, estima e afeição. Esse relacionamento nos enriquece e nos promove. Ele leva a uma comunicação de sentimentos e convicções. De fato, quando cativamos e somos cativados, encontramos e escolhemos nossos amigos e, assim são criados os laços de amizade. É nos laços de amizade que encontramos um nó que nunca será lasso, é a afinidade com quem você quer bem.

Estamos presos aos laços da vida, ninguém quer a solidão. Pensemos que todo laço tem que ter uma fita para ser feito, e que nós somos a fita, precisamos de alguém, ou de algo para enlaçar. Não existe laço sem fita, nem laço sem alguém ou algo pra enlaçar. Sempre acreditei existir uma linha tênue entre a amizade e o amor. O que faz ser amor ou amizade pode consistir na reciprocidade, não existe amizade sem. Não se pode ser amigo de alguém que se recusa a sê-lo. Já o amor, nem sempre é pago na mesma moeda, de amores não correspondidos o mundo está cheio.

O amor dá asas, a amizade o chão. Mas quando o amor é sincero, ele vem com um grande amigo. E quando a amizade é concreta, ela é cheia de amor e carinho. Os laços amorosos são laços difíceis de cortar, ou desatar. Porque se cortássemos, significaria o fim de tudo. E aí, algumas vezes, não cortamos, nem desatamos, damos um nó mais forte em cima do laço e resolvemos casar. É um dos laços que escolhemos, e fortificamos com o nó. O nó que mesmo apertado, os mantêm juntos e os faz feliz.

E não existe casamento, sem aliança. Tanto no sentido de união, do “pacto”, quanto no sentido do anel de casamento. Aí comecei a pensar e a pesquisar sobre o sentido da aliança. Tem muita gente por aí que usa, mas que nunca parou pra pensar no sentido dela. Tem o formato em círculo para representar o ciclo de vida, a fertilidade, o amor e principalmente, infinito. Já que é algo como o próprio amor, não tem começo (não podemos dizer quando começa), nem fim.

Uns acreditam que o costume de trocar alianças veio da França com Mary de Burgundy, outros que veio de um costume hindu e que os gregos e romanos passaram a praticar também. Os romanos acreditavam que no quarto dedo da mão esquerda passava uma veia que estava diretamente ligada ao coração. A partir do século IX, a Igreja Cristã adotou a aliança como um símbolo de união e fidelidade entre casais cristãos. Já os chineses têm uma explicação para o costume de usar a aliança no quarto dedo da mão esquerda que vale a pena ver (no final do post, o vídeo). Muitas crenças nasceram a partir disso, os escoceses, por exemplo, acreditavam que a mulher que perdia a aliança estava condenada a perder o marido.

Pra mim a aliança nada mais é do que reforçar o laço invisível que criamos, de amor, compromisso e afeto com alguém. Algumas vezes, as pessoas não lembram o quanto é bonito o que carregam consigo e quanta simbologia cada coisa pode ter. Somos humanos e temos a necessidade de criar laços. Nós queremos ser livres e ao mesmo tempo prisioneiros, porque não podemos nem queremos deixar pra trás alguém que queremos bem. Se você consegue se fazer presente na solidão de alguém, tenha a certeza de que entre vocês existem laços indissolúveis de ternura e de amor.

Você pode ser o mais doido, o mais chato, o mais antissocial, o mais esquisito dos seres, mas todos têm alguém com quem falam, se apegam, de quem gostam, mesmo sem saber exatamente porque isso acontece. Sempre vai existir alguém que nos enche de ternura ou nos chama a atenção. Alguém que você conta seus segredos ou só alguém que você pode contar. Às vezes, é só alguém que a gente espera que esteja ali, naquele mesmo lugar, mesmo que muitos anos se passem. Muitas vezes, desejamos que as coisas não mudem, que as pessoas não morram, não cresçam, não saiam dali nunca. A verdade é que todo mundo cria laços, laços que na maioria das vezes, não podem ser desfeitos.

O vídeo que falei no post, dos chineses e a aliança: 

Fotografia – Leoni:

“O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia. As cores, figuras, motivos…E quando o dia não passar de um retrato colorindo de saudade o meu quarto, só aí vou ter certeza, de fato, que eu fui feliz…”